Crítica | Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018)

Dentre os diversos gêneros que o cinema contempla, o de ação está longe de ser um dos meus favoritos. Mesmo assim, quando estou diante de exemplares realmente bons não vejo o menor problema em exaltá-los. John Wick, Mad Max: Fury Road e The Raid são provas cabais de que ainda é possível fazer algo bem acima da média dentro do gênero. Missão: Impossível – Efeito Fallout pode se juntar a esse grande time.

Mesmo se você redobrar a atenção e fazer de tudo para absorver as reviravoltas e surpresas da trama, é possível experimentar um pouco de confusão. Sabe aqueles diálogos rápidos repletos de informações e com nomes de personagens que você não tem muita certeza de quem são? Pois é. De qualquer forma, isso atrapalha pouco a nossa experiência. O destaque é obviamente a ação.

As cenas de ação de Missão: Impossível – Efeito Fallout são o estado da arte. O filme é uma junção de diversas sequências de ação, uma mais empolgante e impressionante que a outra. Existem coreografias inspiradas de lutas, perseguições insanas de carro e em telhados e até no ar, tudo isso com movimentos de câmera que potencializam o que vemos. E não podemos esquecer o absurdo fato de que Tom Cruise novamente não precisou de dublê. É surreal um ator desse quilate literalmente encarar a morte para engrandecer o resultado final.

É claro que ele gosta da adrenalina, mas tenho certeza que ele também pensa no público. Saber que o próprio ator faz tudo aquilo que vemos aumenta ainda mais a tensão e o entretenimento.

Outro aspecto que colabora para o filme funcionar tão bem são as bem humoradas interações dos personagens. Os diálogos engraçados estão presentes em doses precisas, sem exageros. É realmente difícil não se divertir aqui. Talvez a duração não precisasse passar de duas horas, mas consigo entender a ambição dos produtores e do diretor.

Se você é fã do gênero, provavelmente irá saborear uma grande quantidade de prazer cinéfilo. Se você não é muito chegado em ação, não hesite em dar uma chance.

Nota: 8

Nascido em 4 de Julho (1989)

Tom Cruise e William Dafoe em Nascido em 4 de Julho, 1990
Tom Cruise e Willem Dafoe em Nascido em 4 de Julho, 1990

Juntamente com Platoon e Entre o Céu e a Terra, Nascido em 4 de Julho faz parte da trilogia de Oliver Stone sobre a Guerra do Vietnã. Aqui, o diretor faz um verdadeiro manifesto contra tudo o que envolve a guerra. Para tanto, a trama nos apresenta a Ron Kovic, um jovem patriota que se sente na obrigação de atravessar o planeta para matar ou morrer. O que leva alguém decidir seguir isso caminho?

Nascido em 4 de Julho desenvolve muito bem o seu personagem principal. Acompanhamos um Kovic criança que adora brincar de soldado e que ama o seu país. Mais crescido, depois de se sentir um tanto sem rumo e de se impressionar com a propaganda militar, ele torna-se um voluntário e embarca para o caos.

Analisando as cenas de batalha em termos estéticos e de ação, chegamos a conclusão que elas não são o ponto forte do filme, mas que cumprem o importantíssimo papel de mostrar como essa guerra foi absurda. Duas cenas extremamente fortes não me deixam mentir.

O fato é que Kovic é ferido e fica paralisado da cintura para baixo. E aí é que Nascido em 4 de Julho realmente começa. Kovic tem que encarar inúmeras provações durante sua recuperação. Em um ambiente hospitalar dos mais precários e semi-abandonado pela família, ele começa a repensar suas ideologias.

Indicado a 8 Oscars, o filme comprova o talento de Tom Cruise e de Oliver Stone, além de transmitir uma dolorosa e eficiente mensagem contra a barbárie da guerra. Nascido em 4 de Julho é uma experiência difícil e incômoda, mas necessária.

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Crítica: No Limite do Amanhã (2014)

edge-of-tomorrow-2014Em um futuro não muito distante, nosso planeta Terra está prestes a sucumbir à uma invasão alienígena. Cage (Tom Cruise) é um oficial do exército sem experiência bélica obrigado a ir para o front de batalha. Sentimos o medo dele nos momentos que antecedem a chegada na praia tomada pelo caos da guerra. Para vocês terem uma ideia, Cage não sabe nem destravar a arma do seu exoesqueleto e tem aversão a sangue. Em poucos minutos, o inevitável acontece: ele morre!

Calma, não se trata de um spoiler. Surpreendentemente, ele acorda no dia anterior e vai reviver tudo isso, com a oportunidade de mudar o próprio destino e o do mundo inteiro. Esse é um exemplo da magia do cinema e da ficção científica! A explicação para tal fenômeno é obviamente absurda, mas qual não seria? Isso é o menos importante.

No Limite do Amanhã mistura elementos de filmes como Feitiço do Tempo, Tropas Estelares e Contra o Tempo, obtendo um resultado dos mais interessantes. Apesar de Cage reviver o mesmo dia ad aeternum, o enredo está longe de ser repetitivo. A edição e a interpretação de Tom Cruise são essenciais para isso. Cruise consegue nos fazer entender quando seu personagem está revivendo alguma situação ou quando encara algo pela primeira vez.

Tal elemento do roteiro abre espaço até para cenas de humor, algo que é executado de maneira que beira a perfeição. Dessa forma, somos embalados por uma história repleta de ação de qualidade, boas doses de humor e atuações competentes, fazendo de No Limite do Amanhã um blockbuster eficiente.

