Crítica: O Bebê de Rosemary (1968)

O Bebê de Rosemary funciona como uma verdadeira aula de como se fazer um filme de terror. Aqui, Roman Polanski jamais investe em sustos fáceis. Ele prefere estabelecer uma atmosfera sombria e inquietante, nos colocando na pele de Rosemary e sua atormentada gravidez. Em vez de nos assustar, ele cria situações que vão nos deixando com medo, com a intensidade aumentando progressivamente, até chegar ao limite no perturbador desfecho.
O roteiro é baseado em um livro de Ira Levin e pelo o que li, trata-se de uma adaptação bem fiel. Como uma boa história de terror, tudo começa com um casal mudando-se para um novo apartamento. Logo eles descobrem fatos estranhos envolvendo o local, como um morador que entrou em coma de maneira suspeita, uma vizinha que se suicidou e assim por diante. Eles são recebidos amistosamente por vizinhos de mais idade, que logo se mostram bastante interessados na gravidez de Rosemary.
As pistas para a verdadeira natureza dos vizinhos se fazem presentes desde o início do filme, algumas apresentadas de maneira sutil e outras nem tanto. Aos poucos as intenções deles vão sendo reveladas. O que dizer de alguém que considera o ano de 1966 como o ano um, que faz reuniões com estranhos cânticos em seu apartamento e que para completar é filho de um bruxo? Boa coisa certamente não.
Quando Rosemary descobre onde se meteu pode ser tarde demais e a sensação de desespero da personagem é compartilhada com bastante agonia por nós. Sinal de que tudo funciona muito bem neste grande clássico do cinema.
9/10

O Escritor Fantasma (2010)


Nota: 7

Um escritor fantasma é contratado por um ex-primeiro ministro britânico para escrever a sua biografia. Ele esta nessa situação, pois o escritor que estava fazendo esse trabalho anteriormente foi encontrado morto nas areias de uma ilha. Como existe muito interesse político por trás das memórias de um comandante nacional importante, o escritor entra em um universo perigosamente claustrofóbico.

O filme tem um início extremamente tenso e que dá indícios de que um grande thriller psicológico nos aguarda, mas não é bem assim. São poucos os momentos em que Polanski consegue de fato criar algum tipo de suspense. Não senti que o personagem principal estava realmente ameaçado, a não ser quando nos aproximamos do final, que sem dúvida é muito bem executado, evidenciando toda a competência do diretor.

Pierce Brosnan oferece uma grande interpretação e é justamente o seu personagem que nos desperta mais interesse. Ele é praticamente uma incógnita e, assim como o escritor, queremos saber mais sobre ele. A teoria da conspiração em que ele parece estar inserido é intrigante. Quando o filme ganha contornos de crítica aos Estados Unidos e Inglaterra e a “guerra contra o terror” ele atinge o ápice, mas devo dizer que esperava mais do diretor.

Título original: The Ghost Writer
Ano: 2010
País: França, Alemanha, UK
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Robert Harris, Roman Polanski
Duração: 128 minutos
Elenco: Ewan McGregor, Jon Bernthal, James Belushi, Kim Cattrall, Olivia Williams, Pierce Brosnan,

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