The Walking Dead “The Big Scary U” Crítica

Eu achava que não teria coragem de voltar a assistir a Walking Dead depois da péssima sétima temporada e do fraquíssimo início da oitava. Eu havia abandonado o seriado quando tive o desprazer de testemunhar o episódio 8×03, mas agora – em um ato heroico e masoquista – voltei para o mundo dos zumbis. The Big Scary U evidencia novamente a falta de criatividade dos roteiristas. A trama não avança e as cenas pouco verossímeis estão presentes, ainda que em menor número do que nos episódios anteriores. O único alento aqui foi a tentativa de adicionar camadas ao unidimensional Negan. Em termos de profundidade ele está bem abaixo do Governador, por exemplo. Quem sabe isso mude no futuro. Agora que voltei a assistir pretendo ir até o final, custe o que custar.

Nota: 6.1

Review: The Walking Dead 5×10 – Them

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Pela média de 7.5 deste episódio no IMDb ficou claro que muitos não gostaram nada do que viram aqui. Algo que me deixou um tanto surpreendido, afinal este foi, para mim, um dos melhores episódios de toda a temporada. Os principais aspectos de ‘Them’ que me agradaram foram a atmosfera pesada e deprimente e o ritmo um pouco mais lento do que o normal. Todos os sobreviventes estão visivelmente cansados desta vida de dormir com um olho aberto, de temer cada local novo. Alguns, como Maggie, parece que já estão pensando em desistir. Logo na primeira cena ela demorou bastante para reagir contra a aproximação de um zumbi. Apesar de tudo, a garota ainda encontra uma fagulha de humanidade e resolve acabar com o sofrimento de uma zumbi que estava presa no porta-malas de um carro.

A gasolina está acabando, a água é artigo de luxo e a fome é cada vez maior. O momento está tão complicado que o episódio nos faz perguntar quem são realmente os mortos-vivos. As sequências em que vemos o grupo andando, devagar e exaurido e os zumbis lá atrás são reveladoras neste sentido. E claro, o diálogo entre Rick e Daryl também. Mas quando a esperança está prestes a ser perdida, aparece uma chance de redenção. Durante uma tempestade arrebatadora, os zumbis tentam entrar no celeiro em que o grupo estava escondido. Unidos de uma forma emocionante e usando toda as forças que restam, eles conseguem impedir a entrada dos errantes.

Para finalizar este episódio reflexivo e até poético, um pouco de suspense. Quem é este novo personagem que aparece como amigo? Torço para que as coisas não se tornem previsíveis como tem sido até aqui nesses encontros. Até agora conhecer pessoas novas só levou à desgraça. Que os roteiristas nos surpreendam um pouco!
[9]

Review: The Walking Dead 3×14 – Prey

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Parecia impossível que The Walking Dead nos oferecesse um episódio de alto nível centrado em Andrea, mas foi exatamente isso o que aconteceu em Prey. Depois de um longo tempo e após vários indícios que ela pareceu não perceber, a garota finalmente se dá conta do quão insano e perigoso é o Governador. Ela decide escapar de Woodbury rumo a prisão e avisar Rick e os outros sobre as reais pretensões do seu antigo afeto. Milton está na mesma sintonia de Andrea, inclusive a incentivando a seguir por esse caminho. O problema é que o Governador descobre as intenções dela e a persegue de maneira implacável. Por um bom tempo o episódio tem ares de thriller. Além de fugir do Governador, Andrea tem que se preocupar com os errantes que podem estar onde menos se espera. Em alguns momentos o suspense e a tensão são enormes, algo digno de Hitchcock e John Carpenter. Isso sem falar nas mortes extremamente sangrentas dos zumbis. É impressionante que o seriado consiga se manter criativo nesse sentido mesmo após três temporadas. Quando achávamos que as coisas acabariam bem, ela é capturada e levada para uma sala de tortura. Aparentemente, o destino reserva requintes de crueldade para uma personagem que finalmente se redimiu aos olhos do público.
9/10


 

Review: The Walking Dead 2×03 – Save the Last One

Mesmo que o episódio não tenha avançado muito nas principais tramas do seriado, ele pode ser considerado o melhor da atual temporada. Motivos para isso? O assustador arco narrativo de Shane, a maneira com o que o roteiro brinca com a linearidade, aumentando o impacto de uma situação crucial e a ótima rima da primeira com a última cena.

