Festival BUE

Não foi das tarefas mais fáceis ir até Buenos Aires conferir de perto o Festival Bue.

Fomos até lá para ver o Arcade Fire, mas também para conferir a excelente banda argentina chamada El Mato a un Policia Motorizado.

Mas faltou pouco para não perdermos o festival.

No dia anterior ao show a CGT (confederación general del trabajo) ameaçou uma greve geral para o dia 15/12, justamente o primeiro dia do festival e o dia que voaríamos até a Argentina. E lá quando tem greve geral tudo para, inclusive os aeroportos.

Para nossa sorte, a greve acabou acontecendo apenas no dia 18.

A jornada começou com uma chuva torrencial em Curitiba que atrasou o nosso voo. Ainda bem que foi um atraso pequeno. Para esse dia, não dava para ir direto para Argentina. Então fomos para Guarulhos e de lá para Buenos Aires.

Quando compramos o ingresso não havia a opção de receber em casa por se tratar de outro país. Tivemos que chegar no dia e retirar, mas não dava para tirar no local do festival, apenas nos locais autorizados espalhados por Buenos Aires.

Decidimos ir até o Abasto shopping que era mais caminho e também para podermos comer algo antes de ir até Tecnopolis.

E como Tecnopolis era longe! Fica na região metropolitana.

Até dava para tentar ir de ônibus, mas iria demorar muito mais do que o normal e também tinha o risco de parar em algum ponto errado. Então o esquema foi ir de UBER mesmo. Gastamos o equivalente a 90 reais nessa corrida.

Chegando lá, só alegria.

Deu para entender a dinâmica dos palcos e dos lugares de comer, só demoramos para perceber que havia um lugar específico para comprar e tomar cerveja. Estava muito estranho não ver ninguém tomando cerveja em um show. Mas só fomos uma vez para lá, porque tinha uma fila grande e a cerveja obviamente não estava gelada como deveria.

Paciência.

O que importa é que o show do El Mato a Un Policia Motorizado surpreendeu. Essa é uma banda que faz um som indie de qualidade. Acho que se eles fossem americanos fariam sucesso a nível mundial. O show deles foi no palco fechado e combinou com as músicas, que alternam bem entre momentos mais calmos e agitados. E as letras são fáceis de memorizar e cantar junto. Torço para que eles cresçam cada vez mais.

E o que falar do Arcade Fire? Puta que pariu.

Os caras sabem o que fazem. Eles entregaram um set list basicamente perfeito. Algumas músicas do álbum novo que não me agradaram tanto funcionaram ao vivo. Não dá para ficar parado e não cantar junto com eles. É contagiante demais. Tá certo que algumas letras são meio difíceis, mas pelo menos os refrões a gente acompanha.

Detalhe interessante é que o Win Butler tinha total consciência do momento difícil pelo qual os argentinos estavam passando e mandou umas mensagens de apoio.

Quanto ao público argentino, esperava mais. Sinceramente, até hoje nunca vi uma galera mais empolgada do que aquela que cantou com o The Killers no Lolla BR em 2013 do começo ao fim.

Falando em público argentino, tivemos o azar de ficar atrás de um rapazote pé de valsa que não parava por um segundo. O show era foda, mas tem que ter bom senso! haha

Para voltar de Tecnopolis o meu 3G me deixou na mão e não pude chamar um UBER. Tivemos que apelar para a máfia dos táxis. Parece que os táxis de Buenos Aireis não podem circular por lá em alguns horários e eles desligam o taxímetro e ‘negociam’. Resultado? Gastamos o equivalente a 200 reais em uma corrida que era para ser no máximo uns 120. Era isso ou tentar ir de ônibus como se fosse uma ida de Piraquara para o Cabral de madrugada. Melhor não, né?

E lembram quando eu disse que quase perdemos o show? O primeiro motivo foi a greve que quase aconteceu e o segundo foi o tempo.

No dia seguinte, sábado, caiu uma chuva sinistra em Buenos Aires que fez com que o Festival cancelasse algumas bandas. Por sorte a gente nem ia neste segundo dia.

Imagine viajar até lá e ter o seu show cancelado?

E detalhe, na volta tivemos que acelerar o passo em Guarulhos para não perder o voo para Curitiba.

A experiência foi muito boa, mas acho que foi a última vez que vou para fora do país especificamente para ver um show. São muitas coisas que podem dar errado. E olha que sou organizado quanto a viagens.

Show: Muse – São Paulo (2015)

muse-sao-paulo-2015

Faz tempo que me considero um fã do Muse. Minha admiração pelo trio britânico começou quando escutei o álbum Absolution há praticamente 10 anos. A partir daquela época, fui atrás dos álbuns anteriores e acompanhei de perto os lançamentos da banda. Confesso que atualmente não escuto Muse tanto como antes,  mas não iria deixar essa oportunidade passar. Finalmente havia chegado o momento de conferir de perto uma apresentação dos caras, apesar do preço abusivo dos ingressos.

Chegamos dentro do Allianz Parque umas 2 horas antes do horário previsto para iniciar o show e o que chamou a atenção logo de cara foi a quantidade de espaços vazios. Parece que o Muse ainda não tem aquela fama para lotar arenas no Brasil. De qualquer forma, na hora que eles começaram a tocar o estádio estava mais cheio. De acordo com a produtora do evento, 27 mil almas acompanharam a performance dos caras.

Uma coisa que aprendi: se você quer realmente se empolgar e sentir o show, nada de ficar em qualquer lugar que não seja a pista. Essa foi a primeira e – possivelmente – a última vez que resolvo pegar a cadeira inferior. A única coisa boa é ter uma visão privilegiada da banda e da galera, mas o bacana é estar lá no meio.

O setlist foi curto, mas muito bem equilibrado. Tivemos as músicas novas no começo. Psycho é uma ótima opção para abrir o show, com seus riffs pesados e diretos, fazendo todo mundo pular. Plug in Baby potencializa isso tudo e facilmente torna-se um dos destaques do show.

As coisas esfriam um pouco com algumas músicas mais recentes, mas pelo menos Dead Inside se revela ótima ao vivo e é mais uma oportunidade para Matt Bellamy mostrar seu talento.

Muscle Museum é tipo uma homenagem para os fãs antigos. O cara que sabe cantar essa do começo ao fim pode ser considerado fã de carteirinha.

A partir daí foi uma porrada atrás da outra. Madness, Supermassive Black Hole, Time is Running Out, Starlight, Uprising. Público cantando junto e pulando. Para o bis, Mercy e Knights of Cydonia, fechando com propriedade.

É uma pena que logo quando o show empolgou de fato, ele terminou. Será que deu 1 hora e meia no total? Passou tão rápido. Ficou evidente a qualidade técnica, os refrões incríveis cantados como se fossem hinos, a produção caprichada, mas faltou algo. Uma interação maior? Uns 30 minutos a mais? Provavelmente.

Saímos satisfeitos, mas com a noção de que eles poderiam ter feito um pouco mais.