Infelizmente, o filme perde força no ato final e opta por uma resolução pouco imaginativa. Mas sejamos justos, esses deslizes tiram bem pouco do brilho desta ótima Sci-Fi.
8.5/10

Crítica: A Chance (All The Right Moves, 1983)

all-the-right-movesMesmo não sendo baseado em fatos reais, All The Right Moves soa verossímil quando nos apresenta aos seus personagens principais e seus conflitos. Stefen (Tom Cruise) é um jovem que está no último ano do ensino médio. Ele é um cornerback (defensor) no time do colégio e tem chances de ser recrutado por uma universidade, mas ele sabe que o seu futuro não está na NFL e sim no diploma de engenharia que almeja conseguir.

Para adicionar contornos ainda mais realistas, o jovem Stefen tem que conviver com a ameaça de um destino sombrio, ao mesmo tempo em que precisa amadurecer para não estragar o seu relacionamento com Lisa.

O time está prestes a enfrentar um grande adversário e tanto Stefen como o técnico Nickerson serão observados de perto por olheiros. A atmosfera para o jogo decisivo é muito bem construída. Sentimos a intensidade dos jogadores e da comissão técnica nos treinamentos pesados, a empolgação dos familiares na noite anterior a partida e toda a tensão no vestiário. Isso sem falar em um discurso motivacional contundente. O jogo em si é mostrado de uma maneira um tanto confusa, mas a garra dos jogadores fica evidente. O resultado vai influenciar diretamente a vida de Stefen e de Nicherkson, para o bem ou para o mal.

Infelizmente, o roteiro possui alguns momentos nada inspirados, como quando tenta esfregar na nossa cara aquele clima estereotipado dos colégios americanos ou quando mostra um bando de marmanjos cantando e dançando de cueca.

São erros desculpáveis para um filme pequeno e subestimado, mas que tem algo a dizer.
7/10

Crítica: Oblivion (2013)

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O ano é 2077 e a Terra encontra-se destruída após uma invasão alienígena. Como é dito no filme, ganhamos a guerra e perdemos o planeta. Devido ao caos pós-apocalíptico, a população foi transportada para uma lua de Saturno. Os únicos seres humanos por aqui são Jack Harper (Cruise) e Victoria, responsáveis por garantir a extração de recursos naturais para serem utilizados na colônia. Mesmo com a memória apagada, Jack tem flashes recorrentes de uma mulher que parece ser importante para ele. Certos acontecimentos (que prefiro não revelar) o fazem questionar a situação em que se encontra. Oblivion oferece um visual espetacular ao explorar um planeta Terra vazio e gigantesco. Além disso, todos os detalhes em relação as tecnologias avançadas são um acerto, tanto nas armas e naves, como na própria torre em que os dois vivem. Fica fácil nos sentirmos no futuro. Algumas sequências simplesmente investem na beleza dos cenários e na espetacular trilha sonora de música eletrônica da M83. Na tela do cinema são cenas realmente empolgantes de se assistir. Os problemas começam quando percebemos a quantidade absurda de assuntos de ficção-científica que o filme tenta abordar. São muitos temas e pouca inspiração para desenvolvê-los, tornando a experiência confusa em alguns momentos. Outro problema são as cenas de ação, que mesmo com os competentes efeitos especiais e o ótimo som, são repetitivas e duram mais tempo do que deveriam. Para os fãs de sc-fi recomendo prestar atenção nas várias referências ao gênero, que vão desde 2001 – Uma Odisseia no Espaço até Matrix. Somem isso ao que realmente é Oblivion: uma história de amor. Dá para sentir que é coisa demais para dar certo. Eis um caso em que o excesso de ambição prejudica bastante o resultado final.
6/10 

 

Crítica: Magnólia (1999)

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Spoilers!

Êxodo 8:2 – Se recusares deixá-lo ir, eis que castigarei com rãs todos os teus territórios.

Não foram poucos os que condenaram Magnólia pela “absurda” chuva de sapos que ocorre no ato final, mas se nos atentarmos para algumas pistas deixadas ao longo do filme, percebemos que ela faz todo o sentido dentro do contexto da trama.

É possível notar a combinação dos números 8 e 2 nas mais diversas cenas de Magnólia, principalmente na hora inicial: o número do avião, as cartas do baralho, a identificação de Marcy na prisão e assim por diante. Mais revelador ainda é ver “exodus 8:2” em dois momentos: na plateia do programa de TV de Jimmy Gator e em uma propaganda de um ponto de ônibus.

Como já fiz questão de escrever no início do post, o êxodo 8:2 fala sobre uma chuva de rãs que vai castigar todos os territórios se alguém não deixar alguém ir.

Sem forçar muito na interpretação, podemos aplicar isso na cena em que o personagem de Tom Cruise fala para o pai moribundo: “Don’t go away, you fucking asshole, don’t go away.”

E aí uma aterrorizante tempestade de anfíbios começa a cair.

Incrível, não?

Paul Thomas Anderson demonstrou estar a altura de sua ambição ao nos entregar Magnólia. São 9 personagens que enfrentam situações decisivas em suas vidas e que estão conectados de alguma forma. É impressionante como passamos a nos importar com os dilemas e o destino de cada um deles. Como não se comover com o garotinho Stanley, explorado e pressionado pelo pai para vencer o jogo de perguntas e respostas? Como não compartilhar o sofrimento de Donnie por não saber onde colocar todo o amor que guarda no coração? E a relação de Frank com o seu pai à beira da morte? São muitos os detalhes que fazem Magnólia ser o que é: uma obra-prima.

