Crítica: Duelo de Titãs (2000)

remember-the-titans-2000Estamos no ano de 1971, época em que o racismo ainda era forte no estado americano da Virginia. Tentando mudar um pouco esse panorama, o governo estabeleceu uma lei obrigando a integração racial das esquipes esportivas. A mudança começa pelo comando técnico do time de futebol americano do colégio local, que agora fica a cargo do afro-descendente Herman Boone. Após alguns desentendimentos, Bill Yoast, o técnico anterior, aceita a posição de coordenador defensivo. Ambos vão trabalhar juntos com o objetivo de realmente unir os jogadores.

Muitos achavam que haveria algum tipo de favorecimento durante os treinamentos, mas nada disso ocorre. O técnico Boone impõe um regime de treino militar, de extrema intensidade, levando os jogadores ao cansaço absoluto, com tratamento igual para todos. Uma corrida às três da madrugada e um treino longo sem permitir que os atletas se hidratassem são provas disso.

Aí entra um dos pontos mais interessantes de Duelo de Titãs: a dinâmica da relação entre os dois técnicos. Enquanto Boone às vezes exagera na rigidez, Yoast aborda os jogadores de uma forma mais tranquila. Mais do que preparar um time com possibilidades de vencer, eles querem formar um grupo de verdadeiros irmãos. Essa união dos atletas serve de inspiração para cidade, que ainda convive com revoltantes exemplos de racismo.

Mesmo com alguns clichês do gênero e com cenas pouco inspiradas dos jogos, o filme possui força própria, reservando momentos de emoção genuína e fazendo um comentário social dos mais relevantes. Não dá para deixar de elogiar também as ótimas escolhas da trilha sonora, como Creedence, Cat Stevens e The Temptations. Mais um aspecto importante que faz Duelo de Titãs ser um ótimo entretenimento.
8/10

 

Crítica: Dredd (2012)

Após a frustrada primeira versão cinematográfica deste personagem dos quadrinhos, era de se esperar que Dredd não tivesse mais chances na telona. Sorte a nossa que não. Dirigido por Pete Travis e com Karl Urban como o juiz, esse reboot nos oferece tudo aquilo que o filme de 1995 com o Stallone jamais conseguiu: ação de qualidade, violência e 90 minutos de puro entretenimento.
Um dos aspectos mais interessantes de Dredd é a ambientação. Estamos em meio a um futuro distópico no qual a cidade de Mega-City One alcança a marca de 800 milhões de habitantes. A cidade é toda cercada por muros, pois fora deles nada mais resta a não ser um deserto radioativo. Dentro as coisas não são muito melhores, afinal a criminalidade chega a níveis absurdos. Para tentar controlar os bandidos, a lei fica inteiramente na mão dos chamados Juízes, que tem a função de julgar, condenar e executar.
Dredd, um dos juízes mais competentes, recebe a tarefa de avaliar uma possível nova juíza, que mesmo não obtendo as notas necessárias, recebe mais uma chance por possuir a útil habilidade de ler mentes.
Os dois atendem um chamado vindo de um imenso prédio onde três homicídios aconteceram. Após encontrarem o assassino, Dredd e a novata estão prestes a sair quando uma voz feminina informa que o prédio será fechado até que os juízes sejam mortos. A dona da voz é Ma-Ma, a pessoa que manda em toda aquela região e que está por trás da droga Slo-Mo, cujo efeito é fazer o usuário ter uma percepção de mundo muito mais lenta do que o normal.
O roteiro é simples e direto e é justamente por isso que tudo funciona tão bem. Embaladas por uma viciante trilha sonora eletrônica, as sequências de ação estão repletas de energia e muito sangue. Não há espaço para misericórdia aqui. Quem resolver ir contra a lei terá que se acertar com o Juiz Dredd, algo não muito recomendado. A câmera lenta garante um tom artístico para toda a violência. São cenas visualmente muito bonitas, ainda que geralmente o que é retratado não é nada agradável. É interessante notar que a utilização da câmera lenta é justificada pelo roteiro, pois ela nos mostra o que a pessoa sente após usar a droga.
Karl Urban, o eterno Éomer de Senhor dos Anéis, faz um ótimo trabalho com o que lhe é permitido. Dredd jamais tira o capacete, então o ator se expressa apenas com a voz e com movimentos da boca e só com isso consegue a empatia do público, inclusive desferindo um pouco de humor negro.
Trata-se de um filme que não tem maiores pretensões, mas que é bem eficiente no que se propõe. Ele não foi bem nas bilheterias, o que pode ser explicado em parte pela classificação indicativa de 18 anos. O fato é que estamos diante de um dos melhores filmes de ação do ano e que fica ainda melhor no cinema, pena que já está saindo de cartaz.
8/10