Crítica: Inverno da Alma (2010)


Inverno da Alma é daqueles filmes que não tem um grande orçamento, mas que tem resultados acima da média. A história é simples, mas com bastante potencial para a personagem principal se destacar, que é o que ocorre. Ree (Lawrence) é uma garota que vive no sul dos Estados Unidos e está cheia de problemas e obrigações. Ela cuida de uma irmã e um irmão pequeno, além da mãe debilitada. O pai de Ree não cumpre com suas obrigações judicias, desaparecendo do mapa. Se continuar sumido, a família perderá a casa penhorada por ele. Agora Ree tem mais uma tarefa: encontrar o pai.

A busca fica cada vez mais complicada. Ree aborda algumas pessoas da região e logo descobre que está mexendo em um vespeiro. Um violento interior dos Estados Unidos é mostrado. Um lugar desolador, que não permite fraqueza e que parece ter uma lei própria. Um deslize pode custar muito caro, coisa que Ree percebe rapidamente. Jennifer Lawrence está brilhante, demonstrando toda a força interior da personagem, não esquecendo do seu lado mais frágil. Inverno da Alma cria uma personagem incomum e memorável. Ao mesmo tempo que demonstra uma vontande irredutível de encontrar o pai e resolver toda a situação, ela ainda ensina coisas imporantes aos irmãos, como se quisesse prepará-los para o mundo nada amistoso que os aguarda.

Com um ritmo desacelerado, o filme trabalha muito bem a atmosfera brutal em que os personagens estão envolvidos. O resultado tem ar de thriller, ainda que seja de um jeito mais silencioso e frio do que o que estamos acostumados a ver por aí. Outro trunfo de Inverno da Alma é a capacidade de manter imprevisível o resultado da busca. Pode não ser um trabalho tão bom como uma indicação ao Oscar teoricamente deveria sugerir, mas é sempre reconfortante saber que filmes que investem bastante em seus personagens continuam sendo feitos.

Título original: Winter’s Bone
Ano: 2010
País: USA
Direção: Debra Granik
Roteiro: Debra Granik, Anne Rosellini
Duração: 100 minutos
Elenco: Jennifer Lawrence, John Hawkes, Lauren Sweetser, Garret Dillahunt

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bruno knott,
sempre.