Também deve-se aplaudir de pé a direção de PTA, que conduz tudo com maestria. A técnica do diretor se mostra em franca evolução, com direito a movimentos de câmera dos mais inspirados, como aquele que nos revela o alvo do amor de Donnie ao som de Supertramp. Falando em música, outro ponto essencial de Magnólia é a trilha sonora, composta principalmente pelos trabalhos de Aimee Mann, que literalmente fazem parte da trama. A sequência com os personagens cantando juntos a bela “Wise Up” é um exemplo disso.

Não se assuste com a duração do filme. São três horas, é verdade, mas a sensação é de que não ficamos nem uma hora na frente da tela.

Se me fosse dada a difícil tarefa de escolher apenas 10 filmes para levar para uma ilha deserta, certamente Magnólia seria um dos escolhidos. Eis aqui algo genial.
10/10

 

Minority Report – A Nova Lei (2002)

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Minority Report é o tipo de filme que exige um pouco mais da nossa massa cinzenta, mas que também oferece cenas de ação de alta qualidade. Não são muitos os diretores com a capacidade de conduzir um projeto ambicioso como esse, sorte que nesse caso a tarefa ficou com Steven Spielberg.
Dono de um roteiro inteligente, Minority Report nos apresenta a um futuro não tão distante, no qual os criminosos são presos antes de cometerem seus crimes. As primeiras cenas explicam esse processo sem nos deixar confusos, o que não deixa de ser um feito respeitável dada a complexidade da coisa. John Anderton (Cruise) é um dos principais policiais que utilizam essa tecnologia, mas as coisas ficam complicadas para ele quando o sistema o acusa de assassinato.
A parte de ação se concentra basicamente na fuga de Anderton, em cenas que demonstram como os efeitos especiais podem colaborar para uma história. A criatividade de Spielberg parece não ter limites aqui, por isso podemos ver perseguições com carros voadores, aranhas mecânicas que farão de tudo para identificar seus alvos e mais.
E é claro que um dos aspectos mais interessantes de Minority Report reside nas discussões éticas que ele levanta, já que, na realidade, as pessoas acabam presas sem cometer crime algum.
O filme nos reserva reviravoltas surpreendentes ao longo de suas quase duas horas e meia, sem perder o ritmo, além de possuir um final bem costurado e imprevisível. Mais um grande acerto de Spielberg.
8/10

Crítica: Guerra dos Mundos (2005)

A tendência de Spielberg de maquiar a violência pode ser percebida em várias cenas de Guerra dos Mundos, mas isso não diminui o perigo enfrentado pelos seres humanos durante a invasão alienígena. Os acontecimentos são vistos pelo ponto de vista de Ray e seus dois filhos que moram com a mãe. O roteiro se mostra atual ao explorar o medo dos americanos após o 11 de Setembro. Demora até eles compreenderem que não se trata de um ataque terrorista, mas sim de algo ainda mais fatal.
As cenas de ação são dirigidas de maneira empolgante por Spielberg, que usa os efeitos especiais com eficiência e nos faz acreditar que não há lugar seguro para ninguém. Em certos momentos, a tensão é tão grande que não dá para imaginar um final feliz. Ter esse sentimento comprova que não é necessário mostrar litros de sangue para tornar violenta a essência de um filme.
Não só a luta pela sobrevivência importa, mas também a aproximação de Ray e seus filhos. Esse lado sentimental não pode ficar ausente nos trabalhos de Spielberg. Não vejo nenhum problema nisso.
Mas nem tudo são flores. A escassez de ideias dos roteiristas é percebida em sequências que não agregam muita coisa para história, como aquela envolvendo o personagem de Tim Robbins e também pelo final abrupto e um tanto forçado. São vários os argumentos óbvios que fazem do desfecho algo difícil de engolir, um deles é o seguinte: Se os alienígenas nos estudaram por tanto tempo, como foram vencidos por algo tão banal e tão comum?

7/10
IMDb 

Crítica: Magnolia (1999)

Magnolia marca a passagem de Paul Thomas Anderson para o rol dos grandes cineastas vivos. Não podia ser diferente, afinal, cada um dos 188 minutos desse monstruoso épico de relacionamentos humanos esbanja genialidade. Com uma certa lentidão que nunca é cansativa, o diretor apresenta diversos personagens problemáticos e os desenvolve com o respeito que eles merecem.
Todos passam por crises e de alguma maneira estão relacionados. Temos um garotinho explorado pelo pai prestes a ganhar um quiz show, um senhor moribundo cheio de arrependimentos, um policial a procura de um relacionamento e assim por diante.
Os personagens, em sua maioria, são donos de passados problemáticos que ainda ecoam em suas vidas. São várias as cenas capazes de nos marcar profundamente, tamanha a intensidade emocional que elas contém. Isso só é possível devido a qualidade dos atores e a grande sensibilidade do diretor.
Como se não bastasse, sugiro prestar muita atenção nos números 8 e 2 que aparecem algumas vezes ao longo do filme. De alguma forma, eles podem explicar o acontecimento que deixa as pessoas atordoadas quando assistem a Magnolia.
Este é um filme repleto de significados e que trabalha os seus personagens de maneira invejável. Precisa de mais?

nota: 10/10
imdb 

Stanley Kubrick

Segundo Martin Scorsese, um filme de Kubrick vale por 10 de outros diretores. Quem sou eu para contradizer um mestre falando de outro mestre?

