Game of Thrones 8×06: The Iron Throne – Crítica

Fui assistir ao series finale de Game of Thrones com as expectativas moderadas e me surpreendi positivamente. Com cerca de 1 hora e 20 minutos, o episódio ofereceu muito daquilo que nos acostumamos ao longo dessas oito temporadas. Teve política, violência, humor e surpresas.

Muitos estão condenando as escolhas dos roteiristas. Há quem diga que personagens foram desconstruídos e que alguns tiveram atitudes que não condizem com o seu passado.

Não podem estar mais enganados.

A reclamação principal é obviamente a transformação de Daenerys em Rainha Louca. Os fãs da Mãe dos Dragões acham que isso surgiu do nada e portanto consideraram o episódio e a temporada uma merda colossal. Parece piada.

Indícios de que Daenerys poderia seguir por esse caminho estão em várias atitudes dela ao longo dos anos. Os roteiristas fizeram questão de colocar Tyrion falando com Jon sobre os atos condenáveis dela. Foi uma maneira
de fazer o público também entender. Pelo jeito, sem muito sucesso.

O fato é que Daenerys era uma tirana por natureza e uma sucessão de acontecimentos fizeram com que ela finalmente explodisse. E uma cidade inteira teve que sofrer as consequências de tamanha fúria. Ela sempre foi do sangue do dragão, no mau sentido.

As primeiras cenas de The Iron Throne revelam o tamanho da destruição perpetrada por ela e pelo dragão. A fotografia cinza realça o caos e a melancolia. A atmosfera é pesada demais. Tyrion, Jon e Arya ficam basicamente sem reação diante de tamanha barbárie.

Tyrion tinha uma pequena esperança de que Jaime tivesse sobrevivido, mas ele logo encontrou os seus dois irmãos unidos sem vida de baixo dos escombros. Uma cena tocante e grandiosa muito por causa da atuação de Peter Dinkalage.

Confesso que não esperava que Jon fosse o responsável por botar um fim na loucura de Daenerys. Parecia que Arya faria o serviço. Se pensarmos de maneira lógica, dificilmente Jon ficaria a sós com Daenerys, mas de qualquer forma, a cena foi bem executada e tanto Emilia Clarke como Kit Harington – sempre tão criticados – fizeram um bom trabalho.

E como foi triste ver Drogon diante do que estava acontecendo. Na sequência, a reação dele não poderia ser mais simbólica: destruir o trono
que impulsionou tudo isso. Espetacular.

A partir dai ficou a dúvida sobre quem comandaria os sete reinos. As coisas foram obviamente apressadas, mas interessantes. Sobrou tempo para uma inspirada piada sobre o sistema político de Westeros. Sam estava inventando a democracia e virou motivo de chacota. Coitado.

Bran, o Quebrado como o rei foi surpreendente de fato. Pelo menos dessa forma justifica-se toda a importância que era dada a ele ao longo das temporadas e faz com que o sacrifício de Hodor de segurar a porta tenha sido essencial. É uma pena que  o ator é bem fraco. E ele parecia promissor quando era um gurizinho.

E que belo final tiveram os Starks. Sansa evoluiu muito e jamais dobraria o joelho. Ela é a pessoa certa para  comandar o Norte. Eu esperava mais de Jon Snow, mas ele é o que é. Um homem justo e com poucas pretensões. No final das contas,ele escolheu um caminho semelhante ao do Meistre Aemon. Arya salvou Westeros do Rei da Noite e agora irá explorar o mundo. Acho que no final das contas, ela é a minha personagem favorita de Game of Thrones.

Vários epílogos para encerrar uma história e deixar claro que as coisas irão continuar.

Game of Thrones contou uma história extremamente ambiciosa, misturando política e fantasia e nos entregou episódios maravilhosos. As últimas duas temporadas foram apressadas e tiveram seus deslizes, mas no geral concluíram de maneira mais do que satisfatória tudo o que foi feito. É impossível agradar a todos. Temos que aceitar que nem todos os personagens terão finais felizes ou grandiosos. Isso está dentro do realismo que a série sempre buscou.

Sou do grupo de quem aprova o que foi feito e agora me despeço
de um dos melhores seriados de todos os tempos com uma salva de palmas e já com um ar nostálgico.

Nota: 9

Crítica: Spartacus 3×10 – Victory

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Por tudo o que o seriado já nos mostrou era natural que as expectativas para o series finale estivessem lá no alto. Boa notícia: elas foram brilhantemente correspondidas.

O episódio se inicia referenciando o filme de Stanley Kubrick de 1960, quando vários personagens gritam a plenos pulmões: “Eu sou Spartacus!”. No final das contas, tal atitude se revelou uma boa forma de atrapalhar a movimentação do exército de Crassus, pelo menos momentaneamente.

Fica claro que a metade inicial de Victory serve como preparação para a batalha final que se aproxima, mas o fato é que ela possui cenas que puxam para o lado emocional de maneira convincente. Vemos que Gannicus finalmente encontrou o amor verdadeiro graças a Sibyl, além de Nasir e Agron confirmando o que sentem um pelo outro.

