Crítica: Fuga de Sobibor (1987)

fuga-de-sobiborBaseado em fatos reais, Fuga de Sobibor mostra a revolta dos prisioneiros do campo de extermínio de Sobibor em busca da liberdade. Apesar de ser feito para TV, o filme não deve nada para os grandes títulos do tema. Esta é uma experiência muito realista e chocante. Vemos aqui diversas atrocidades cometidas pelos nazistas em cenas dolorosas e emocionantes. O diretor Jack Gold, eventualmente, prefere utilizar elipses, mas isso ficou longe de reduzir o impacto, muito pelo contrário. A sequência em que escutamos os gritos dos judeus dentro dos chuveiros é uma prova disso.

A medida que a ideia da fuga vai sendo trabalhada, o suspense ganha terreno. Mesmo sabendo do resultado, não há como não perder o fôlego em algumas cenas. Será que civis debilitados e alguns soldados russos feitos prisioneiros vão ter sucesso em uma investida contra a poderosa SS?

Recomendado para qualquer um que se interessa pela Segunda Guerra Mundial e pela barbárie do Holocausto. Eis mais uma das muitas provas de que a resistência dos judeus existiu, seja pegando em armas ou tentando sobreviver em meio as péssimas condições da melhor maneira possível.  Fuga de Sobibor é muito fiel a História e ainda funciona como cinema. Ganhou o Globo de Ouro de melhor filme feito para TV, merecidamente.
9/10

Crítica: Patton (1970)

Vencedor de vários prêmios no Oscar de 1972, inclusive melhor filme, melhor diretor (Franklin J. Schaffner), melhor ator (George C. Scott) e melhor roteiro (Francis Ford Coppola), Patton é, sem exageros, uma das melhores cinebiografias já feitas. Tudo funciona espetacularmente bem nessa imersão de 171 minutos na vida de George Patton. Desde o monólogo que abre o filme, somos capturados pela presença magnética de George C. Scott e simplesmente não percebemos o tempo passar.

Mas e quem foi este grande líder do exército americano na Segunda Guerra Mundial? Com um grau apropriado de imparcialidade, o filme nos mostra as virtudes e os defeitos de Patton quase que na mesma medida. Ele era capaz de demonstrar profundo carinho por um soldado ferido e de esbofetear quem ele considerasse covarde. Homem extremamente culto e apaixonado por História, nutria uma verdadeira paixão pela “arte da guerra”. Sua língua ferina costumava deixá-lo mal visto por alguns, mas seus feitos e sua reputação eram suficientes para que fosse admirado por muitos.

Como se fosse pouco apresentar um personagem complexo desses de uma maneira tão interessante, o filme merece elogios também pelas cenas de batalha muito bem construídas. O diretor Franlkin J. Schaffner (Planeta dos Macacos, 1968) emprega um estilo sóbrio nas cenas de ação, explorando de maneira inteligente os efeitos especiais, jamais deixando a experiência confusa.

Patton é um desses raros casos de uma cinebiografia que mantém o alto nível do começo ao fim.


9/10

Zona Verde

Título original: Green Zone
Ano: 2010
Diretor: Paul Greengrass

Roy Miller é um soldado que tenta fazer as coisas de maneira correta em meio a Guerra do Iraque. Ele e seus comandados seguem pistas em busca de armas de destruição em massa. O problema é que sempre que chegam aos locais, não encontram nada mais do que privadas ou algo do tipo. Roy Miller questiona seus superiores a respeito das fontes dessas informações. Ele sente que há algo de errado no ar e decide ir fundo na toca do coelho. Uma decisão repleta de riscos.

Paul Greengrass é um diretor que não se contenta apenas com a ação. Seus filmes sempre aspectos políticos e conspiratórios. Zona Verde é um verdadeiro thriller de guerra, com uma história razoavelmente complexa, que exige um certo grau de atenção do público. O filme quer mostrar algo que todos sabemos: as tais armas de destruição em massa eram apenas uma desculpa para os EUA invadir o Iraque e fazer o que bem entendessem. O diretor nos coloca dentro daquele caos ao utilizar seu estilo quase documental de filmar. As interpretações de Matt Damon e Khalid Abdalla também merecem destaque. Tudo parece bem real.