Aqui você poderá ler sobre aspectos da vida de Kubrick, além de minhas impressões sobre todos os filmes lançados por ele, inclusive os três documentários do início da carreira.

É um post para se ler com calma, a não ser que você tenha um tempinho livre.

Em breve, farei um post discutindo apenas 2001 – Uma Odisseia no Espaço, possivelmente o melhor filme já feito.

PEQUENA BIOGRAFIA
Filho de um médico, Stanley Kubrick nasceu em Nova York, em 26/07/1928. Nunca se destacou na escola. Não que ele fosse preguiçoso ou burro, mas ele simplesmente não se interessava pelas coisas que os alunos deveriam aprender. Para Kubrick, a escola deveria ensinar a resolver os problemas do dia a dia e não a decorar coisas em livros.

Durante o ensino médio queria se tornar um baterista de jazz e desenvolveu sua notória habilidade no jogo de xadrez. Aos 17, foi contratado como fotógrafo da revista Look. Por 4 anos trabalhou na revista e isso o ajudou a aprender cada vez mais sobre técnicas de fotografia. A capacidade de Kubrick de capturar cenas marcantes pode ser encontrada em todos os seus filmes. Certamente, essa experiência como fotógrafo profissional foi essencial para ele se tornar uma referência em termos visuais e estéticos.

Enquanto isso, fez três documentários, além dos filmes Medo e Desejo e A Morte Passou Perto. Kubrick fez quase tudo sozinho, tanto em termos financeiros como em termos técnicos.

Apesar desses filmes não serem aquela maravilha toda, foram bons o suficiente para chamar a atenção do produtor James Harris. Juntos, produziram O Grande Golpe, excelente filme que fez o nome de Kubrick ganhar reconhecimento em Hollywood. Ele só tinha 28 anos na época.

Novamente com James Harris, produziu o maravilhoso Glória Feita de Sangue, filme que elevou Kubrick ao grupo dos bons diretores do cinema, com apenas 29 anos.

Em Spartacus ele não pôde ter um domínio artístico completo da obra por questões de contrato, mas deste filme em diante ele decidiu cuidar de maneira obsessiva de todos os aspectos dos seus filmes. Com o tempo, foi se transformando em um dos maiores diretores de cinema de todos os tempos.

Kubrick era um cara recluso, mas sempre demonstrou muito amor e carinho com a família e amigos próximos. Alguns jornalistas tentaram criar uma imagem de Kubrick que não correspondia a verdade, como se ele fosse um tipo de monstro. Graças aos depoimentos de suas filhas e de documentários como Stanley Kubrick: A Life in Pictures, tivemos a chance de descobrir quem ele realmente era.

Nunca venceu o Oscar de melhor diretor, mas foi indicado para este prêmio em 4 oportunidades, com os filmes: Dr. Fantástico, 2001 – Uma Odisseia no Espaço, Laranja Mecânica e Barry Lyndon. Ganhou o Oscar de melhor efeitos especiais por 2001 – Uma Odisseia no Espaço.

Kubrick trabalhou muito no filme De Olhos Bem Fechados, talvez mais até do que deveria. Quatro dias após mostrar a edição final do filme para os familiares, Tom Cruise, Nicole Kidman e executivos da Warner Bross, ele morreu na cama, em consequência de um ataque cardíaco.

Ele está enterrado em Hertfordshire, Inglaterra, mas está vivo em cada frame de seus filmes e em cada discussão acerca deles.

ESTILO
Kubrick era extremamente meticuloso e exigia ter controle absoluto sobre seus filmes. Ele era um perfeccionista. Se entregava ao máximo na produção e esperava que os atores e os outros membros da equipe estivessem tão comprometidos e empenhados quanto ele.

A concepção de suas cenas acontecia após muito tempo de planejamento e estudos. Tudo deveria estar no lugar certo, na hora certa. Era muito detalhista, algo que pode ser visto em todos os filmes dele.

Kubrick criava sequências absolutamente belas em termos estéticos. Barry Lyndon talvez seja o maior exemplo de como ele fazia cada cena ter uma beleza autêntica, de encher os olhos.

Com o passar do tempo, desenvolveu um estilo próprio. Reconhecer um filme de Kubrick é fácil. Ele costumava investir em ótimas narrações em off e em sequências que acompanham um exército ou um grupo de pessoas em movimento, sempre em ângulos interessantes.

A frieza e distanciamento também não podem ser esquecidos. Uma das poucas cenas realmente emotivas do diretor está no final de Glória Feita de Sangue, quando uma alemã canta para um grupo de soldados cujos olhos ficam cada vez mais marejados.

Seus filmes proporcionam inúmeras discussões. O ápice foi com 2001 – Uma Odisseia no Espaço, filme que permite várias interpretações diferentes.

Ironias, humor, guerra, críticas sociais, ultra-violência, pedofilia, erotismo, duelos, batalhas, humor negro. Uma abrangência de temas invejável.

A cena final de Barry Lyndon mostra a frase: “Os personagens desse filme viveram na época do rei George. Ricos ou pobres, bonitos ou feios, todos são iguais agora”, demonstrando o fatalismo inerente a qualquer ser vivo, algo que Kubrick apontava muito bem.

Muitos falam de um ar pessimista do diretor, mas Joker, o personagem principal e narrador de Nascido para Matar fala: “Sim. Estamos em um mundo de merda. Mas estou vivo! E eu não tenho medo!” Para mim, isso é uma frase otimista, apesar de tudo.