Enquanto Lori e Rick aguardam o retorno de Shane com os materiais médicos que podem ajudar Carl a sobreviver, eles discutem sobre a vantagem de se continuar vivo em um mundo destes. Lori chega ao ponto de desejar a morte do filho, assim ele não teria que viver todos os minutos de sua vida com medo, sempre fugindo e quase nunca com um rumo definido.

É uma questão a se pensar. Vale a pena investir tanto na sobrevivência em um mundo pós-apocaliptico como este? Que motivos eles tem para continuar respirando? A esperança de dias melhores seria uma resposta aceitável, mas parece que ela está em falta para quase todos ali. Então, por que continuar vivo?

A resposta sai da boca do próprio Carl em uma cena um tanto forçada, mas com um tom emotivo bem forte.

Mais uma vez a religiosidade e espiritualidade estão presentes, algo natural nessas circunstâncias. Dessa vez quem faz indagações sobre a existência ou não de Deus é Glenn, um personagem querido por muitos e que poderia ser melhor aproveitado.

Mas é claro, o destaque é mesmo Shane e sua atitude extrema. Estou pensando em uma maneira de justificar o ato covarde de Shane e só encontro uma: salvar Carl. Acredito que ele não agiu dessa forma pensando nele mesmo e sim no garoto. Agora, se tal atitude pode ser perdoada é outra questão. É justo tirar a vida de Otis para que Carl viva, ainda mais sendo Otis o responsável pelo estado de Carl? É uma pergunta difícil, ainda mais quando pensamos no contexto do mundo em que os personagens vivem em The Walking Dead. Uma coisa é certa: Rick jamais tomaria esta atitude. Ele iria preferir servir de isca para os zumbis e deixar Otis fugir.

Save the Last One permite discussões profundas, tem um ritmo agradável e se destaca pelo requinte narrativo e pela ousadia.
9/10

The Walking Dead 2×02: Bloodletting

Um dos pontos mais interessantes deste episódio é o flashback inicial de Lori. Nele percebemos mais uma vez que ela não andava muito satisfeita com o seu relacionamento com Rick, sendo a reclamação maior o fato de Rick não gritar com ela e ser certinho demais. Há um tom triste quando ela diz que se casaram muito jovens.

Mas o enredo principal gira em torno do tiro que atingiu o garoto Carl. A partir disto conhecemos novos personagens humanos que habitam este mundo hostil. Não há tempo para desenvolver a história deles, mas já dá pra entender que são boas pessoas e que farão de tudo para ajudar Carl, mesmo que isso esteja além de suas capacidades.

Atitudes como essa deixam um resquício de esperança de que ainda há chance para a humanidade, mesmo que isso pareça quase impossível. O próprio Rick acha que não existe cura, não existe futuro e é triste ver o personagem principal com esse ar derrotista, mas a verdade é que ele está passando por mais uma provação difícil ao ter que lidar com o filho baleado e mais toda a tensão relacionada aos errantes.

Pode não ter sido um episódio empolgante como alguns que já vimos, mas ele tem sim bons momentos, como os diálogos entre Shane e Rick, que mostram que os dois realmente se importam um com o outro.

Ah sim, não dá para esquecer do final. Mais uma vez temos um desfecho cheio de tensão e fúria. Daqueles que te deixam ansioso pelo próximo episódio.
7/10

The Walking Dead 2×01: What Lies Ahead

Depois de uma longa espera The Walking Dead está de volta. A segunda temporada promete ao menos manter o nível do que vimos antes e o melhor de tudo é que dessa vez teremos 13 episódios, mais do que o dobro da primeira.

