Crítica: Donnie Darko (2001)

Donnie Darko tem tudo o que uma grande ficção científica deve ter e mais um pouco. É daquele tipo de filme que te faz pensar bastante no que acabou de assistir. Ele permite várias interpretações, então não existe uma teoria certa, praticamente tudo é possível. Donnie é um garoto problemático. Ele tem o costume de acordar nos lugares mais inusitados, tem consultas regulares com uma psiquiatra, toma remédios de tarja preta e em uma noite recebe a visita de um coelho gigante que diz que o mundo vai acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. Como se fosse pouco, uma turbina de um avião cai em seu quarto, fazendo com que a família Darko tenha que passar uns dias em um hotel.
A história vai se desenrolando de maneira interessante e misteriosa. O diretor Richard Kelly bota o nosso cérebro para trabalhar, adicionando elementos como viagem no tempo e universos paralelos, mas de uma maneira até sutil. Ficamos na dúvida se Donnie está tendo alucinações ou se de fato as coisas acontecem como vemos na tela.
O bom é que Donnie Darko não é apenas uma grande ficção científica. O roteiro trabalha muito bem uma história de amor nada clichê e ainda faz um retrato um tanto satírico de alguns costumes dos subúrbios americanos. Tudo isso embalado com uma trilha sonora de respeito, com Echo & The Bunnymen, Tears for Fears e Joy Division.
As atuações também merecem destaque, principalmente a de Jake Gyllenhaal como o atormentado e fascinante personagem-título.
9/10

/os melhores filmes de ficção científica

/curta a FANPAGE do intratecal, se aprouver…

Crítica: Primer (2004)

Se existe um filme que você não deve assistir comendo pipoca é Primer. São 77 minutos que exigem a nossa máxima atenção. Só assim para podermos absorver um pouco do que ele tem a oferecer. O tema central aqui é viagem no tempo. Nenhum personagem fala abertamente isso, mas aos poucos vamos compreendendo. O problema é que são utilizados vários termos bem técnicos, algo que nos deixa um tanto perdidos, quase como ver a primeira aula de alemão na vida, por exemplo. Sabemos que os dois estão criando algo e não vemos a hora de que eles finalizem o projeto. Ficamos intelectualmente presos ao filme, mesmo às vezes não entendendo tudo o que se passa. A dificuldade de compreensão está principalmente relacionada aos paradoxos das viagens temporais. Acredito que nenhum filme com essa temática já trabalhou a ideia de paradoxos de um jeito tão inteligente e intrigante como Primer. Só por isso já vale a conferida. E convenhamos, não é todo dia que temos uma sci-fi de qualidade com um orçamento tão baixo, no caso, 7 mil dólares.
8/10