FILMOGRAFIA COMPLETA

1 De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999)
2 Nascido Para Matar (Full Metal Jacket, 1987)
3 O Iluminado (The Shining, 1980)
4 Barry Lyndon (Barry Lyndon, 1975)
5 Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971)
6 2001 – Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968)
7 Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964)
8 Lolita (Lolita, 1962)
9 Spartacus (Spartacus, 1960)
10 Glória Feita de Sangue (Paths of Glory, 1957)
11 O Grande Golpe (The Killing, 1956)
12 A Morte Passou Perto (Killer’s Kiss, 1955)
13 The Seafarers (documentário curta-metragem)
14 Medo e Desejo (Fear and Desire, 1953)
15 Day of the Fight (documentário curta-metragem)
16 Flying Padre (documentário curta-metragem)

LISTA PESSOAL DE PREFERÊNCIA e CRÍTICAS

1. 2001 – Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968)


Um milagre cinematográfico. Um dos melhores filmes já feitos. 2001 – Uma Odisseia no Espaço esbanja qualidade em termos técnicos e é extremamente ambicioso no que se propõe a discutir. A maravilhosa trilha sonora de Danúbio Azul embala o ballet tecnológico de Stanley Kubrick. É um filme sobre a evolução da raça humana e sobre os rumos que ela pode vir a tomar. Em pouco mais de duas horas, ele discute a vida extra-terrestre, a utilização de ferramentas para sobrevivência, a inteligência artificial e o maior tabu do homem: sua própria morte. Uma experiência transcendental, antropológica e filosófica que fascina do começo ao fim. Não existe uma interpretação definitiva. Todas podem e merecem ser discutidas. A única certeza que temos é de que nenhum outro diretor poderia fazer o que Kubrick fez aqui.
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2. Glória Feita de Sangue (Paths of Glory, 1957)


Considerado por muitos como o melhor filme sobre a Primeira Guerra Mundial. Claramente ele é anti-belicista, apesar de Kubrick, com ângulos e movimentos de câmera diferenciados, tornar uma ofensiva algo esteticamente belo. Kirk Douglas é um oficial que comanda um ataque ineficiente. O general decide punir a companhia de maneira exemplar ao escolher 3 soldados para serem fuzilados por covardia. O filme de guerra se transforma em um filme de tribunal, devido a corte marcial que é instalada. As duas partes são excelentes. Kubrick filma o oficial andando pelas trincheiras no ponto de vista dele, como se quisesse mostrar para nós como ele realmente se importava com os soldados que comandava. Isso também fica claro na maneira em que o oficial tenta defendê-los antes da execução. Durante o filme, há um diálogo em que soldados discutem  sobre qual a maneira menos pior de morrer. Um pouquinho do bom e velho humor negro. Glória Feita de Sangue contém a cena mais emotiva de toda a carreira de Kubrick. Ela está no desfecho, e mostra uma alemã cantando para vários soldados franceses que choram até não poderem mais. Um sinal de que a arte e o lirismo conseguem atingir qualquer um, em qualquer momento.
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3. Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964)


Dr. Strangelove é um dos filmes mais engraçados que já assisti. Os diálogos são cheios de ironia e presença de espírito. As atuações são muito eficientes. George C. Scott, Sterling Hayden e, principalmente, Peter Selles (que interpreta três personagens diferentes) estão ótimos em cada cena em que aparecem. O tema é a guerra-fria. A loucura que atinge um oficial pode levar a um desastre nuclear de proporções mundiais. Ver o general Jack Ripper falando sobre como os russos estão estragando os preciosos fluidos corporais dos americanos com água fluoretada é hilário. É uma sátira política que sobreviveu ao tempo.  Kubrick brincou com o medo da época de maneira perigosa. Como esquecer a cena em que o piloto de avião monta uma bomba atômica lançada do avião ou as improvisações extremamente engraçadas de Peter Selles? Uma obra-prima.
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4. Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971)


Como informa o narrador, Laranja Mecânica mostra um pouco da boa e velha ultraviolência. Alex e seus amigos saem pelas ruas de Londres tocando o terror. Eles tomam uma bebida chamada Moloko Plus, que é um tipo de leite em que certas drogas são adicionadas e serve como combústivel para o desejo de violência sem explicação desses rapazes. A frieza da obra é impressionante, assim como o controle absoluto demonstrado por Stanley Kubrick. É um filme forte, corajoso e intenso. A trilha sonora clássica é mais um detalhe que deixa tudo mais marcante. Algumas cenas se tornaram ícones do cinema, como aquela em que Alex canta Singing in the Rain e desfere chutes na boca do estômago de um senhor de idade. A discussão que o filme proporciona é em relação ao tratamento feito em Alex. É justo retirar a liberdade de escolha de uma pessoa para que ela não mais faça o mal? Malcom McDowell está ótimo no papel e eu também destaco o ator Michael Bates, que interpreta um guardinha extremamente empenhado, dono de um bigodinho à la Hitler. Clássico.
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5. O Grande Golpe (The Killing, 1956)


Dono de uma estrutura narrativa criativa, que foge da linearilidade e apresenta diferentes pontos de vista para a mesma situação, O Grande Golpe é um excelente filme de crime. Johnny Clay conta com a ajuda de alguns companheiros para assaltar o jóquei da cidade em um dia de muitas apostas. A preparação dos bandidos para o dia é incrível, assim como o ato em si. O tom de urgência imposto por Kubrick em algumas cenas é quase insuportável, como aquela em que vemos Johnny apontando uma arma para um funcionário, enquanto este coloca a grana na sacola. Parece que logo ele vai ser descoberto e o roubo chegará ao fim. Os movimentos de câmera de Kubrick são muito originais, demonstrando uma notória evolução em relação ao trabalho anterior (A Morte Passou Perto). Foi com este filme que ele finalmente fez o seu nome ficar conhecido em Hollywood. Interessante ressaltar que Quentin Tarantino provavelmente bebeu desta fonte ao idealizar Cães de Aluguel.
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6. Nascido Para Matar (Full Metal Jacket, 1987)


