Crítica: Corpo Fechado (2000)

Logo na primeira cena, M. Night Shyamalan demonstra sutileza e calma para contar uma história interessante. Sem esfregar na nossa cara, ele nos mostra que David Dunn tem problemas no relacionamento com a mulher e também um forte arrependimento de escolhas no passado.
Corpo Fechado é uma grande homenagem ao mundo das histórias em quadrinhos. Temos aqui um homem comum que vai descobrindo ter certos dons, cujo nome e sobrenome começam pela mesma letra (como Peter Parker e Bruce Banner), que quase sempre está de verde e que possui a sua própria “kryptonita”.
O diretor faz essa história absurda parecer algo real. Um dos motivos para isso é o forte apelo humano em cada diálogo e cada atitude dos personagens. Um diálogo específico que me chamou a atenção é aquele que David Dunn diz que a primeira vez que sentiu que o casamento não daria certo, foi quando teve um pesadelo e não quis acordar a mulher para ela dizer que estava tudo bem.
Um clima tenso e melancólico está presente durante quase todo o filme. Somos sugados para esse mundo graças a Shyamalan, que investe em tomadas longas e movimentos de câmera requintados para dar fluidez à história. Este é mais um filme do diretor que melhora com o tempo.

Nota: 9/10
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