SPOILERS!!!! 

2×01: What Lies Ahead

Tudo começa com Rick Grimes tentando se comunicar com Morgan pelo rádio, sem sucesso. Para quem não lembra, Morgan é aquele que deu uma força pro Rick no episódio piloto.

Um fato misterioso do season finale foi aquele momento em que o cientista fala algo no ouvido de Rick. Este enigma continua, o que não deixa de ser um acerto do roteiro. Seria esse segredo algo de grandes proporções ou uma fofoca a nível pessoal? Só o tempo para nos dizer.

O grupo decide se dirigir para um local chamado Forte Benning em busca de um mínimo de proteção.  Alguém tem alguma dúvida de que o caminho vai ter obstáculos perigosos, desengonçados e famintos? Quando ocorre um problema com o radiador do furgão a aflição toma conta. Cada movimento desprotegido em céu aberto é acompanhado de riscos. A sensação de que a cada passo eles podem ser surpreendidos pelos errantes é transmitida com eficiência.

Um festival de carros abandonados impede que eles continuem a se mover, mas esses carros podem fornecer suprimentos. Será que eles vão poder pegar roupas, alimentos e água com traquilidade e sorrisos estampados nos rostos? É claro que não.

Um verdadeiro exército de zumbis aparece do nada e o terror toma conta. Essa sequência é capaz de animar qualquer fã do gênero de zumbis. A atmosfera criada enquanto o grupo tenta se esconder dos zumbis é sufocante. Sabemos que logo vai acontecer aquele clichê de alguém fazendo barulho e despertando a atenção dos errantes, mas tudo bem.

A cena de Andrea enfrentando um errante no mano a mano é talvez um dos pontos altos de todo o seriado, afinal temos uma exemplar atuação de Laurie Holden, que captura o desespero e a angústia da personagem, com uma reação extremamente violenta.

Falando em violência, preparem-se. As mortes continuam impressionando pelo excesso de sangue e até mesmo pela rapidez com que acontecem. Talvez alguns não estejam preparados para acompanhar o que talvez seja uma das cenas mais nojentas de todos os tempos. Não quero estragar a surpresa, mas já adianto que Rick e Shane basicamente tentam revolucionar a cirurgia ao executarem uma laparotomia exploradora mais profunda do que o normal. Não esqueça o saquinho de vômito.

O acontecimento principal do episódio é mesmo o sumiço da garotinha Sophia. Rick demonstra o heroísmo de sempre, mas ele não é o rambo. Sua estratégia para despistar os zumbis leva Sophia a se perder, agora todos estão em busca dela.

Essa situação possibilita que alguns tenham tempo para pensar sobre os seus próprios transtornos psicológicos: Shane consumido pelo desejo que sente por Lori, Andrea e sua desesperança com a própria vida e assim por diante.

Para finalizar, uma sequência que se aproxima da poesia e termina de um jeito inesperado, nos deixando ansiosos pelo próximo episódio.

The Walking Dead parece ter mantido os aspectos que fizeram a primeira temporada funcionar: conflitos intimistas, mortes de zumbis violentas, alguns mistérios e o bom desenvolvimento dos personagens. Ao que tudo indica, ainda tem bastante coisa boa pela frente.
8/10

The Walking Dead – 1×06: TS-19


Nota: 8

Chegou ao final a primeira temporada do já adorado The Walking Dead. Após o término de Lost eu precisava de um seriado que eu realmente me importasse com os personagens e cuja história me instigasse cada vez mais. Como sou um amante de filmes de Zumbis não foi difícil me encantar com o que vi aqui. Com apenas 6 episódios a primeira temporada passou voando e este season finale fechou com chave de ouro, deixando ótimas expectativas para a próxima.

O Doutor Jenner mostra que sabe tanto quanto o grupo em relação ao que está acontecendo, deixando todos decepcionados. O que resta para eles nesse momento é encher a cara, afinal, não é todo dia que vinho pode ser conseguido de graça.