Nascido Para Matar é dividido em duas partes. Na primeira, o ator R. Lee Ermey oferece uma metralhadora de xingamentos e piadas ao discursar para os futuros fuzileiros navais. O sargento Hartman deve prepará-los para a guerra, algo que faz com muita intensidade. As cenas do treinamento passam voando. É digno de pena ver o soldado Pyle sofrendo nas mãos do sargento Hartman e dos outros soldados. Na segunda parte, o cenário é a guerra do Vietnã propriamente dita. Assim como na primeira parte, acompanhamos o soldado Joker (Matthew Modine). O personagem se torna um mistério tanto para os outros soldados, como para o público. Ele utiliza um símbolo da paz, ao mesmo tempo em que pinta no capacete a frase: Nascido Para Matar. Ele explica para um oficial que isso se deve a dualidade do homem, mas nunca o compreendemos realmente. Ao contrário do que muitos pensam, não considero este um filme anti-belicista. Kubrick simplesmente mostra a guerra como ela é. Claro, o final extremamente forte é um sinal de como a guerra é ruim, mas como diz Joker: Sim, estamos em um mundo de merda. Mas estou vivo e eu não tenho medo!
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7. O Iluminado (The Shining, 1980)

Esta adaptação do livro de Stephen King é um terror psicológico de qualidade. Jack aceita o emprego de zelador do hotel Overlook durante o inverno. Vai passar 5 meses lá com a mulher e o filho e ninguém mais por perto. O clima de suspense é muito forte, pois além do isolamento em que eles se encontram, aos poucos percebemos que o Overlook não é um simples hotel. A atmosfera do local é muito carregada, afetando o já perturbado Jack cada vez mais. Jack Nicholson compõe o personagem de um jeito até exagerado, mas eficiente. Kubrick nos dá alguns sustos, mas o que realmente dá medo é a sensação de pavor e estranhamento que o local proporciona. Algumas cenas surreais e outras muito gráficas, como o sangue descendo pelo elevador, são muito assustadores. Alguns detalhes colaboram ainda mais para o sucesso do filme, como o lado sobrenatural do filho de Jack e um assassinato ocorrido no hotel há anos.
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8. De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999)


Último trabalho do diretor e um dos mais controversos. É uma história que possuis várias metáforas e que permite várias interpretações. O médico Bill Halford, interpretado por Tom Cruise, tem uma conversa tensa com a esposa: após puxar um fuminho, Alice (Nicole Kidman) revela para Bill que durante uma viagem da família ela desejou intensamente um outro homem, estando disposta a largar tudo para passar uma noite que fosse com ele. Com isso na cabeça, Bill sai por Nova York em uma jornada erótica, em que ele se depara com mulheres da noite e até mesmo com uma orgia. A trilha sonora na sequência da festa cria um clima de intensidade total. O resultado dessa viagem se mostra perigoso. Bill se sente vigiado e ameaçado por pessoas que ele nem imagina quem são. O que motiva Bill a tomar as atitudes que toma? Ciúmes? Vingança? E sobre o que realmente é o filme? Um sonho? Uma alegoria psicológica? Um suspense direto e sem enrolações? Difícil chegar a uma conclusão, mas pensar sobre as possibilidades já é mais do que satisfatório.
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9. Barry Lyndon (Barry Lyndon, 1975)


Inspirado em pinturas do período, Barry Lyndon se passa no século XVIII. É considerado por muitos como a obra mais bonita de Kubrick, algo que devo concordar. A composição de cada cena foi feita de maneira milimétrica. Kubrick se preocupava até em como os atores andariam em cena. O diretor buscou a perfeição em termos técnicos e conseguiu. Figurinos originais, fotografia poética e uma direção de arte fabulosa fazem da experiência um deleite. Como pontos fortes temos as cenas filmadas à luz de velas, além das sequências mostrando duelos e movimentação de exércitos. Mas, e quem foi Barry Lyndon? Longe de ser um herói que merecesse reconhecimento, ele foi apenas um homem que se utilizou da esperteza para tentar crescer socialmente. O fato do assunto principal do filme ser um personagem desse tipo já é irônico, mas as ironias não param por aí. A narração em off garante nosso riso com o canto de boca quando diz coisas do tipo: Somente um grande grupo de historiadores e filósofos para explicar os motivos que levaram a esta guerra ou Esta batalha não está nos livros de História, mas foi memorável o suficiente para quem participou dela. Barry Lyndon é recheado de cenas realmente tristes, mas elas demonstram que Kubrick não tinha simpatia alguma em relação ao personagem principal.
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10. Lolita (Lolita, 1962)


