Minority Report – A Nova Lei (2002)

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Minority Report é o tipo de filme que exige um pouco mais da nossa massa cinzenta, mas que também oferece cenas de ação de alta qualidade. Não são muitos os diretores com a capacidade de conduzir um projeto ambicioso como esse, sorte que nesse caso a tarefa ficou com Steven Spielberg.
Dono de um roteiro inteligente, Minority Report nos apresenta a um futuro não tão distante, no qual os criminosos são presos antes de cometerem seus crimes. As primeiras cenas explicam esse processo sem nos deixar confusos, o que não deixa de ser um feito respeitável dada a complexidade da coisa. John Anderton (Cruise) é um dos principais policiais que utilizam essa tecnologia, mas as coisas ficam complicadas para ele quando o sistema o acusa de assassinato.
A parte de ação se concentra basicamente na fuga de Anderton, em cenas que demonstram como os efeitos especiais podem colaborar para uma história. A criatividade de Spielberg parece não ter limites aqui, por isso podemos ver perseguições com carros voadores, aranhas mecânicas que farão de tudo para identificar seus alvos e mais.
E é claro que um dos aspectos mais interessantes de Minority Report reside nas discussões éticas que ele levanta, já que, na realidade, as pessoas acabam presas sem cometer crime algum.
O filme nos reserva reviravoltas surpreendentes ao longo de suas quase duas horas e meia, sem perder o ritmo, além de possuir um final bem costurado e imprevisível. Mais um grande acerto de Spielberg.
8/10

Filhos da Esperança – Children of Men (2006)

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Em Filhos da Esperança, o diretor Alfonso Cuarón conseguiu criar uma ficção-científica cuja história é extremamente criativa e proporciona reflexões, além de possuir uma parte técnica impecável, com diversas cenas que são puro deleite para os nossos olhos.

O ano é 2027 e a cidade em que tudo se passa é Londres, afinal não existem civilizações organizadas em outros países. Apesar de Londres se manter de pé, ela está longe de ser um local seguro. As pessoas convivem com atentados terroristas diários, poluição e uma melancólica sensação de fim de mundo, já que as mulheres de toda a Terra sofrem de infertilidade. A pessoa mais nova do planeta é Diego de Buenos Aires de 18 anos. Quer dizer, era Diego, pois ele foi assassinado após não querer dar um autógrafo. Isso aumenta ainda mais a tristeza de todos. Theo (Clive Owen) parece não ser abalar muito com a morte do garoto, tanto que decide passar um tempo com um amigo de longa data.

O que Theo não poderia imaginar é que uma organização comandada pela sua ex-esposa encontrou uma jovem grávida, algo que nas circunstâncias atuais é um milagre. A organização precisa da ajuda de Theo, que aos poucos vai assumindo a responsabilidade de não deixar nada acontecer com a garota.

É impossível falar de Filhos da Esperança sem mencionar as três longas cenas sem cortes. A técnica ajuda a aumentar o impacto das situações e basicamente nos colocam lá dentro e claro, é uma incrível demonstração de ambição e competência do diretor Alfonso Cuarón e também do diretor de fotografia, Emmanuel Lubezki.
Mas o filme não seria tudo isso se não investisse na história e em seus personagens principais, algo que é feito bastante bem, principalmente graças ao arco narrativo de Theo, às críticas sociais (as vezes bem humoradas) e ao desfecho em aberto.

Ele foi indicado aos Oscar de fotografia, edição e roteiro adaptado em 2007, mas não levou nenhum. De qualquer forma, tornou-se um clássico instantâneo.
9/10

* este foi o post de número 500 do cultura intratecal!
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Crítica: Aliens, O Resgate (1986)

