Crítica: Meia-Noite em Paris (2011)

Deixar a razão de lado e mergulhar de cabeça neste romance com toques de ficção e nostalgia são dicas valiosas. Quando digo romance falo da fascinação que Paris exerce em Gil (Owen Wilson), um roteirista que tenta escrever um livro de verdade, torcendo para ser inspirado pelas luzes da cidade.
A magia entra em cena com uma carona em um carro antigo e com as doze badaladas que anunciam a meia-noite. Jamais sabemos como (e precisa?), mas Gil volta ao passado e se encontra com monstros da literatura, música e artes em geral, como Buñuel, Dali, Hemmingay, Picasso e outros.
Gil tem a possibilidade de conversar com artistas que ele admira e até de ter o seu livro lido e debatido por eles.
Além de brincar com o nosso imaginário ao colocar uma pessoa do século XXI frente a frente com importantes personagens do passado, Meia-Noite em Paris nos faz refletir sobre a irremediável insatisfação que sentimos com o tempo em que vivemos. Tudo o que Gil queria era a Paris dos anos 1920, mas algumas pessoas deste período preferiam ter nascido na Belle Époque e os deste tempo desejavam ter vivido no Renascimento. É a velha história da grama do vizinho ser mais verde.
Uma dica que Gertrude Stein deu para Gil foi para que ele adicionasse um pouco mais de otimismo nas suas linhas. Convenhamos, otimismo é algo essencial para manter o bom humor nos dias de hoje.
Um pouco de fantasia não faz mal a ninguém e Woody Allen sabe oferece-la de um jeito bem peculiar. Ao lado de A Rosa Púrpura do Cairo, eis mais uma prova. Quisera eu conhecer melhor alguns dos artistas representados, pois aí a experiência seria ainda melhor. De qualquer forma, é uma viagem que pode ser apreciada por todos que ainda fazem questão de sonhar de vez em quando.
8/10
IMDb 

O Dorminhoco (1973)


Cotação: 8

Se você está a fim de assistir a um filme com bastante humor, ficção e uma boa dose de bizarrice, eis uma bela opção. Woody Allen, além de dirigir, é o personagem principal do filme. Ele interpreta Miles Monroe, um cara que foi ao hospital para operar uma úlcera e acaba acordando 200 anos depois, exatamente no ano de 2173. Nessa época, os EUA está dominado por um Líder, no melhor estilo 1984. A população é controlada e para a diversão existe uma máquina chamada orgasmotron e uma bola metálica que deixa as pessoas chapadas, o orb.

O humor está presente das mais variadas formas nesse futuro concebido pelo diretor. Por exemplo, algumas coisas que hoje em dia são consideradas maléficas a saúde tornaram-se benéficas, como o cigarro e as comidas gordurosas. Woody Allen também oferece diálogos cheios de ironia, principalmente em relação a personalidades e fatos dos anos 70. Em um momento, Miles Monroe precisa se disfarçar de robô para não ser pego pela polícia e aí temos gags visuais no maior estilo Chaplin, com uma trilha sonora bem característica de filmes mudos de comédia.

Acredito que a históra em si não seja tão importante aqui, mas devo dizer que Miles entra para o grupo da resistência que tenta acabar com o Líder. A maneira pela qual eles tentam isso é surreal e torna-se um dos momentos mais engraçados de O Dorminhoco. É uma ótima comédia do diretor, repleta de risadas fáceis e algumas que precisam de um certo conhecimento histórico. São 90 minutos de entretenimento puro.

Título original: Sleeper
Ano: 1973
País: EUA
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen e Marshall Brickman
Duração: 89 minutos
Elenco: Woody Allen, Diane Keaton

.imdb

/bruno knott

Tudo Pode dar Certo

Título Original: Whatever Works
Ano: 2009
Diretor: Woody Allen

O roteiro do filme é alvo de críticas por ter sido feito nos anos 70 e por contar com clichês do diretor. Algumas situações e diálogos datados são perceptíveis, mas não há tanto problema nisso, pois Woody Allen quer divertir o público de uma maneira despretensiosa.

Boris (Larry David) é um rabugento de 60 anos. Ele se auto-proclama um gênio e se gaba por ter sido indicado a um Nobel da física. Hoje ele ensina xadrez para crianças. Boris sempre diz o que pensa, nunca hesitando em diminuir intelectualmente quem cruza seu caminho. É hipocondríaco, misógino e já tentou suícidio. Essas características garantem risadas e também algumas boas reflexões sobre os padrões da sociedade atual. Uma das melhores cenas é aquela em que Boris acorda de madrugada gritando: “O Horror! O Horror!” numa referência a Apocalypse Now. Sua vida muda quando encontra Melody (Evan Rachel Woods), uma jovem de 20 anos, chorando nas escadas da sua própria casa. A príncipio, ele despeja sarcasmo e mal-humor na moça, mas aos poucos vai admirando o seu jeito relativamente inocente. Os dois se casam e vivem razoavelmente bem. Quando a mãe de Melody entra em cena o casamento corre perigo e o filme ganha em qualidade.

Gosto de Larry David, principalmente por ser co-criador de Seinfeld, mas ele não funciona muito bem aqui. Sua falta de carisma não permite uma aproximação do público. Se Woody Allen fosse o protagonista a história seria outra. Além disso, Boris é o único personagem que não evolui. Todos passam por mudanças significativas em suas vidas e ele continua o mesmo até o último minuto. Mesmo inferior a Match Point e Vicky Cristina Barcelona, Whatever Works proporciona uma boa dose de diversão. Seria mais produtivo para Wood Allen continuar filmando na Europa. O ar do velho continente faz bem ao diretor.

Nota: 7