Crítica: O Segredo do Abismo (1989)


James Cameron é um perfeccionista como poucos. Ele é capaz de transformar filmes de puro entretenimento em arte, além de arrecadar milhões e mais milhões nos cinemas. No seu lançamento em 1989 O Segredo do Abismo recebeu diversas críticas negativas, passando a ser reconhecido como o pior trabalho da carreira de Cameron. Isso mudou com a versão do diretor com cerca de 30 minutos a mais, lançada alguns anos depois, que tratou de corrigir pontas soltas e de potencializar o que já funcionava bem.
Aqui temos a história de um submarino nuclear que se vê com sérios problemas após ter contato com uma força misteriosa. Para tentar o resgate, o governo manda os funcionários de uma plataforma de petróleo que estava nas proximidades. O que será que destruiu o submarino? É um mistério que vai durar por boa parte do filme.
Emprestando alguns elementos de Alien, Aliens e Contatos Imediatos de Terceiro Grau, O Segredo do Abismo conta com impressionantes cenas embaixo da água. O suspense é trabalhado de maneira primorosa, se transformando em um verdadeiro terror psicológico em alguns momentos. A edição de som e a natural sensação de claustrofobia de um submarino colaboram bastante para isso. As cenas de ação são muito competentes e nos envolvem completamente, algo que sempre podemos esperar de um diretor como James Cameron.
Como se isso fosse pouco, a essência do filme talvez seja uma história de amor. Por mais que tenhamos um olhar preconceituoso para esse romance no início, somos completamente atingidos pela força emocional que ele possui graças as atuações de Ed Harris e Mary Elizabeth Mastrontonio e também ao próprio roteiro. Como não podia deixar de ser, alívios cômicos também estão presentes e de maneira natural. O meu preferido é aquele momento em que a tripulação canta uma música melosa, todos juntos.
Há algumas falhas como um vilão que não agrega muito e um desfecho que traz uma sensação de anticlímax, mesmo transmitindo uma contundente mensagem contra a violência. Nada que atrapalhe a experiência como um todo.
8/10

Crítica: Capitão Sky e o Mundo de Amanhã (2004)

Estou longe de ser fã de filmes que se concentram mais na parte técnica do que na história em si, mas Capitão Sky e o Mundo de Amanhã merece reconhecimento por inovar bastante em termos de efeitos especiais. Nada do que vemos aqui é real, a não ser os atores. Tudo é filmado diante do famoso blue screen, proporcionando momentos inspirados em termos de visual e de ação.
Apesar do filme ser dinâmico, ter momentos eficientes de humor e contar com uma ótima química entre Gwyneth Paltrow e Jude Law, chega uma hora que sentimos falta de uma boa história. É evidente que tudo não passa de uma verdadeira homenagem a certos tipos de filmes do passado, mas isso não é desculpa para um roteiro pouco criativo e que simplesmente não nos deixa nos importar com o que acontece na tela. Parece que trata-se de um jogo de video-game bem evoluído e nada mais. Por mais que os atores estejam bem não conseguimos nos conectar com os personagens. O roteiro simplesmente não nos dá essa chance. De qualquer forma, esses problemas não me impediram de me divertir enquanto assistia ao filme, que passa voando, tem boas cenas de ação e alguns diálogos que demonstram presença de espírito.
Provavelmente, ele só entrou na lista dos 100 melhores filmes de ficção-científica do Rotten Tomatoes pela inovação técnica. Até acho que merece fazer parte dela, mas nunca na frente de filmes como O Enigma de Outro Mundo, Inteligência Artificial, Starman e Primer.
7/10