Crítica: O Preço de um Homem (1953)

A parceria entre o diretor Anthoy Mann e James Stewart rendeu cinco filmes e muitos apontam O Preço de um Homem como o melhor deles. Não é difícil de entender o porquê.

Este é um western que possui atrativos não tão comuns dentro do gênero. Há muito pouco de bang bang, nada de duelos, saloons ou jogos de pôquer. Mais do que investir em ação, a trama se concentra no dilema moral que o nosso herói deve enfrentar e toda a tensão entre os cinco personagens.

Howard Kemp está na caça do fora da lei Ben Vadergroat pela recompensa de 5 mil dólares. Com essa grana ele quer reaver a terra que perdeu durante a Guerra Civil Americana graças a traição da ex-mulher.

Kemp irá contar com a ajuda de um garimpeiro e de um soldado que foi expulso do corpo militar. Logo nas primeiras cenas o trio consegue capturar Ben, que estava na companhia da jovem Lina Patch.

A jornada pelas montanhas rochosas com Ben planejando maneiras de escapar é muito mais complexa que a captura. Cada um dos cinco tem suas motivações e o resultado final é imprevisível. O jogo psicológico se faz presente com certa qualidade.

Assim como Kemp somos estimulados a refletir se é justo tirar a vida de alguém para benefício próprio. O mundo do velho oeste não era fácil.

Ainda que o Preço de um Homem ofereça uma história mais densa e atuações inspiradas, ele acaba pecando em seu final abrupto e não tão verossímil se analisarmos todo o contexto.

De qualquer forma, o filme permanece como uma obra digna de nota para quem aprecia o gênero.

Nota:

Crítica: Silverado (1985)

silverado-1985

Apesar de não oferecer nada de novo para o gênero, Silverado trata o Velho-Oeste com respeito. Contando com um sólido elenco e uma história simples e eficiente, o filme agrada na maior parte do tempo. A primeira metade é um pouco mais leve, com tempo para várias situações que puxam para o lado cômico, já do meio para o fim as coisas ficam mais sérias e mortais. Não vou negar que Silverado possui momentos um pouco arrastados e previsíveis, mas isso é compensado pelo fato de sermos brindados com boas doses de nostalgia e ação. O diretor e roteirista Lawrence Kasdan parece ter tido a intenção de nos fazer lembrar de como esse gênero pode ser divertido. Curiosidade: o filme recebeu duas indicações ao Oscar de 1986, melhor som e melhor trilha sonora. 3-stars-out-of-5

Crítica: O Matador (1950)

the-gunfighter-1950

Jimmy Ringo é considerado o gatilho mais rápido do oeste. Ele já enfrentou e venceu mais de 10 oponentes e por onde passa é reconhecido. Muitos o temem, mas alguns desejam desafiá-lo e mostrar que podem ser tão rápidos como ele. Tudo o que Jimmy quer é voltar para sua cidade, para sua mulher e seu filho, mas o passado que construiu dificulta a realização de seu desejo. Após sair-se vencedor em um confronto em um saloon (que ele tentou evitar de todas as formas), Jimmy acaba sendo perseguido pelos irmãos de sua vítima. O suspense sempre está no ar em O Matador. A cada minuto o cerco está se fechando em volta de Jimmy, com as ameaças cada vez mais próximas. Será que haverá tempo para corrigir os erros do passado? Este é um western que não contém muitas cenas de ação, apenas o suficiente. O filme prefere investir nas angústias do personagem principal e acerta em cheio. Poucos exemplares do gênero conseguem estimular tantas reflexões.
[8.5]

Melhores Westerns: Pistoleiro Sem Destino (The Hired Hand, 1971)

the-hired-hand-1971Pistoleiro Sem Destino é um western bem diferente daqueles que estamos acostumados a assistir. Vários elementos comuns ao gênero não aparecem aqui ou aparecem em momentos bem específicos. Apesar disso, trata-se de uma experiência encantadora. Estreando na direção, Peter Fonda adiciona sensibilidade, uma agradável melancolia e recursos estilísticos um tanto ousados para filmes de faroeste. Somos brindados com várias sequências em que a fotografia e a trilha sonora se destacam e dão a ideia de que o velho oeste nem sempre era um amálgama de caos e desespero. Claro, a trama investe um pouco em ação e nas convenções do gênero quando mostra um conflito e um desejo de vingança, mas Pistoleiro sem Destino deve ser lembrado por enaltecer a camaradagem dos dois personagens principais, a coragem de uma mulher e por suas imagens de rara beleza. [9]

Melhores Westerns: A Proposta (2005)

Proposition

Foi com muita curiosidade e boas expectativas que iniciei a sessão de A Proposta, um Western cuja história se passa na Austrália dos anos 1880.

As coisas começam de uma maneira inquietante. Uma música cantarolada por uma criança, fotos em preto e branco mostrando um crime chocante ocorrido há pouco, até que o filme realmente começa e nos coloca no meio de um tiroteio. Os irmãos Mikey e Charlie Burns tentam se defender do policial Stanley, sem sucesso. Os dois são capturados.

Stanley tem uma proposta para Charlie: matar o outro (e mais perigoso) irmão e assim conseguir salvar a si próprio e Mikey, que em 9 dias será enforcado.

Charlie inicia uma jornada solitária pelo imenso e opressivo outback australiano, com tempo suficiente para refletir sobre que atitude tomar quando encontrar Arthur, mas sem se descuidar dos inúmeros perigos a sua volta.

Um dos pontos fortes de A Proposta é o fato de seus personagens principais apresentarem personalidades complexas. O capitão Stanley procura ser justo da melhor maneira possível, o que pode acarretar em consequências negativas em uma terra em que a lei quase não tem voz. Uma terra podre. Tão podre que podemos ver e ouvir moscas por todos os lados.

A violência aqui é brutal, crua e realmente perturbadora. Algumas cenas podem causar um certo desconforto.

Com um ritmo contemplativo e com espaço para doses de lirismo, trata-se de uma experiência forte, mas levemente irregular. Pode ser considerado um dos grandes faroestes dos tempos modernos, apesar de estar distante em qualidade de obras como Os Imperdoáveis ou o seriado Deadwood.
[8.5]

O Homem que Matou o Facínora – The Man Who Shot Liberty Valance (1962)

liberty_valance1

O Homem que Matou o Facínora foi o último filme que contou com a parceria entre John Wayne e John Ford, uma dupla responsável por diversos westerns de sucesso. Aqui John Ford aborda o gênero de um jeito diferente daquele que marcou sua carreira, investindo em um velho oeste não idealizado e mostrando que a civilização e a lei escrita podem chegar a qualquer lugar, inclusive Shinbone, a cidade hostil onde se passa o filme.
Ranse (Stewart), um jovem advogado, chega à cidade com 14 dólares no bolso e com vários livros de direito na bagagem. A diligência em que estava é assaltada por Liberty Valance, que não hesita em dar uns sopapos em Ranse e de rir estridentemente quando lhe é dito que vai para a cadeia por isso.
A história é contada em flasback pelo próprio Ranse. Sabemos desde as primeiras cenas que ele se tornou um político de sucesso, mas a maneira como isso ocorre reserva surpresas e situações que nos fazem refletir, como quando um jornalista diz que “quando a lenda se torna fato, publique a lenda”.
As atuações de John Wayne e James Stewart são ótimas, mas quem mais se destaca é Lee Marvin com o seu vilão ameaçador. A trilha sonora colabora bastante para o clima da história, assim como a escolha pelo preto e branco, deixando tudo com um agradável ar nostálgico.
9/10
 

Crítica: Butch Cassidy (1969)

