Crítica: Capitão Phillips (2013)

930353 - Captain PhillipsCapitão Phillips mostra a história real de um capitão de um navio cargueiro sequestrado por piratas somalianos. O diretor Paul Greengrass constrói uma atmosfera de tensão quase insuportável com sua câmera tremida e com a ajuda de uma edição eficiente e uma trilha sonora mais do que apropriada. Greengrass domina cada sequência com uma perfeição pouco vista no cinema atual. O filme também acerta ao não demonizar os somalianos, o que aumenta ainda mais o cunho emocional das cenas intensas entre o capitão Phillips e Muse, como quando este diz que talvez nos Estados Unidos exista outra maneira de ganhar dinheiro, ao invés de roubar. E ainda temos a atuação impecável de Tom Hanks. O que ele faz aqui é só para atores do primeiro escalão, ajudando a tornar Capitão Phillips uma das melhores experiências do cinema em 2013. Eis uma história forte, inteligente e angustiante. Ficamos completamente imersos nessa situação durante os 140 minutos. Pergunto: é possível esperar mais do que isso de um filme?
10/10

The Pacific – Parte Oito: Iwo Jima

Li muitos comentários negativos sobre este episódio. A maioria reclama da falta de ação e do excesso de cenas intimistas e de romance, algo parecido com o que ocorreu no terceiro episódio.

Temos que levar em consideração que a ideia aqui é homenagear o marine John Basilone, considerado um dos grandes heróis americanos da guerra.

Basilone mostra-se insatisfeito por não estar participando do combate. No momento, ele treina jovens soldados, mas ele quer mais.

O respeito que Basilone mostra para com o inimigo é digno de nota. Quando um soldado em treinamento fala que quer ir para o Pacífico para “matar japas”, Basilone discorre sobre as virtudes do “soldado japonês”. Ele respeita o inimigo e sabe que vence-lo não é tarefa fácil.

Antes que vejamos qualquer sinal de batalha, vamos ver um Basilone exigente treinando soldados e um romântico se apaixonando pela soldado Lena Riggi.

A mini história de amor é eficiente e desenvolve ainda mais este belo personagem. Uma conversa sobre café é capaz de mostrar particularidades de ambos e também de nos fazer acreditar que eles estão se apaixonando.

Há quem possa dizer que o episódio soe como um O Resgate do Soldado Ryan invertido, com bla-bla-bla no início e ação no fim, mas acredito que filmes de guerra que só mostram batalhas não acrescentam muita coisa.

A passagem da calmaria do romance para a situação frenética que foi Iwo Jimma é feita de maneira genial. Após uma noite de amor entre Basilone e Lena Riggi, há uma cena mostrando a janela da casa deles e um céu encoberto, como se uma tempestade estivesse para acontecer. Em um corte rápido somos jogados para todo o caos de Iwo Jima, juntamente com Basilone.

E aí nos oferecem mais cenas fabulosas de batalha. Esse pessoal realmente sabe o que faz.

Basilone foi o único soldado a receber uma medalha de honra e voltar e morrer na guerra.

Seus últimos instantes de vida tem um sentido de urgência impressionante. Sabemos que alguma coisa vai acontecer e não será nada bom.

No final, uma tomada área mostra Basilone em meio a milhares de soldados americanos mortos. Apesar de seus atos heróicos, naquele momento ele não é nada mais do que estatística, o que não deixa de ser algo um tanto depressivo.

.biografia john basilone

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/bruno knott

O Resgate do Soldado Ryan

Título original: Saving Private Ryan
Ano: 1998
Diretor: Steven Spielberg

Esta incursão de Steven Spielberg na Segunda Guerra Mundial proporcionou uma verdadeira revolução do gênero. A sequência mais marcante do filme é, sem dúvida, a invasão da Normandia. Ela foi filmada de maneira realista e frenética, mas nunca confusa. Spielberg consegue transmitir toda a violência do conflito nestes 20 e poucos minutos iniciais.

No meio desse caos, o capitão Miller (Tom Hanks) recebe a missão de encontrar o soldado Ryan e levá-lo para casa. O soldado ganhou este direito após seus três irmãos morrerem no conflito.

Apesar do roteiro não ser dos melhores, ele conta com momentos interessantes que retratam o sofrimento dos soldados em meio a guerra e a saudade que eles sentem de casa. Spielberg mostra sensibilidade para lidar com esses momentos intimistas, como exemplo, destaco a cena em que o médico se arrepende de algumas atitudes anteriores ao conflito e aquela em que Upham tenta salvar um soldado alemão do fuzilamento.

Enfim, é um filme muito bem equilibrado, com um ritmo que sempre nos deixa interessados no que está acontecendo. Em 1998 fomos presenteados com dois excelentes filmes de guerra, este e o Além da Linha Vermelha. Como ambos perderam o Oscar para Shakespeare Apaixonado é algo difícil de explicar.

Nota: 8

The Pacific, “continuação” de Band of Brothers

Para quem curtiu Band of Brothers, The Pacific vai ser um prato cheio. Em vez de retratar o front europeu, The Pacific, como o nome já adianta, relata as batalhas que ocorreram no Japão. A mini-série vai seguir 3 marines durante o conflito, algo que me parece interessante. Um dos poucos defeitos de Band of Brothers eram os inúmeros personagens “principais”, que em alguns casos não permitiam uma aproximação emotiva com o espectador.

HBO é um atestado de qualidade, isso é inegável. Com produção de Tom Hanks e Spielberg podemos ficar tranquilos e esperar algo no nível de Band of Brothers.

Estreia em 14 de março, nos EUA.