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Quando penso em uma ficão científica que preze pela ação de qualidade um dos primeiros títulos que me vem a mente é Aliens, O Resgate, de James Cameron. Mesmo abordando o material de uma maneira diferente do que fez Ridley Scott em Alien (1979), James Cameron acerta a mão e nos entrega uma sequência tão boa como o original, para alguns, até melhor.
Ellen Ripley, após dormir por 57 anos a bordo da nave que a levou para o planeta LV-426, é resgatada. Mal ela acorda e já recebe a missão de voltar ao mesmo planeta para ajudar na investigação de acontecimentos misteriosos. Ela aceita com uma condição: matar todo e qualquer alien que lá esteja. Aliens, O Resgate se destaca pelas inúmeras e eficientes cenas de ação, que botam os fuzileiros frente a frente com vários aliens. Tudo é em maior escala nessa continuação, inclusive  existe tempo também para desenvolver os personagens, principalmente Ellen Ripley. Nós passamos a nos importar com ela, algo que acredito ser essencial para filmes assim funcionarem.
James Cameron dominou o cinema de ação/sci-fi nos anos 80 e 90, afinal nos entregou Exterminador do Futuro, Aliens, Exterminador do Futuro 2 e O Segredo do Abismo. Fica difícil dizer qual desses é o melhor.
8/10

Crítica: O Exterminador do Futuro (1984)

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O Exterminador do Futuro possui todas as qualidades de uma grande ficção científica, a começar pela história. Rápidas cenas nos mostram um futuro apocalíptico em que uma guerra brutal entre humanos e máquinas se desenrola há vários anos. Os humanos vislumbram uma pequena esperança de vitória graças a resistência liderada por John Connor, mas as máquinas decidem enviar um cyborg para o passado com o objetivo de matar Sarah Connor, mãe de John. Os humanos também enviam um representante da espécie para protege-la, o problema é que o adversário é o pior possível.
O cyborg é representado por ninguém mais, ninguém menos do que Arnold Schwarzenegger. Ele está literalmente programado para matar e parece difícil que alguém consiga impedir que ele complete a missão. Schwarzenegger pode não ser um grande ator, mas o cara deu vida a um personagem extremamente estiloso aqui e ainda imortalizou frases de efeito, como a impactante “I’ll be back!
James Cameron conduz com dinamismo várias cenas de ação, sendo minha preferida a sequência no departamento de polícia. Tudo caminha para um clímax empolgante e um final imprevisível. Algo que pode incomodar os mais rigorosos é um monstruoso paradoxo temporal que o roteiro cria, mas será que existe algum filme com viagens no tempo sem paradoxos? Difícil…
8/10 

 

Crítica: Solaris (1972)

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Considerado um filme preparatório para a realização de StalkerSolaris é uma ficção científica contemplativa e de ritmo lento. O mistério está presente do começo ao fim. O que está por trás de Solaris? É feito por seres humanos, por aliens ou algo além disso? Ele levanta algumas questões filosóficas, mas não as responde. Um personagem fala que felizes são aqueles que não se questionam sobre coisas importantes, o que dá uma boa ideia sobre o clima do filme. De qualquer forma, ele exige bastante atenção, pois não é fácil de ser absorvido. Em alguns momentos, ele traz a mesma sensação de ler Dostoievski bêbado, algo intelectualmente complicado.
7/10

2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968)

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Título original: 2001: A Space Odyssey
Ano: 1968
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick, Arthur C. Clarke

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Ao longo dos anos muitos já tentaram explicar 2001 – Uma Odisseia no Espaço, mas não devemos nos esquecer dessas importantes palavras de Arthur C. Clarke: “Se você entender 2001 por inteiro, nós falhamos. Queremos levantar mais questões do que respondê-las”. Portanto, podemos nos sentir livres para interpretar esta verdadeira obra-prima do cinema.

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Antes de comentar o filme propriamente dito, vale a pena dizer que na época do seu lançamento ele foi bem recebido pelo público hippie e mal recebido pela crítica. Com o passar dos anos, os críticos mudaram de opinião em relação a 2001 e ele foi ganhando cada vez mais fervorosos admiradores.  Como um exemplo desses fãs cito o diretor John Boorman (Amargo Pesadelo), que afirmou que 2001 – Uma Odisseia no Espaço mudou a vida dele e também sua maneira de fazer cinema.