Apesar das cenas de ação serem filmadas com a competencia habitual, não posso negar que em alguns momentos elas me pareceram um tanto longas e confusas. Isso não atrapalha o filme como um todo, mas é uma falha que poderia ser corrigida sem muito trabalho. Enfim, Zona Verde é um bom filme de guerra, com um lado político intrigante, mas que fica um pouco empalidecido após algo do nível de Guerra ao Terror.

Nota: 7

Além da Linha Vermelha

Título original: The Thin Red Line
Ano: 1998
Diretor: Terrence Mallick

O diretor Terrence Mallick tem praticamente 40 anos de carreira, mas apenas 5 filmes realizados. Isso mostra que ele não faz filmes apenas por fazer. Quando inicia um trabalho, Mallick se dedica completamente a ele, criando obras que sempre trazem um significado. Em Além da Linha Vermelha ele utilizou vários atores importantes do cinema para mostrar um pouco do que foi a campanha do Pacífico na Segunda Guerra Mundial. John Travolta, Sean Penn, Jim Caviezel, Adrien Brody, John Cusack, George Clooney e Woody Harrelson são alguns dos nomes que fazem parte deste elenco de respeito.

É um filme de guerra, mas a abordagem é um pouco diferente do que estamos acostumados. O ritmo é peculiar. Mallick nos conduz pela história de cada soldado sem pressa alguma. Existem narrações em off de vários personagens. Elas mostram o sentimento deles em relação a guerra, ao inimigo e a raça humana como um todo.. Fui completamente absorvido por este filme de guerra intimista, que tem um trabalho fantástico de fotografia de John Toll. Ele explora muito bem os cenários naturais, concebendo imagens belíssimas com um ar poético.

As batalhas são poucas, mas quando acontecem mostram toda a habilidade de criação de Terrence Mallick. Ele as filma de uma maneira elegante e empolgante, como um ballet de tiros e sangue. Além da Linha Vermelha tem suas falhas, como o roteiro que basicamente vai do nada a lugar nenhum, mas é uma experiência única e arrebatadora, se você entrar no clima.

Nota: 9

Platoon

Título original: Platoon
Ano: 1986
Diretor: Oliver Stone

Chris Taylor (Charlie Sheen) acaba de chegar no Vietnã e em pouco tempo ele percebe o erro que cometeu quando voluntariou para o conflito. As dificuldades que ele enfrenta são imensas. Ele é alvo de desconfiança de alguns dos veteranos e qualquer erro que ele cometa pode lhe trazer grandes problemas. É como tentar andar sobre ovos sem quebra-los.

Oliver Stone coloca seus personagens e o público num ambiente opressivo. O diretor nos faz cientes de que o perigo não se deve apenas aos vietcongs escondidos em cada canto da floresta, mas também, ao próprio ambiente, repleto de florestas densas, quentes, com cobras e mosquitos transmitindo diversas doenças. Para piorar, há um conflito interno entre os sargentos Barnes e Elias, que provoca um racha no pelotão. É evidente o teor anti-belicista do filme e até mesmo, anti-americano, principalmente se levarmos em conta os diálogos de alguns personagens que não cansam de falar mal da política do seu próprio país.

As cenas de batalhas empolgam pelo seu visual que se aproxima da realidade. Não há nenhum tipo de embelezamento artificial, é algo cru e por isso, impressiona. A guerra é algo que tem potencial para tornar homens animais. E aqueles homens que já são animais? Eles utilizam a guerra para por em prática seus desejos cruéis e sanguinários, como fica evidente em uma cena chocante que ocorre numa aldeia vietnamita. Este filme contém muitas cenas fortes e perturbadoras, que mostram toda a imbecilidade que foi a guerra do Vietnam.

Nota: 8

– B.K.