Butch Cassidy marca uma mudança de rumos do gênero Western. Ao invés de utilizar o tom mais sério e sóbrio de westerns antigos, ele investe em uma abordagem mais humorada e leve, além de ter a coragem de colocar uma música moderna dentro de um filme de época. Sim, falo da magnífica cena em que Paul Newman anda de bicicleta enquanto a música Raindrops Keep Falling on my Head invade nossos ouvidos.
Butch Cassidy e Sundance Kid são dois ladrões de banco e de trens que após um assalto ter dado errado, passam a maior parte do tempo fugindo de seus implacáveis perseguidores, o que os acaba levando até a Bolívia. A química entre Paul Newman e Robert Redford impressiona. Parecem de fato dois amigos de longa data que precisam passar por alguns percalços. Não faltam diálogos espirituosos e genuinamente engraçados, mas talvez a grande sequência do filme seja a perseguição que ocupa todo o segundo ato. O diretor George Roy Hill cria uma atmosfera extremamente tensa, permitindo que o público compartilhe com os personagens toda a aflição que lhes é imposta pelos seus perseguidores. Parece que não há saída. Qualquer rumo que eles decidem tomar para despistar se mostra infrutífero. Mesmo com uma certa distância entre eles, não tem como não ficar temendo pelo pior. Apesar desse lado tenso, a dinâmica entre os dois continua garantindo momentos divertidos, mas os tiros e o sangue não são deixados de lado.
Para completar, temos duas ou três cenas em que apenas a trilha sonora e algumas imagens marcam a passagem do tempo. São cenas belíssimas e criativas, que elevam ainda mais a qualidade do filme. Isso sem contar o icônico final, que nos permite refletir sobre o destino desses dois cativantes cowboys.
10/10 

Um projeto para 2011

Quem visita o CULTURA INTRATECAL sabe da minha paixão por zumbis e westerns. Ao longo do ano irei ver (e rever) e comentar os mais diversos filmes desses gênero, para chegar em um momento e postar listas do tipo melhores filmes de zumbi e melhores westerns.

Quem não gosta de fazer listas, não é? Sempre é bom organizar as prefêrencias e ler as opniões dos outros sobre elas.



🙂

Crítica: Bravura Indômita (2010)




Os irmãos Coen já se estabeleceram como cineastas extremamente sólidos. A filmografia deles é algo invejável, sempre com ótimos trabalhos (excluindo Matadores de Velhinha) e às vezes com obras-primas, como Fargo e Onde os Fracos Não Tem VezBravura Indômita pode não merecer o epíteto de obra-prima, mas sem dúvida representa toda a qualidade e estilo do cinema dos irmãos.

Aqui temos a primeira real incursão dos Coen no western e o resultado não poderia ter sido melhor. A madura garota Matie Ross (Steinfeld) só tem uma ideia na cabeça: caçar o homem que matou o pai dela, em qualquer lugar em que ele esteja. Ela contrata um marshal para ajudá-la nessa empreitada, apesar do mesmo passar tempo demais com alcool no sangue. Claro, falo de Rooster Cogburn, interpretado com todos os atributos que podemos esperar de um ator tão bom como Jeff Bridges. O elenco é excelente, assim como o roteiro e a fotografia de Roger Deakins, que com facilidade transmite o clima do velho oeste.

Bravura Indômita também contém o humor peculiar dos irmãos, dessa vez numa intensidade maior do que o normal, principalmente nos primeiros trinta minutos. Diálogos um tanto cínicos são pronunciados de maneira natural pelos atores, garantindo nosso riso. Como exemplos, lembro-me de quando Rooster fala que não paga por whisky, já que confisca tudo como homem da lei e também quando o personagem de Matt Damon diz que no Texas ele ficou tantos dias sem água que bebeu água suja de uma pegada de cavalo e ficou feliz por isso. Quando o assunto é violência, as coisas ficam bem sérias e rapidamente voltamos a sentir o perigo do ambiente hostil. Os Coen conseguem fazer essa transição com naturalidade. Como ponto negativo, acredito que o filme perde um pouco da força quando tenta buscar um certo sentimentalismo nos personagens, mas nada que incomode de fato.