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Quem acompanha o Cultura Intratecal sabe que Stanley Kubrick é o meu diretor favorito. Kubrick realizou 13 filmes ao longo da carreira e podemos dizer que pelo menos 7 são obras-primas. Apesar de cada um deles nos oferecer muito tanto em termos técnicos como em suas histórias, nenhum consegue atingir o nível de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, pelo menos para mim e para muitos outros fãs do diretor.

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2001 – Uma Odisseia no Espaço esbanja qualidade em termos técnicos e é extremamente ambicioso no que se propõe a discutir. A maravilhosa trilha sonora de Danúbio Azul embala o ballet tecnológico de Stanley Kubrick. É um filme sobre a evolução da raça humana e sobre os rumos que ela pode vir a tomar. Em pouco mais de duas horas ele discute a vida extra-terrestre, a utilização de ferramentas para sobrevivência, a inteligência artificial e o maior tabu do homem: sua própria morte. Uma experiência transcendental, antropológica e filosófica que fascina do começo ao fim.

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O monólito observa e influencia o progresso do homem. O primeiro monólito aparece para nossos não muito simpáticos ancestrais há milhões de anos, que logo descobrem o uso da ferramenta. Numa das cenas mais geniais do cinema, vemos o osso jogado pelo símio se transformar em um satélite no espaço. O segundo monólito é encontrado na lua. Nele, existe um sinal de Júpiter e a confirmação de vida extra-terrestre. Em alguns anos, os seres humanos conseguem desenvolver a tecnologia para fazer a viagem até Júpiter. O terceiro monólito representa a maior dificuldade de interpretação do filme, mas podemos dizer que a importante questão aqui levantada é sobre qual é o próximo passo após a morte. O starchild no fim pode representar um anjo, o renascimento do homem ou qualquer outra coisa que foge da minha capacidade de abstração.

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Como não se impressionar com tantas discussões levantadas por 2001? Como não se encantar com uma sucessão de imagens e sons sem precedentes no cinema? Ao que tudo indica, 2001 – Uma Odisseia no Espaço jamais vai deixar de ser admirado.
10/10

– B.K.

Crítica: O Hospedeiro (2006)

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Não é segredo para ninguém que o cinema coreano é um dos mais criativos e interessantes do momento. O Hospedeiro, um filme que transita por diversos gêneros, é um belo exemplo disso. Como essência, trata-se de um filme de monstro, mas em menos de duas horas ele investe no terror, no drama, na comédia e é claro, na ficção-científica, pois não é todo dia que vemos um monstro crescer em rio só porque uma enorme quantidade de químicos foram jogados nele, não é?
Tudo começa com um ataque do monstro na beira do rio Han. Essa sequência inicial é dirigida de maneira magistral por Joon-ho Bong, que economiza nos cortes, utiliza movimentos de câmera elegantes e injeta grande dose de tensão. Um dos alvos do monstro é uma garotinha, filha de Park Gang-Doo. Ele acredita piamente que a garota não foi morta e sim capturada, portanto, vai fazer de tudo para resgatá-la e para isso precisa da ajuda de sua família não muito unida. Park Gang-Doo é um herói improvável. Ele é um tanto abobalhado, suas ações costumam dar errado e ainda por cima sofre de narcolepsia, mas ele possui uma imensa coragem. Durante todo o filme ele e a família fogem das autoridades por serem considerados infectados por um vírus transmitido pelo monstro, ao mesmo tempo em que tentam resgatar a garota.
Em alguns momentos até estranhamos certas cenas que descambam para o humor satírico, afinal está tudo muito tenso e dramático. Mas o fato é que rapidamente nos acostumamos com esse ritmo meio maluco de O Hospedeiro e aproveitamos cada detalhe. Há ainda uma crítica contra a famosa cultura do medo que o governo americano é especialista em executar e também contra o excesso de sensacionalismo na televisão, comprovando a riqueza do material.
Como ninguém parece estar a salvo e como os “heróis” não são os mais competentes, o resultado final é imprevisível e isso é sempre bom. É estranho que até agora não tenha surgido um remake americano. Espero que continue assim, pois tenho a minhas dúvidas que consigam manter a qualidade do original.
8/10

Crítica: Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças (2004)