Foi bacana ver todos esquecendo por um tempinho a situação em que se encontram, mas não havia como manter a felicidade aparente por muito tempo. TS-19 oferece momentos intensos, seja com a obsessão de Shane por Lori, fazendo o ex-policial perder qualquer bom senso e quase alcançar seus objetivos à força e com a agoniante prisão em que Jenner coloca a todos.

Ver aquela sala do CDC fechando completamente, impedindo a saída de todo o grupo, foi algo surpreendente para mim. Não esperava essa atitude do médico, mesmo com os sinais ali na nossa cara. A perda da mulher e total falta de esperança em um futuro minimamente humano são motivos suficientes para levar qualquer um a perder a motivação. Mas, mesmo com condições adversas é inerente ao homem continuar tentando, sobreviver a qualquer custo e ainda bem que Jenner aceitou os argumentos de Rick e abriu a porta.

Muito interessante a visão de Jenner sobre a situação. Para ele, tudo isso é o evento da extinção dos seres humanos, como os meteoros foram para os dinossauros. Será?

Não faltaram tensão e nem discussões pertinentes sobre o mundo atual, com um pouco de filosofia até.

As expectativas para uma ótima segunda temporada são imensas. Aparentemente, serão 13 episódios, o que significa mais tempo para desenvolver os personagens e algumas pontas soltas, como o destino daquele pai e o filho do episódio piloto, o que aconteceu com Merle, quem estava pilotando aquele helicóptero e finalmente, o que o doutor Jenner disse para Rick neste season finale.

Por enquanto, nós aguardamos.


/the walking dead – 1×06: ts-19
bruno knott,
sempre.

The Walking Dead – 1×05: Wildfire


NOTA: 9

O quarto episódo acabou com o massacre no acampamento e aqui vemos as consequências de todo aquele caos. Como lidar com tantas perdas? Como absorver o fato de que ninguém está a salvo e como ter esperanças no futuro? Foi no mínimo tocante acompanhar Andrea chorando a morte da irmã. Como todos sabemos, uma pessoa mordida em breve se transforma em zumbi e não é muito inteligente ficar esperando isso acontecer. O suspense enquanto Andrea observa a irmã se transformando é quase insuportável e a resolução disso não poderia ser mais forte.

Falando em cenas fortes, a campeã desse episódio é aquela em que a mulher de cabelo raspado pega uma foice e desfere repetidos golpes na cabeça do marido morto! Quanta ira, quanta angústia de uma mulher submissa que ela botou pra fora. E fez bem, eu diria. Gore autêntico e corajoso aqui.

A trajetória de Jim foi curta, mas agoniante. Ele também foi mordido e em breve vai se transformar. É difícil demais para o grupo tomar a atitude correta. Apesar de viverem num mundo destruído, eles ainda são seres humanos e guardam o mínimo de sentimento uns pelos outros. Mas… algo tem que ser feito. Também é preocupante ver Shane quase perdendo o bom senso. Ele não consegue esquecer o tempo que passou com Lori e algo me diz que isso não vai acabar nada bem.

O grupo quer abandonar o acampamento, mas fica a dúvida: ir para onde? Procurar os militares ou o CDC? Eles decidem pela segunda opção, esperando encontrar cientistas trabalhando em busca de uma cura para tudo isso. Aparentemente no CDC não resta nada, a não ser UM médico. Quando o Dr. Jenner trabalhava em cima de uma amosta me lembrei de Will Smith em Eu Sou a Lenda, o que não deixa de ser interessante.

Interessantes mesmo são as cenas finais e a nada sutil referência a LOST. Lembram quando Locke ficou desesperado batendo na escotilha, pedindo por uma resposta e na sequência vemos uma luz sendo acesa lá dentro? Foi quase o que aconteceu aqui, a diferença é que já sabíamos da presença do Dr. Jenner dentro do prédio e em Lost reinava o mistério.

Mas… o que o grupo vai ganhar com essa visita? A resposta vem no episódio final da primeira temporada, que está excelente.