A polêmica tem torno de Lolita foi muito grande e não era para menos. Lolita ainda era uma garota de escola e já despertava um enorme desejo em Humbert, que deveria ter seus 50 e poucos anos. A mãe de Lolita se oferece a Humbert de várias maneiras. Vê-lo rejeitando a mulher garante algumas risadas, principalmente devido ao sarcasmo do homem. O fato é que Lolita enlouquece Humbert aos poucos e este vai ficando cada vez mais ciumento e obsessivo. Depende da gente decidir se ela era uma garota inocente ou se queria apenas brincar com os sentimentos e desejos de Humbert. Outro ponto interessante, é que a história começa com um assassinato e passa a ser contada em flasback, o que nos deixa curiosos para saber como as coisas tomaram tal rumo. Kubrick se mostra corajoso e provocativo aqui, principalmente para a época em que o filme foi lançado.
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11. Spartacus (Spartacus, 1960)


Spartacus é um épico grandioso. Kubrick não teve o controle artístico que desejava, portanto boa parte das marcas registradas do diretor não estão presentes. De qualquer forma, Kubrick comanda este épico com muita segurança. As sequências de batalhas são lindas, fazendo lembrar Ran, de Kurosawa. São mais de 3 horas de duração e mesmo assim ele não é cansativo. O trabalho técnico nos faz sentir em Roma (e adjacências) e as ótimas atuações também ajudam nesse sentido. Peter Ustinov, Charles Laughton e Kirk Douglas estão excelentes aqui. O roteiro toma várias liberdades para contar a história de Spartacus, o escravo que se tornou gladiador e tentou enfrentar o poder romano. No geral, é um épico anti-belicista, violento (a cena do braço decepado é um exemplo) e que puxa um pouco para o lado sentimental, além de ser dono de um dos quotes mais famosos do cinema: I AM SPARTACUS!!!
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12. A Morte Passou Perto (Killer’s Kiss, 1955)


Apesar de não ser um grande trabalho do diretor, A Morte Passou Perto tem qualidades que merecem destaque. A história é sobre um boxeador que nunca deixou de ser apenas uma promessa, mas que agora tem uma chance de se destacar. Ele conhece uma vizinha e se apaixona, mas o relacionamento se mostra mais perigoso do que ele imaginava. Os pontos fortes estão na parte técnica. Kubrick executa movimentos de câmera bem interessantes, além de trabalhar com a iluminação de maneira exemplar. A narração em off ajuda a criar um clima de mistério e suspense, além de um ar noir. As atuações não são muito boas, mas era o que o baixo orçamento poderia comprar. O clímax é construído com habilidade, com uma ótima cena de perseguição em cima de telhados e uma briga cujas armas são machados e manequins. Pena que as atuações e a história de amor não convencem.
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13. Medo e Desejo (Fear and Desire, 1953)

Nem o mais cego fã de Kubrick pode negar que este filme é ruim. As falhas estão em todos os lugares: no roteiro, na trilha sonora e, principalmente, nas atuações. Você simplesmente não consegue acreditar nos personagens, interpretados de maneira muito teatral. Quatro soldados se encontram isolados e perdidos em meio às linhas inimigas, algo que os afeta psicologicamente. Trata-se de uma alegoria de como a guerra prejudica o bom senso do homem. Apesar de curto, Medo e Desejo é entediante e não mostra o estilo do diretor. Em termos técnicos, a edição é bem realizada, fazendo lembrar os filmes de Eisenstein. Mas é só. O próprio Kubrick decidiu tirar o filme de circulação, por considerá-lo amador demais. Até entendo a atitude, mas acho que, pelo interesse histórico, cópias melhores poderiam estar disponíveis.
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DOCUMENTÁRIOS

The Seafarers: Primeiro trabalho a cores do diretor. Fala sobre as vantagens e benefícios de fazer parte da Seafarers International Union, uma organização para marinheiros, proprietários de barcos e afins. É meio chatinho, mas vale pela curiosidade de ver Kubrick trabalhando cedo. Ele consegue imprimir uma fluidez interessante ao trabalho, mas recomendo só para quem tem muito interesse no diretor.

Day of the Fight
: Ótimo documentário que retrata a situação dos boxeadores da época e que escolhe aleatoriamente um deles para mostrar como são os momentos que antecedem uma luta,  como os preparativos, alimentação e a mudança psicológica do boxeador para enfrentar o oponente. Se for escolher um dos três documentários de Kubrick para assistir, que este seja a sua escolha, gostando de boxe (o que ajuda) ou não.

Flying Padre
: O primeiro trabalho de Kubrick. Mostra um padre que usa um avião para ajudar os necessitados a resolverem os seus problemas. São apenas nove minutos de duração.

CURIOSIDADES
– Paul Thomas Anderson visitou os sets de De Olhos Bem Fechados e lá mesmo fez o convite para Tom Cruise participar de Magnólia.
– Raramente dava entrevistas.
– Era fã de futebol americano.
– Gostava de Seinfeld e Os Simpsons.
– De acordo com o amigo Michael Herr, Kubrick assistiu O Poderoso Chefão mais de 10 vezes e dizia que este era, provavelmente, o melhor filme já feito.
– Considerava Elia Kazan o melhor diretor americano.
– Era amante de gatos, chegando a ter 16 ao mesmo tempo.

QUOTES DE STANLEY KUBRICK
– Nunca aprendi coisa alguma na escola e só li um livro por prazer pela primeira vez aos 19 anos.
– Se pode ser escrito, ou pensado, pode ser filmado.
– Pode soar ridículo, mas a melhor coisa que jovens cineastas podem fazer é pegar uma câmera e um pouco de filme e fazer um filme de qualquer tipo.
– A destruição deste planeta não teria significado em uma escala cósmica.
– Tenho uma esposa, três crianças, três cachorros e sete gatos. Não sou um Franz Kafka, sentado sozinho e sofrendo.
– Para fazer um filme inteiramente sozinho, algo que fiz inicialmente, talvez você não precise saber muito sobre outras coisas, mas você precisa saber sobre fotografia.
– Nem sempre sei o que quero, mas eu sei o que eu não quero.
– Existem poucos diretores que você deveria ver tudo o que eles fizeram. Eu colocaria Fellini, Bergman e David Lean no topo da minha primeira lista e Truffaut no topo do próximo nível.