Título original: True Grit
Ano: 2010
País: USA
Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen
Duração: 110 minutos
Elenco: Jeff Bridges, Matt Damon, Hailee Steinfeld, Josh Brolin, Barry Pepper

/ bravura indômita (2010) –
bruno knott,
sempre.

 

Crítica: Matar ou Morrer (1952)

Will Kane (Gary Cooper) está prestes a ser substituído do cargo de xerife, pois acaba de se casar com uma quaker que é contra o uso de armas e violência. O problema é que no trem do meio dia chegará a cidade um bandido preso por Will e libertado por um tribunal do norte. Tal bandido, com a ajuda de três parceiros, busca vingança. Faltando algumas horinhas para o meio dia, Kane decide enfrenta-los, mas nesse meio tempo ele deve encontrar alguém que se habilite a encarar a morte com ele e também evitar que sua mulher o abandone.

Tarefa difícil que ganha uma tensão quase insuportável nas mãos do diretor Fred Zinnemman. Durante os 85 minutos o sentido de urgência jamais diminui, afinal o diretor faz questão de mostrar o relógio se aproximando do meio dia, além de repetir tomadas do trilho que se estende para o horizonte, como se o trem pudesse chegar a qualquer momento. Como não poderia ser diferente, a busca de Will por reforços é desesperadora. Todos tem algum argumento para não fazer parte do tiroteio que se aproxima, mas fica evidenciado que o maior empecilho é a covardia. O lado bom fica extremamente claro para a população. Por que não ajudar?

O trabalho de montagem é um dos grandes destaques de Matar ou Morrer, algo que pode ser confirmado na cena em que o trem finalmente chega. A tensão vai aumentando aos poucos, primeiro com som do trem ficando mais alto, depois com cortes rápidos e closes em alguns personagens. É um excelente trabalho, tanto técnico, como de atores. Para quem gosta de westerns Matar ou Morrer é como fazer uma quadra de ases bebendo um bom whisky.

Título original: High Noon
Ano: 1952
País: USA
Direção: Fred Zinnemann
Roteiro: Carl Foreman
Duração: 85 minutos
Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Lee Van Cleef

/ matar ou morrer (1952) –
bruno knott,
sempre.

Review: Paixão dos Fortes (1946)


Nota:

Tombstone. Impossível não associar essa cidade com Westerns. Para deixar o clima ainda mais propício, o diretor John Ford “transportou” a cidade para o Monument Valley, típico pano de fundo dos filmes de Velho Oeste. Paixão dos Fortes é uma das muitas versões do tiroteio do OK Curral, em que Wyatt Earp, seus irmãos e Doc Holliday fizeram o acerto de contas com os Clanton. Este filme é dono de uma visão romantizada do fato e talvez da mais interessante.

Wyatt Earp e seus irmãos estão de passagem por Tombstone, sem intenções de permancerem na “cidade infernal”. Isso muda quando um deles é assassinado covardemente. Uma oferta para o cargo de xerife transforma-se em uma ótima oportunidade para descobrir quem está por trás do crime. Logo, o povo da cidade vai se sentindo mais seguro com a presença da família Earp. John Ford ambienta o público sem pressa ao clima de Tombstone, mostrando jogos de pôker, noites no saloon, whisky, músicas e a presença de um ator shakespeariano.

A composição visual realizada por John Ford é qualquer coisa de primorosa, ainda mais pelo fato da fotografia ser em preto e branco. São várias cenas clássicas, como aquela em que Fonda se equilibra num banquinho e outra em que vemos uma arma sendo arremessada pelo comprimento do balcão do bar (cena homenageada em Devolta Para o Futuro 3). Um clássico não só dos Westerns, mas do cinema em geral, que faz questão de começar e terminar com os acordes da famosa canção My Darling Clementine.


Título original: My Darling Clementine
Ano: 1946
País: USA
Direção: John Ford
Roteiro: Samuel Engel,  Winston Miller
Duração: 97 minutos
Elenco: Henry Fonda, Linda Darnell, Victor Mature, Walter Brennan

/ paixão dos fortes (1946) –
bruno knott,
sempre.