/the walking dead – 1×05: wildfire
bruno knott,
sempre.

The Walking Dead – 1×04: Vatos


NOTA: 8

Após ter visto a mão ensanguentada de Merle, o grupo comandado por Rick continua a busca. Nem preciso dizer como Daryl ficou doido quando viu a mão decepada do irmão. Mais intenso do que isso foi acompanhar o grupo seguindo os rastros sangrentos de Merle e assim descobrindo como ele procedeu para tentar se livrar da morte.


No início do episódio foi mostrado como as irmãs Andrea e Amy tem um laço familiar interessante. Ficou nítido que as duas se preocupam muito uma com a outra. É uma cena essencial que torna ainda mais chocante a perturbadora sequência final. Também no acampamanto vemos o ainda pouco explorado personagem Jim cavando buracos na terra. Nínguem sabe o motivo, mas todos ficam assustados com a situação.


O grande acontecimento de Vatos acaba sendo a descoberta de novos sobreviventes na região. Quando Glenn pega a sacola com as armas ele é abordado e capturado por um grupo um tanto mal encarado. Rick, Daryl e T-Dog conseguem segurar um integrante deste grupo e planejam ir atrás deles para fazer uma troca. A impressão que temos é que esses outros sobreviventes fazem parte de uma gangue de mal feitores, prontos para levar vantagem e roubar qualquer coisa útil que esteja próxima a eles, certo?


As aparência enganam, principalmente em um mundo pós-apocaliptico. O que esse suposto bando de ladrões faz é, na verdade, algo louvável. Eles cuidam de velhinhos que foram deixados para trás por médicos e enfermeiros. Quem está por trás de tudo agora é o antigo segurança do local. Nada mais altruísta e digno de aplausos. Há uma forte crítica aos que abanadonaram os idosos à própria sorte, mas acho que ir atrás da própria família é uma atitude natural nesse caso.


E o final, que espetáculo! É daquelas coisas que você não acredita que está vendo, tamanha a surpresa e desespero que tomam conta. The Walking Dead vem se destacando tanto em termos técnicos como em atuações. Olhem a maquiagem desta adorável zumbi acima. Aterrorizantemente linda, não? O fato é que este episódio mostra que nada é o que parece e que nínguem está a salvo, absolutamente nínguem. Com isso o seriado ganha em emoção e tensão e claro, em qualidade.

/the walking dead, 1×04: vatos
bruno knott,
sempre.

The Walking Dead – 1×03: Tell It to the Frogs

NOTA: 8

Agora já posso afirmar que encontrei o meu substituto de Lost. Com três episódios bem acima da média não tenho do que reclamar, muito pelo contrário. É certo que The Walking Dead veio para ficar. Como acontecia com Lost, já fico ansioso pelo próximo episódio assim que termina o da semana atual.


Tell It to Frogs é um episódio fantástico, mas irregular. Ele começa e termina de maneira incrível, só que uma ou outra cena no meio não tem a mesma eficiência das outras. Como todos devem lembrar, o detestável Merle Dixon ficou abandonado à própria sorte em um prédio infestado por zumbis famintos. Não podemos esquecer que ele estava algemado em um cano e sem muitas esperanças de continuar vivo. Apesar do cara ser irritante, confesso que fiquei com um pouco de pena dele. A situação em que ele se encontra é mortalmente desesperadora e ele vai ter que pensar rápido se quiser sobreviver. Será que consegue?


Eu acreditava que o encontro de Rick com a mulher e o filho iria demorar um tempão para acontecer. Me enganei. Neste terceiro episódio Rick é levado para o acampamento onde eles estão. Mais uma vez a qualidade do ator Andrew Lincoln fica evidente. O cara é muito bom. As atitudes do personagem jamais soam falsas e a cada episódio que passa ele ganha nossa admiração.
Óbvio que ficou um clima estranho no ar, já que Lori e Shane se aproximaram bastante durante esse tempo em que Rick ficou desaparecido. Certamente que isso vai dar muito pano para manga ainda.