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A clínica comandada pelo Dr. Mierzwiak promete a cura definitiva para a dor de um coração partido: apagar toda e qualquer memória do relacionamento. É isso que Joel (Jim Carrey) vai procurar após descobrir que sua namorada Clementine (Kate Winslet) utilizou os serviços dessa clínica. A princípio temos uma certa dificuldade para compreender exatamente o que está acontecendo, mas logo tudo vai ficando cada vez mais claro e mais interessante. Enquanto acompanhamos o processo de remoção das lembranças de Joel, percebemos como o relacionamento dele e de Clementine foi ficando cada vez menos apaixonado, culminando nessa atitude enérgica que ambos tomaram. De qualquer forma, são vários os bons momentos que os dois passam juntos, momentos que prometiam um romance duradouro e feliz. O roteirista Charlie Kaufman, mesmo trabalhando com essa temática digna de sci-fi, injeta bastante sentimento aqui, algo essencial para o filme dar certo. Brilho Eterno é um daqueles filmes que nos apresentam a uma história original e que conseguem desenvolve-la da melhor maneira possível. Esse já nasceu clássico!
9/10

– B. Knott
– Facebook intratecal

Crítica: Mad Max 2: A Caçada Continua (1981)

Mel Gibson in Mad Max 2.

 

Mad Max 2 assumiu o contexto do mundo pós-apocalíptico que foi deixado implícito no primeiro filme. Uma narração em off nos dá a entender que devido a uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética, o mundo virou uma imensidão desolada, sem sociedades organizadas e com constantes batalhas mortais por combustível.
Max (Mel Gibson) precisa de mais gasolina e por esse motivo vai fazer um trato com um grupo que detém uma refinaria. O problema é que eles são ameaçados por uma gangue bizarra e cruel e ficamos na dúvida se Max vai ajudá-los ou não.
Mesmo sendo inspirada em alguns filmes de samurai de Akira Kurosawa, a história de Mad Max 2 não é das mais trabalhadas, mas isso pouco importa. Com um orçamento muito superior ao do primeiro filme, o diretor George Miller pôde aprimorar o que já era bom: as cenas de perseguição. Tudo em Mad Max 2 é em grande escala. As perseguições aqui contém inúmeros carros e muita velocidade, quase sempre com planos abertos que aumentam o realismo e a intensidade das situações. O trabalho dos dublês merece reconhecimento, assim como o do próprio George Miller, que conduz essas cenas de ação como um verdadeiro maestro.
Ao contrário do que ocorre no filme anterior, dessa vez o lado pessoal de Max não ganha importância. Para vocês terem uma ideia, ele tem ao todo apenas 16 linhas de diálogo. O único relacionamento que ele tem é com seu simpático cachorrinho e olhe lá.
Mad Max 2 é mesmo um filme de ação e não muito mais do que isso, mas o que ele oferece dentro desse gênero é algo único. Não importa quantas vezes você o assista, não tem como não se impressionar com o requinte visual e a ousadia empregada em cada cena. Inesquecível!
8/10

 

 

Crítica: A Noiva de Frankenstein (1935)

A Noiva de Frankenstein é a continuação de Frankenstein de 1931, ambos dirigidos por James Whale (que também tem no currículo o ótimo O Homem Invísivel). É extremamente justo afirmar que este é um daqueles casos em que a continuação supera o original. Um dos pontos fortes de A Noiva de Frankenstein é a humanização do monstro, algo que foi bem feito no primeiro filme, mas que dessa vez fica ainda melhor e isso graças a alguns detalhes como os inesperados diálogos proferidos pelo monstro e aquela sequência em que ele visita um cego. Boris Karloff entrega uma atuação comovente mesmo atrás daquele famoso e assustador rosto maquiado.

É inegável que o filme é uma grande obra de terror, mas o lado dramático é bem forte, nos proporcionando momentos genuinamente sentimentais. É quase impossível não se compadecer com as frustradas tentativas do monstro de interagir com a sociedade cruel.