Antes da batalha presenciamos um encontro entre Spartacus e Crassus. Acho que todos esperavam por isso, mesmo que soasse difícil. Na conversa foi possível ver o respeito de Crassus pelo ex-escravo, bem o oposto dos outros antes dele, como Glaber e Batiatus.

Quando Spartacus fala que “Nós decidimos o nosso destino. Não os romanos. Não os deuses” sentimos que a hora chegou. Não imaginava que nos brindariam a melhor sequência de batalha já feita para um canal de televisão.

Por cerca de 30 minutos (que parecem 5) somos absorvidos pela violência da batalha, recheada de efeitos especiais competentes, sangue e de muita intensidade por parte dos atores. Minha frequência cardíaca certamente subiu em alguns momentos, tamanha a adrenalina. Tivemos os esperados duelos entre Caesar e Gannicus, mas principalmente entre Crassus e Spartacus. Foi de tirar o chapéu. A coreografia da luta não poderia empolgar mais, com direito a um verdadeiro banho de sangue, uma trilha sonora grandiosa e um resultado imprevisível.

Estamos diante de um desfecho épico para um dos grandes seriados já produzidos. Sem tomar liberdades para agradar o público menos exigente, os roteiristas não desafiaram a lógica e deram o fim esperado para os rebeldes. Ver Gannicus crucificado foi doloroso, mas ficou provado que ninguém era capaz de derrotá-lo em um combate individual. Naevia, Ludo e Saxa tiveram o glorioso fim que almejavam: no campo de batalha em um mar de sangue romano.

E chegamos a Spartacus… eu não estava a fim de vê-lo pregado em uma cruz, mas também não gostaria que dessem um chega pra lá na História e o deixassem vivo. Os roteiristas conseguiram fazer da morte dele algo triste, mas também transmitiram uma ideia de dever cumprido. É fato que ele fez Roma tremer. Esse grito da luta pela liberdade ecoa até hoje! Devemos elogiar a atuação de Liam Mcintyre aqui. Superou-se incrivelmente.

Para fechar com chave de ouro, uma emocionante homenagem a todos que fizeram parte deste ótimo seriado, inclusive com o mito Andy Whitfield desferindo a frase “Eu sou Spartacus!!!” e nos levando às lagrimas e aos aplausos.
10/10

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Lost 6×17 e 6×18 – The End

Lost sempre foi um dos meus seriados preferidos. Minhas expectativas para o episódio final eram enormes.

Boa notícia: fui correspondido de maneira exemplar. Eu esperava algo excelente, algo digno de todo o seriado e sua reputação. Foi isso o que tive e muito mais.

Não consigo entender a ânsia de boa parte do público em ter todos os mistérios resolvidos. Dêem um tempo, por favor. Que graça teria se tudo fosse explicado por A + B? É tão bom poder bolar teorias próprias e discutir com os outros a respeito delas.

O importante é que os criadores conseguiram juntar as pontas mais relevantes neste season finale. Tenho a convicção de que o plano era esse desde o começo.

SPOILERS à frente.

Então, os flashsideways nada mais eram que o próprio purgatório, o próprio limbo! Por essa eu não esperava, mas devia.  Mais uma vez, Damon Lindelof e Carlton Cuse criam algo de impacto e que faz todo o sentido. Como não pensei nisso antes?

O que é Lost se não um seriado que mostra diversos personagens convivendo, brigando, amando, criando amizades profundas e evoluindo (ou não) como seres-humanos? Além disso, há uma ILHA, que na verdade é um personagem, cheia de seus mistérios e com uma mitologia particular.

Por 6 anos acompanhamos essa história brilhante, que nunca deixou de empolgar, seja pela complexidade dos personagens, pelos mistérios intrigantes e pelas mudanças estruturais pela qual a narrativa passou. Que outro seriado nos ofereceu flashbacks, flashforwards e flashsideways?

Flashsideways? Não.

Este final veio nos mostrar a inexorabilidade do tempo. Não importa como, onde ou quando. Todos estamos fadados ao mesmo destino. A morte. E infelizmente, nossos queridos Losties não fogem a esta implacável regra.

Foi extramamente emocionante acompanhar Desmond ajudando os outros a se lembrarem de suas vidas antes da morte. Cada uma destas cenas é carregada de muito sentimento, nos fazendo pensar durante alguns segundos sobre tudo o que vimos durante esses 6 anos.

O diálogo entre Jack e o pai se revela como um dos melhores momentos de todo o Lost.

Assim como a cena final.

Caramba.

Havia melhor maneira de fechar o arco?

Jack, cambaleando, deita-se na floresta para morrer. Vincent aparece e permance ao seu lado. Seus olhos se fecham.

Uma rima absurdamente inteligente e comovente. Impossível não sentir alguns calafrios com isso tudo.

Alguém esperava mais?

Nota: 10

– b. knott