O ritmo e a intensidade do episódio melhoram bastante quando o irmão de Merle entra cena. Daryl Dixon é igual ao irmão em termos de agressividade e implicância. Ele logo fica sabendo sobre a situação de Merle e não fica nada satisfeito. De maneira altruista e com um sentimento de culpa Rick, Glenn e T-Dog se juntam a Daryl e retornam a cidade para tentar o resgate. Como tensão pouca é bobagem, Shane tem uma forte discussão com Lori e ele desconta toda a raiva e frustação na cara de um personagem machista e arrogante. The Walking Dead apresenta um mundo tomado pelo caos, mas além disso os personagens enfrentam seus próprios problemas e dilemas e isso faz com que as reações deles sejam potencializadas. Dá para esperar tudo de um ser-humano que se encontra no seu limite e isso ficou bem claro aqui.

Mais uma vez temos um episódio cujo final é cheio de suspense e tensão. Mesmo que seja meio manjado, não deixa de ser chocante e é impossível não ter ótimas expectativas com o que vem pela frente.

/bruno knott

The Walking Dead – 1×02: Guts


NOTA: 8

Vários são os seriados que começam com ótimos episódios piloto e vão caindo de qualidade na sequência. The Walking Dead está longe disso. Esse segundo episódio praticamente confirma que o que vimos na estreia não foi obra do acaso. The Walking Dead veio para ficar.

O episódio Days Gone Bye terminou com Rick preso em um tanque completamente cercado por “errantes”. Uma voz vinda do rádio soa como um sinal de esperança. Ele consegue fugir do tanque com a ajuda de Glenn, que o apresenta a outros sobreviventes.

É interessante conhecer caras novas. Ainda não dá para saber se esses outros personagens terão importância apenas temporária, mas acredito que alguns deles serão desenvolvidos, pois o seriado mostra que o que importa aqui são as pessoas.

Alguns até me pareceram um tanto caricaturais, como o careca mal encarado, violento e racista. De qualquer forma, ele serviu para Rick mostrar seu senso de justiça e sua liderança.


O que Rick quer no meio desse caos é voltar para a mulher, Lori e o filho. A primeira cena do episódio mostra que a relação de Lori com Shane, melhor amigo de Rick, está pra lá de quente. O provável encontro do trio tem tudo para ser um dos grandes momentos de The Walking Dead.

Rick e seus novos companheiros tentam descobrir uma maneira de sair do prédio, que está completamente cercado por ferozes zumbis.

Uma ideia levantada pelo grupo foi a  fuga pelo esgoto. Toda a sequência de Glenn dentro do esgoto mostra a imensa capacidade que o seriado tem de gerar suspense de maneira natural. A cada passo que ele dava no escuro, sentíamos que a vida dele estava por um fio.

Essa sequência tem uma cena pra lá de nojenta e como se fosse pouco, em poucos minutos somos apresentados a uma situação muito mais grotesca, que não deixa de ser um deleite para os amantes do gore.


No filme Shaun of the Dead os personagens usam uma tática inusitada para passarem desapercebidos pelos zumbis. Eles imitam o andar característicos dos mortos-vivos e conseguem passar ilesos por eles. Claro que tudo ocorre de uma maneira bem humorada, dentro do espírito do filme, que é uma sátira de qualidade aos filmes do gênero.

Aqui Rick faz jus ao título do episódio e decide se besuntar com o sangue e com as tripas de um zumbi. A ideia é ficar com cheiro de zumbi e poder caminhar livremente entre eles. Ele e Glenn utilizam essa tática para tentar alcançar um caminhão que está a algumas quadras a frente.

Tudo isso já seria suficientemente fantástico para minha admiração continuar crescendo, mas os criadores de The Walking Dead se superam.

Antes de Rick usar o machado para decepar o zumbi, ele procura descobrir de quem era esse corpo, seu nome, idade, o que ele fazia da vida e etc. Rick é um ótimo personagem, não tem como não se identificar com ele.

