Crítica: Um Método Perigoso (2011)

Os melhores momentos de Um Método Perigoso estão nas conversas entre Freud e Jung, os personagens principais deste novo trabalho de Cronenberg que nos faz mergulhar nos primeiros dias da psicanálise. Alguns diálogos estão recheados de um tom mais acadêmico, mas isso não atrapalha a nossa experiência como um todo. Infelizmente não dá para dizer o mesmo quando o assunto é o ritmo, que é um tanto irregular, sendo bem monótono de vez em quando.
Keira Knightley tem uma performance que divide opiniões, exaltada por uns e criticada por outros quase que na mesma intensidade. Para mim ela exagerou na sua caracterização, nos dando um verdadeiro exemplo do overacting. Outro pecado do filme é a falta de algum acontecimento realmente impactante, de forma que ele perde a força sobre nós assim que os créditos aparecem na tela.
O que fica de bom é mais uma boa atuação de Viggo Mortensen, um ator que claramente se entrega aos seus papéis, realizando um trabalho de pesquisa bem sério na composição de seus personagens. Se Cronenberg não foi brilhante, pelo menos ele dá um ar clássico para a história, fazendo uso de ótimos recursos de direção e fotografia para transmitir o lado emocional de Freud, Jung e Sabina.
6/10
info 

A Estrada

Título original: The Road
Ano: 2009
Diretor: John Hillcoat

O mundo como o conhecemos já não existe mais e o motivo não importa. Agora tudo não passa de cinzas, isolamento, desespero e frio. É neste mundo pós-apocalíptico que encontramos um pai (Viggo Mortensen) e um filho (Kodi Smit-McPhee) tentando sobreviver sem perder a sanidade. E a estrada para a sobrevivência está longe de ser fácil. As poucas pessoas que restam fazem parte de grupos que não hesitam em roubar, matar ou até mesmo praticar canibalismo.

John Hillcoat dá vida a este mundo morto de uma maneira marcante, sempre buscando explorar a destruição e o desolamento do que um dia foi a Terra. A química de Viggo e Kodi é impressionante e isso é essencial para fazer o filme funcionar. Percebemos como o Homem faz de tudo para salvar o Garoto e também para ensina-lo como sobreviver sozinho, caso seja necessário um dia. A ideia do Homem é ir o mais perto possível da costa marítima, mas para chegar até lá eles têm que passar por coisas grotescas. Existem cenas muito fortes ao longo de A Estrada, capazes de mexer com o público. Palmas para Hillcoat, que teve coragem de mostrar quase tudo o que está no livro de Cormac McCarthy.

Como vocês podem ver é um filme triste. Na verdade, é até depressivo. Ainda mais quando vemos rápidos flashbacks mostrando o mundo como era antes. Sabiamente, o diretor utiliza uma fotografia totalmente diferente nestes momentos, cheia de cores e vida. Estes opostos podem te sensibilizar se você não estiver preparado. Infelizmente, existem algumas falhas no filme, como o fato dele não permitir uma conexão maior com os persoangens e o o  ritmo um pouco lento, que pode desagrar a alguns. De qualquer forma, é um dos melhores filmes do gênero disponível por aí.

Nota: 8