Resenha de Livro | Salem

Publicado em 1975, Salem é o segundo romance de Stephen King. O autor chamou a atenção com Carrie e havia uma boa expectativa em relação a sequência do seu trabalho. Mais de 40 anos depois não há como esconder que se trata de um livro sobre vampiros. Para vocês terem uma ideia, no Brasil ele já foi chamado de A Hora do Vampiro, uma estratégia de marketing que na realidade é um grande spoiler. O ideal seria ler e descobrir aos poucos. De qualquer forma, isso não tira os pontos positivos do livro.

A primeira parte de Salem tem um ritmo mais cadenciado. King cria um grande painel da cidade de Jerusalem Lot e desenvolve vários personagens, sempre de maneira concisa e intrigante.

Ben Mears é um escritor que cresceu em Salem e agora está de volta à cidade. Ele sofreu um trauma importante na infância quando foi provar sua coragem na sombria casa Marsten e parece estar em busca de algumas respostas. Mas não é apenas Ben Mears que chega nessa pacata cidadezinha do interior norte-americano. Kurt Barlow e Richard Straker também estão na região e decidem investir em uma loja de móveis antigos.

E aí coisas cada vez mais estranhas começam a acontecer. Um cachorro empalado, crianças desaparecendo e mortes repentinas trazem o medo e as dúvidas. O que diabos está acontecendo? Como aceitar que algo que vai contra o bom senso pode ser responsável por tudo isso?

Vamos percebendo o perigo maléfico tomando conta da cidade e de seus habitantes. Inicialmente, pequenos detalhes dão indícios sobre qual é esse perigo. O tom de urgência vai ficando cada vez maior, culminando em um inevitável confronto do bem contra o mal. Água benta, crucifixos e estacas de madeira serão extremamente úteis.

Salem tem mistério, um ar de aventura, suspense, terror e até um pouco de romance. É uma ótima opção caso você nunca tenha lido nada de Stephen King. E sugiro memorizar alguns personagens e situações, pois eles serão retomados posteriormente no cultuado A Torre Negra. Testemunhamos aqui um autor trilhando com autoridade o caminho do sucesso.

O Nevoeiro (2007)

Cotação: 8

Quando Frank Darabont resolve adaptar para as telas os livros de Stephen King podemos esperar por algo acima da média. Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre não me deixam mentir. Incluo nesta lista o maravilhoso O Nevoeiro, a parceria mais recente da dupla. Muitos falam sobre o final do filme. Alguns odeiam, outros acham a melhor coisa dos últimos tempos. Digo apenas que é excelente, mas que o filme tem várias outras qualidades. O conto escrito por Stephen King é ótimo. Ele faz parte do livro Tripulação de Esqueletos. Frank Darabont toma algumas liberdades e faz escolhas que melhoram o que já era bom.

Como o nome já anuncia, um nevoeiro enorme aparece na cidade. Muitos moradores estão no mercado local em busca de suprimentos quando o misterioso nevoeiro se aproxima. Um homem ensanguentado entra no mercado desesperado, gritando que “há algo no nevoeiro” e aí o filme começa.

Tudo transcorre num ritmo agradável, suficiente para manter nossa atenção e para desenvolver os personagens e seus medos. Demora até todos acreditarem que trata-se de uma verdadeira ameaça e apartir daí as coisas vão ficando cada vez piores. O Nevoeiro é um verdadeiro estudo sobre a raça humana. Ele mostra como alguns podem se comportar de maneira extremamente irracional em uma situação como essa. Mrs. Carmody (Marcia Gay Harden) quer fazer todos acreditarem que o nevoeiro é algo enviado por deus para que todos se arrependam e aceitem o fim.

É impressionante como as pessoas são facilmente manipuladas em momentos de urgência e desespero. Darabont mostra isso e muito mais. Além de permitir várias discussões sobre a sociedade, há muito suspense e terror psicológico e até mesmo um ar bacana de filme B. É uma história rica, que alcança o ápice no devastador, inesperado e irônico final.

Título original: The Mist
Ano: 2007
País: EUA
Direção: Frank Darabont
Roteiro: Frank Darabont, baseado em conto de Stephen King
Duração: 126 minutos
Elenco: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden, Andre Braugher, Jeffrey DeMunn

/bruno knott