Como ponto negativo não posso deixar de mencionar a irritante e escandalosa personagem de Una O’Connor. O que alguns consideram como um alívio cômico na atmosfera tensa que é criada, para mim essa senhora gerou uma dor de cabeça instantânea e nenhuma risada. Mas seria injusto dizer que isso atrapalha a experiência como um todo. A Noiva de Frankenstein é uma excelente combinação de um roteiro de qualidade, de efeitos especiais avançados para época e de uma fotografia que deixa tudo ainda mais agradável de se assistir.
8/10

Crítica: Galaxy Quest (1999)

Galaxy Quest ganhou o péssimo título nacional de Heróis Fora de Órbita, que não tem o charme do título original e é mais uma prova da falta de bom senso do pessoal que recebe a tarefa de traduzir nomes de filmes. Mas dos males, o menor. O filme é uma ótima mistura de comédia, ficção científica e ação. Confesso que nunca tinha ouvido falar dele até esses dias, o que é uma pena, pois certamente teria sido bacana assisti-lo no cinema.

O diferencial de Galaxy Quest reside em seu criativo roteiro. Aqui somos apresentados a atores que marcaram época em um seriado de ficção científica chamado Galaxy Quest, mas que desde o cancelamento do programa há 17 anos, não foram capazes de atingir o mesmo sucesso em outros trabalhos. A única maneira de se manterem em evidência é através de convenções de fãs do seriado, onde dão autógrafos, citam suas falas mais famosas e conversam com os fãs. Alguns adoram esse reconhecimento, como o Jason Nesmith (o comandante) e outros detestam, como Alexander Dane, que se sente mal por saber interpretar textos de Shakespeare, mas ter que perder o seu tempo nesse tipo de evento.

É fácil fazer a associação entre Galaxy Quest e Star Trek, portanto quem conhece Star Trek provavelmente vai absorver melhor essa experiência. São vários os detalhes que engrandecem o “culto” a Galaxy Quest, como os fãs fantasiados, as saudações características, os estranhos nomes de planetas e naves espaciais e assim por diante. Esses pequenos detalhes fazem toda a diferença e são divertidos quando os reconhecemos.

O que os atores não esperavam é que eles seriam chamados para uma missão real por supostos fãs. Sim, uma ida ao espaço para enfrentar uma perigosa ameaça em forma de um lagarto maligno. Imaginem as dificuldades para eles de fato comandarem uma nave. Essa situação gera inúmeros momentos de humor, algo que é potencializado pela qualidade de nomes como Tim Allen, Alan Rickman, Sigourney Weaver e Sam Rockwell, que estão inspiradíssimos e se divertem com seus papéis.

Tudo flui em um ritmo dos mais dinâmicos, sempre nos oferecendo risadas e algumas boas cenas de ação com efeitos especiais eficientes. Uma mistura que quando dá certo confere uma boa diversão e este é o caso aqui.
8/10

Crítica: Brazil (1985)

Brazil representa o ápice criativo de Terry Gilliam. Aqui ele cria um futuro estranho e bonito de se admirar. É uma experiência visual muito rica. Tudo parece sujo, desorganizado e extremamente burocrático. As invenções tecnológicas na realidade atrapalham mais do que ajudam, algo que fica ainda pior com o excesso de papelada e dos setores delegando tarefa para outros setores. O filme é uma intrigante mistura de humor negro, críticas sociais (principalmente com a obsessão das personagens femininas pela cirurgia plástica), acontecimentos inesperados, diálogos com presença de espírito e personagens marcantes, tudo isso ambientado em um universo claramente inspirado em 1984 de George Orwell.
Não há como negar que Brazil é cheio de detalhes que fazem toda a diferença, desdes simples objetos nos cenários até a composição dos vários personagens excêntricos, como o encanador representado por Robert de Niro e o ansioso chefe interpretado pelo ótimo Ian Holm, só para citar alguns.
De qualquer forma, acredito que não há necessidade das mais de duas horas de duração. O contexto é ótimo, mas a história propriamente dita não desperta tantas emoções. É considerado por muitos como o melhor trabalho de Gilliam, no meu caso, prefiro muito mais Os 12 Macacos.
8/10