VIDEOS

PROJETO INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Kubrick  queria esperar a hora certa para iniciar a produção do filme. Ele sabia que não ia demorar muito para que a tecnologia disponível fosse tão avançada quanto o roteiro precisava que ela fosse. Kubrick discutia muito sobre o filme com Spielberg, e chegou um momento em que Kubrick decidiu passar o projeto de Inteligência Artificial para as mãos de Spielberg, alegando que ele próprio não tinha o tipo de sensibilidade exigida pela história.

PROJETO NAPOLEÃO
Kubrick leu centenas de livros sobre o tema e disse que pretendia fazer o melhor filme já feito. David Hemmings possivelmente seria Napoleão e Audrey Hepburn era a escolha favorita para ser Josefina. O projeto era extremamente ambicioso. As locações seriam na França e Reino Unido e cerca de 50 mil soldados seriam contratados como figurantes para as cenas de batalha. O filme não saiu do papel graças ao enorme custo que ele demandaria, além da decepção em termos de bilheteria do filme Waterloo (sobre o mesmo tema). Em 1987 ele disse que ainda não havia desistido totalmente da ideia, pois acreditava que nenhum filme realmente bom sobre o personagem havia sido feito. Alguém dúvida que ele faria o filme definitivo sobre Napoleão? Quem tiver interesse pode ler o roteiro (first draft) clicando AQUI.

PROJETO ARYAN PAPERS
Aryan Papers era um projeto de Kubrick em que ele recriaria o Holocausto. A história seria sobre uma mulher e seu sobrinho tentando se esconder durante o período. O diretor cogitava escalar Uma Thurman ou Julia Roberts para o papel da tia e Joseph Mazello para ser o garoto. Kubrick desistiu da ideia por dois motivos: em 1993 Spielberg lançou A Lista de Schindler, com a mesma temática e além disso, ele considerava o tema doloroso e depressivo demais para que o cinema conseguisse captar com precisão sua essência.

FONTES PESQUISADAS
IMDb
Kubrick.com
Rotten Tomatoes
Wikipedia
Kubrick Multimedia Film Guide

COMENTÁRIO FINAL
Um dos melhores diretores do todos os tempos. Fez poucos filmes, mas todos são infinitos em seus significados e qualidades.

/bruno knott

Vanilla Sky

Título original: Vanilla Sky
Ano: 2001
Diretor: Cameron Crowe

É um consenso entre os cinéfilos de que Vanilla Sky é um remake desnecessário do ótimo Abre los ojos, do espanhol Alejando Amenábar. Não para mim. Cameron Crowe não fez uma simples cópia. Claro, a história é basicamente a mesma, porém Crowe faz uma abordagem bem diferente. Enquanto Amenábar cria um filme sombrio, com mais tensão psicológica e menos explicações, Crowe entope o filme de referências a cultura pop e dá um ar mais light para a história, ainda que ela seja essencialmente difícil. Aí depende do tipo de filme que te agrada mais no momento. Eu escolho o do Crowe.

Tom Cruise interpreta um verdadeiro playboy chamado David Ames. Ele mora em New York e é extramamente rico, não por habilidade própria, mas sim, por continuar o trabalho do seu falecido e distante pai. É um cara que não mantém relações profundas com as mulheres, preferindo ser adepto da amizade colorida. Uma dessas mulheres é Julie Gianni (Cameron Diaz). Para ela, David não é apenas uma relação casual. Ela é realmente apaixonada por David e insiste que fazer sexo quatro vezes durante uma noite quer dizer alguma coisa. Problemas à vista.

Essa visão distante em relação ao sexo oposto começa a mudar quando ele conhece Sofia (Penélope Cruz), que é apresentada por Brian (Jason Lee). Aquele clichê de amor a primeira vista parece funcionar aqui. Os dois passam uma noite fantástica, ambos se conhecendo de verdade, escutando músicas, bebendo vinho e fazendo caricaturas um do outro. David acredita que está diante da última garota semi-pura de Nova York.

Mas, aí… Cameron Crowe nos mostra que pequenas atitudes podem ser responsáveis por grandes mudanças e uma escolha de David vai alterar todo o seu futuro.

Estão vendo esta foto que escolhi? Ela representa um ponto de mudança no filme. A partir daí tudo acontece de uma maneira diferente. Pistas para a explicação que é dada no final estão por toda parte e fazem sentido dentro do contexto do filme. Apesar de ser um drama com romance, há este lado meio sci-fi, que necessita de um olhar mais atento do público.

Vários detalhes fazem de Vanilla Sky um ótimo filme: as músicas que Cameron Crowe sabe inserir no contexto dos filmes como ninguém. Jeff Buckley, REM, Radiohead, Sigur Ros e Beach Boys estão presentes e aumentam a qualidade do filme.

Se após a cena do elevador você pensar que perdeu o seu tempo com um monte de lixo, eu não te culpo, pois sei que é um trabalho irregular, mas se depois essa cena você ficar num estado de êxtase, seja bem vindo ao grupo dos admiradores de Vanilla Sky.

Nota: 8

– B.K.