Crítica: Um Lobisomem Americano em Londres (1981)

american-werewolf-in-londonNão que existam muitos filmes sobre lobisomens e que isso seja um grande elogio, mas Um Lobisomem Americano em Londres é o melhor filme do tema que já conferi. A grande virtude deste trabalho do diretor John Landis foi alcançar uma perfeita mistura entre comédia e horror. Não faltam cenas viscerais e nem momentos de um humor bem eficiente. A trilha sonora é mais um ponto positivo, com direito a Blue Moon e Bad Moon Rising. Sim, músicas cujos nomes contém “lua”. Certamente não foi coincidência. Não podemos esquecer também de Rick Baker e sua maquiagem, que inclusive levou um Oscar merecido. A transformação do lobisomem é dolorosa só de ver e facilmente é um dos aspectos mais marcantes deste ótimo filme.
8/10

Crítica: Suspiria (1977)

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Demorei 27 anos para ter o primeiro contato com o cinema de Dario Argento e posso dizer que foi uma experiência inesquecível, principalmente por eu ser um entusiasta do gênero terror e de trabalhos que investem na estética. É importante dizer, desde já, que Suspiria não se destaca pelo roteiro ou pelas atuações, mas sim pelo visual e por nos deixar com uma sensação de inquietude do começo ao fim.

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Suzy Banion
decide se mudar de Nova Iorque para estudar balé na Alemanha e já na sua chegada podemos imaginar que ela enfrentará problemas pela frente. Um dilúvio, a dificuldade de arranjar um táxi e a proibição de entrar na escola de balé são um mau sinal. As coisas ficam piores quando uma garota foge desesperada da tal escola para instantes depois ser vítima de um assassinato brutal, filmado de maneira extremamente gráfica.

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Pouco tempo depois de entrar na escola, Suzy percebe mais coisas estranhas ao seu redor, como passos pela madrugada, funcionários excêntricos e mais mortes. Ela mesma fica doente e é tratada de maneira nada usual por um médico que está mais para um curandeiro.

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Pois é, na verdade Suzy está em um covil de bruxas e vai tentar sobreviver. Dario Argento cria um clima de tensão dos mais eficientes, utilizando uma trilha sonora que encanta e incomoda, além de um jogo de cores e sombras que aumentam ainda mais o impacto das cenas. Falando em impacto, o diretor não economiza no sangue, optando por fazer uso de um vermelho bem vivo, uma de suas marcas.

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Não pude deixar de lembrar de O Bebe de Rosemary enquanto assistia a Suspiria. Ambos possuem temáticas e estruturas semelhantes, com a personagem principal sendo diariamente envenenada, discutindo sobre bruxaria com um especialista no assunto e indo em direção ao perigo nas últimas cenas. De qualquer forma, difícil é dizer qual dos dois é melhor. Minha dica: fazer uma sessão dupla com esses ótimos exemplares do gênero.

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Nota: 8

FICHA TÉCNICA
Suspiria (1977)
Duração: 98 min
Direção: Dario Argento
Roteiro: Dario Argento, Daria Nicolodi
Elenco: Jessica Harper, Stefania Casini, Flavio Bucci
Info: IMDb, Rotten Tomatoes,

 

 

Crítica: [Rec] 2 (2009)

[Rec] 2 poderia ser um caça níquel e apenas se aproveitar do sucesso do filme original, mas não é isso que acontece. Mesmo não sendo tão bom como o primeiro, o terror claustrofóbico e as cenas intensas continuam presentes, animando os amantes do terror de qualidade.

A ação acontece praticamente no mesmo momento do primeiro, só que vemos tudo de uma outra perspectiva. Ao invés do ponto de vista da repórter, entramos no prédio com um grupo de policiais e um misterioso doutor.

Rapidamente dá para entender que dessa vez o roteiro quer explicar o que de fato está acontecendo. O lado ruim disso é que as coisas ficam muito mastigadas e perdem um pouco aquele ar de mistério. O lado bom é que a explicação, por mais absurda que possa parecer, serve para deixar as coisas ainda mais assustadoras.

Os diretores novamente conseguem gerar grandes descargas de adrenalina no público. A ideia de ficar preso e isolado em um prédio cheio de seres violentos querendo o teu sangue continua dando medo.

Tudo acontece muito rápido e ainda sobra tempo para uma interessante frescura no roteiro. Dessa vez são dois grupos diferentes presos no prédio e a maneira que eles se encontram é criativa, rendendo bons momentos de suspense e um pouco (pouco mesmo) de humor.

Infelizmente, não tem como evitar a sensação de estarmos vendo algo um pouquinho desgastado. Apesar da curta duração e do ritmo acelerado, deu pra perceber que os roteiristas tiveram que dar uma enrolada para aumentar a duração do filme. Outro aspecto que não agrada tanto é a falta de um personagem principal para que possamos torcer e nos preocupar, como ocorreu com a repórter no primeiro filme.

Apesar desses pontos negativos, [Rec] 2 é sim uma boa experiência para quem gosta de tomar uns sustos e de sentir arrepios constantes. Vale a pena acompanhar novamente o bom trabalho dos diretores e também do diretor de fotografia, que talvez seja o grande destaque.

Só um detalhe: o bom final abre espaço para continuações, mas acho mais saudável parar por aqui.
IMDb

Crítica: Frankenstein (1931)

Não preciso nem comentar  sobre a importância do filme Frankenstein para o cinema, principalmente para o gênero do terror. Fizeram um ótimo filme e ao mesmo tempo criaram um mito, um dos personagens mais amados, homenageados e parodiados de Hollywood. São apenas 70 minutos de muita nostalgia, suspense e qualidade. Claro que não é um trabalho perfeito, mas ainda hoje ele é capaz de fascinar e ainda causar alguns sustos.