Em dois episódios tanta coisa boa já aconteceu que posso dizer que The Walking Dead se consolida como um dos melhores seriados da atualidade.

/bruno knott

The Walking Dead – 1×01: Days Gone Bye


Nota: 10

Foi com grande expectativa que apertei o play e comecei a assistir ao primeiro episódio desse tão aguardado seriado. Sabem, sou um grande fã de zumbis. Já vi e revi vários filmes com essa temática e sempre me divirto um monte. Além dos filmes, já li alguns livros e alguns contos.

Durante 70 minutos fui completamente hipnotizado pelo o que via tela. A cada sequência minha frequência cardíaca aumentava e eu agradeço por isso.

The Walking Dead é baseado na excelente HQ de mesmo nome desenvolvida por Robert Kirkman.

Frank Darabont é o criador do seriado. Ele assina a direção deste primeiro episódio e o roteiro dos 6 episódios da primeira temporada. A ótima carreira do diretor fala por ela mesma. Um Sonho de Liberdade, A Espera de um Milagre, Cine Majestic e O Nevoeiro são filmes com um algo a mais e que, com a exceção deste último, desenvolvem seus personagens da maneira mais completa possível.

Já que os personagens serão importantes para o seriado uma escolha precisa dos atores era necessária. Andrew Lincoln e Lennie James (aquele de Jericho, lembram?) dividem a maior parte do tempo na tela e nos oferecem atuações impressionantes. Além deles, Jeffrey DeMunn, figurinha carimbada dos filmes de Darabont e Sarah Wayne Callies (de Prison Break) estão presentes.

Tudo começa com uma perseguição, um tiro nas costas de Rick Grimes e seu estado de coma no hospital. Foi utilizada uma flor para marcar a passagem do tempo, um toque de genialidade. Quando ele acorda nada mais é como antes. O mundo de Rick mudou. O hospital está aparentemente vazio, ele pode ver cadáveres espalhados pelas ruas da cidade e criaturas que deveriam estar mortas, mas caminham em busca de carne humana.

Esse começo é igual a Extermínio, certo? Essa sequência existe na HQ e foi mantida no seriado. Até hoje nínguem sabe se é uma cópia ou uma coincidência, o fato é que ela funciona extremamente bem.

Rick Grimes, completamente perdido e desesperado com a situação, encontra Morgan e o filho, que aos poucos vão fazendo ele entender como funciona o mundo atualmente. Rick vai até a sua casa e não encontra o filho e a esposa, mas acredita que eles estão em Atlanta, cidade que parece funcionar como um refúgio dos que ainda estão vivos.

Você que ama zumbis, prepara-se. The Walking Dead eleva esse gênero para um outro patamar. Claro, se você quer a violência gráfica tão característica dos filmes você vai ter, mas o principal do seriado é o efeito psicólogico que tudo isso causa nos personagens. A intensidade da atuação de Andrew Lincoln é um retrato do que falo. O mundo pós-apocalíptico tomado por zumbis não é mais importante do que os personagens e seus próprios dramas.

Não posso deixar de mencionar a maneira fantástica com que Darabont conduziu esse episódio, sempre mantendo um alto teor suspense e um ar de desespero ao longo de todas as sequências.

Sempre quis ver algo relacionado a zumbis que fosse profundo e com conteúdo e é isso que The Walking Dead oferece. Há uma cena aqui que é uma das melhores que vi esse ano. Trata-se de Rick Grimes conversando com uma zumbi e aliviando o sofrimento dela. Uma das tantas cenas marcantes do episódio piloto.

Geralmente os primeiros episódios dos seriados não são tão bons, pois em pouco tempo ele deve apresentar os personagens, desenvolver história e tudo o mais.

Os pilotos de Lost, Friday Night Lights e The Sopranos são excelentes do primeiro ao último segundo e é nesse time que se encontra o piloto de The Walking Dead.

Minhas expectativas para a primeira temporada são enormes e acredito que vou ser correspondido.



/bruno knott