Crítica: Duelo de Titãs (2000)

remember-the-titans-2000Estamos no ano de 1971, época em que o racismo ainda era forte no estado americano da Virginia. Tentando mudar um pouco esse panorama, o governo estabeleceu uma lei obrigando a integração racial das esquipes esportivas. A mudança começa pelo comando técnico do time de futebol americano do colégio local, que agora fica a cargo do afro-descendente Herman Boone. Após alguns desentendimentos, Bill Yoast, o técnico anterior, aceita a posição de coordenador defensivo. Ambos vão trabalhar juntos com o objetivo de realmente unir os jogadores.

Muitos achavam que haveria algum tipo de favorecimento durante os treinamentos, mas nada disso ocorre. O técnico Boone impõe um regime de treino militar, de extrema intensidade, levando os jogadores ao cansaço absoluto, com tratamento igual para todos. Uma corrida às três da madrugada e um treino longo sem permitir que os atletas se hidratassem são provas disso.

Aí entra um dos pontos mais interessantes de Duelo de Titãs: a dinâmica da relação entre os dois técnicos. Enquanto Boone às vezes exagera na rigidez, Yoast aborda os jogadores de uma forma mais tranquila. Mais do que preparar um time com possibilidades de vencer, eles querem formar um grupo de verdadeiros irmãos. Essa união dos atletas serve de inspiração para cidade, que ainda convive com revoltantes exemplos de racismo.

Mesmo com alguns clichês do gênero e com cenas pouco inspiradas dos jogos, o filme possui força própria, reservando momentos de emoção genuína e fazendo um comentário social dos mais relevantes. Não dá para deixar de elogiar também as ótimas escolhas da trilha sonora, como Creedence, Cat Stevens e The Temptations. Mais um aspecto importante que faz Duelo de Titãs ser um ótimo entretenimento.
8/10

 

Crítica: Drive (2011)

O diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn consegue criar algo raro em Drive: uma mistura de filme de ação com filme de arte. Para isso, ele se utiliza de vários recursos técnicos que tornam o trabalho estilizado, além de ter uma boa história para contar. O personagem principal, interpretado por Ryan Gosling, é um dublê de ação em Los Angeles, que também trabalha como motorista em assaltos. Após um roubo que dá errado, ele passa a ser perseguido por perigosos criminosos locais. Não espere se conectar com o motorista sem nome. Ele é um personagem introvertido, monossilábico e meticuloso. Todo o filme tem uma certa frieza que nos distancia emocionalmente do que acontece, mas nem por isso deixamos de nos impressionar com as atitudes de bom samaritano e violentas do dublê. A violência está presente de uma maneira bem sangrenta e visceral, pois apesar de alguns momentos leves como o passeio de carro no rio seco, trata-se de um material pesado. As cenas envolvendo perseguição de carro são muito bem produzidas e como são poucas, não tem como se tornarem enjoativas. O que agrada tanto em Drive é um certo ar mítico que ele tem, isso graças a sua fotografia, a trilha sonora envolvente e ao uso da câmera lenta. Drive tem tudo para virar um cult e para fazer parte da lista dos melhores de 2012 de muitos blogueiros brasileiros.
9/10 

Crítica: Namorados Para Sempre (2010)

É notório o desgaste da temática de relacionamentos no cinema, por isso quando aparece um trabalho que adiciona profundidade e ousadia ao gênero ele deve ser celebrado. É o caso de Namorados Para Sempre.
Somos jogados no dia-a-dia de um casal em crise. O distanciamento afetivo e físico entre eles é enorme. O marido se apega a bebida e a filha, a mulher se concentra no trabalho de enfermeira. Todas as cenas são muito carregadas e melancólicas. Para tentar dar uma aliviada no clima, temos flashbacks que mostram como o casal se conheceu e se apaixonou. O problema é que se formos analisar friamente veremos que desde o início esse relacionamento estava comprometido. Ao meu ver, eles se uniram por motivos errados: ela desesperada com a situação em que se encontrava, ele querendo provar para ele mesmo que o amor à primeira vista existe.
A única cena realmente capaz de nos animar é aquela em que o personagem de Ryan Gosling toca ukelele, enquanto a Michelle Williams faz um sapateado meio alternativo, mas encantador.
Namorados Para Sempre é um filme inegavelmente triste. O roteiro mostra com intensidade um relacionamento que visivelmente não deu certo. Os diálogos esbanjam sinceridade, por isso nos importamos tanto.
Minha única lamentação vai para o título nacional que tentou se aproveitar do dia dos namorados para fazer um pouco mais de grana. Eu entendo que todos precisam de dinheiro, mas um pouco de honestidade é essencial. Provavelmente, Namorados Para Sempre é o último filme que eu veria no dia dos namorados.
8/10
IMDb