Frankenstein trata da ambição cega de um homem de criar vida e se sentir como Deus. Toda a preparação do doutor e do ajudante para colocar em prática o plano é absurda, mas encanta. Juntar pedaços de defuntos, misturar com um cérebro em conserva e esperar por um trovão é a receita para dar vida ao monstro. Uma frase muito conhecida do cinema é proferida nesse instante: It’s Alive! It’s Alive! E depois disso o fantástico Boris Karloff rouba a cena na pele do monstro, que mais tarde vai ser conhecido por Frankenstein.

O monstro aterroriza a cidade. A cena em que ele encontra a garota ao lado do lago é tocante. O que temos que nos perguntar é se o monstro é realmente mau ou se é digno de nossa compaixão. A população nem pensa muito e vai atrás dele empunhando tochas, com sangue nos olhos e gritando impropérios. Reação um tanto comum na nossa sociedade, basta pensarmos em quantas notícias sobre linchamentos nós já lemos por aí. Eis um clássico eterno, com muita justiça.

Título original: Frankenstein
Ano: 1931
País: USA
Direção: James Whale
Roteiro: John L. Balderston
Duração: 70 minutos
Elenco: Colin Clive, Mae Clarke, john Boles, Boris Karloff

/ frankenstein (1931) –
bruno knott,
sempre.

O Lobisomem (2010)

Nota: 6

Ambientado na Inglaterra do século XIX, O Lobisomem nos apresenta a Lawrence Talbot (Del Toro), um famoso ator shakespeariano. Ele recebe a visita de Gwen (Blunt), que pede a sua ajuda para encontrar Ben, marido de Gwen e irmão de Lawrence. Assim como o filho pródigo, ele retorna à terra natal e reencontra o pai, Sir John (Hopkins). Lawrence logo descobre que o irmão está morto e a julgar pelo aspecto do cadáver não foi um assassinato cometido por um simples homem, mas por uma verdadeira besta. No caso, uma besta forte, peluda, com dentes afiados, que aparece na lua cheia e que tem sede de sangue. Quem será?

Em termos de história não há muita coisa que se aproveite. Del toro, como todos já sabíamos antes de ver o filme, se transforma em lobisomen e toca o terror na cidade. Deixemos de lado o desenvolvimento de personagens e as atuações convincentes. Não dá para esperar nada desse roteiro e os atores estão no piloto automático, com poucas exceções. Mesmo assim, existem coisas bem aproveitáveis em O Lobisomem. O trabalho de direção de arte e a fotografia criam um clima suficientemente sombrio. O diretor Joe Johnston faz um trabalho competente no início do filme, quando constrói cenas decentes de algo que pode ser considerado suspense.

Mas… Benicio Del Toro não mostra nenhum carisma e não nos importamos nem um pouco com o dilema moral que seu personagem enfrenta como ser humano. Claro que o roteiro não ajuda, mas não dá pra aceitar o fato de Lawrance e Gwen se apaixonarem de uma hora pra outra. A química simplesmente não existe. E para que um  filme tão longo com tão pouca coisa a dizer? De qualquer forma, não posso deixar de exaltar as boas cenas de gore. A maneira como o Lobisomem sai matando e arrancando membros dos habitantes da região é fantástica. Se você tem interesse em ver esquartejamentos com algum humor negro e não está muito a fim de uma boa história, é aqui que você quer estar.

Título original: The Wolfman
Ano: 2010
País: EUA
Direção: Joe Johnston
Roteiro: Andrew Kevin Walker, David Self
Duração: 119 minutos (versão do diretor)
Elenco: Benicio Del Toro, Emily Blunt, Anthony Hopkins, Hugo Weaving

– O diretor Joe Johston (Jumanji, Mar de Fogo) ganhou o Oscar de melhor efeitos especiais em 1981, por Os Caçadores da Arca Perdida.

– Andrew Kevin Walker é o roteirista de Seven e David Self escreveu Estrada Para a Perdição. Que decadência, não?

E aí, gostaram do filme? É assístivel pelas cenas de gore ou é uma perda de tempo completa?

obs: essa ideia de colocar algumas curiosidades sobre os filmes eu roubei do fantástico blog da stella. confiram: BY STAR FILMES.

/bruno knott

O Pesadelo

Título original: Boogeyman
Ano: 2005
Diretor: Stephen T. Kay

Fazia tempo que eu não assistia a um filme tão ruim. Era pra ser um filme de terror, mas o diretor Stephen T. Kay não consegue assustar em nenhum momento. Não há clima de tensão ou de suspense. Ele tenta gerar medo através daquelas tradicionais e prevísiveis cenas em que há um corte rápido e um aumento na trilha sonora. Simplesmente patético.

A história não colabora, é verdade. Um garoto tem o pai raptado por um monstro do armário e isso se transforma num trauma para o rapaz. Agora adulto, só de ver um armário já fica com medo. O ator é tão ruim que em nenhum momento ficamos convencidos desse medo.

Apesar da curta duração, O Pesadelo é uma experiência das mais entediantes. O envolvimento com a história e com os personagens é tarefa impossível para qualquer ser humano. O que nos resta é sentir vergonha alheia por presenciar ideias tão imbecís.

Certamente faz parte da lista dos 10 piores filmes que já vi na minha vida. Recomendo distância. Nem a presença de Emily Deschanel e seus olhos azuis salva.

Como algo desse nível foi produzido por alguém como Sam Raimi? Bizarro.

Nota: 2