Vício Frenético

Título original: The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans
Ano: 2009
Diretor: Werner Herzog

“Tour de Force”. Que bela expressão. Eu NADA entendo de francês, mas uma visita ao google me diz que ela significa uma ação difícil executada com grande habilidade, basicamente, uma proeza. Você deve estar me perguntando o que ela tem a ver com este novo filme do Werner Herzog, certo? Respondo em três palavras: Nicolas (fucking) Cage. Aqui ele interpreta o policial sem noção Terence McDonagh. Logo na primeira cena percebemos que o cara é completamente louco e é nele que reside o diferencial de Vício Frenético.

Cá entre nós, o plot não tem muita importância aqui. Tudo se passa em Nova Orleans pós Katrina.  Temos 5 homícidios envolvendo senegaleses e cabe ao tenente do mal – como diz o título original – Terence a investigar o caso. E o show começa. Há quem diga que a atuação do Cage está exagerada. Eu não concordo. O cara criou um personagem que é uma bomba relógio, totalmente sem escrúpulos, sem remorso de apontar uma magnum .44 pra cabeça de uma velinha e que não tá nem aí de roubar cocaína apreendida para uso próprio. Tudo isso sem ser caricato. Você acredita no personagem e na sua falta de sanidade mental. É uma atuação bem física também. Percebam como ele consegue demonstrar que tem os movimentos reduzidos no braço esquerdo sem soar falso.

Herzog não teve medo de realizar um filme politicamente incorreto, que é espetacular de se assistir. Ficamos esperando a próxima reação de Terrence e morbidamente torcemos para ser algo intenso. E vamos ser recompensados, pode apostar. Será que alguém consegue gostar ou compreender as motivações do personagem? Difícil. O único momento em que vemos um pingo de sentimento nele é quando Terence está com sua namorada, nada mais, nada menos, que uma prostituta de luxo.

Detalhe: Provavelmente sobrou uma carreirinha pro Herzog também, afinal, iguanas e almas que dançam não são coisas muito usuais num filme policial.

Recomendo pelo Nicolas Cage, pela direção do Herzog e também pela trilha sonora, que aumenta o impacto de quase todas as cenas.
Coisa boa aqui.

Nota: 4/5

Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans