Crítica | A Orgia da Morte (1964)

A Orgia da Morte (The Masque of the Red Death) talvez seja a melhor adaptação que Roger Corman fez no seu famoso ciclo Edgar Allan Poe. Contando com uma memorável atuação de Vincent Price, o filme é uma experiência exagerada e inspirada do terror clássico. É difícil sentir medo, mas o desconforto é evidente graças as atitudes do sádico Príncipe Próspero e de outros personagens. A trama se passa na Idade Média e mostra um tipo de peste vermelha assolando a todos. Quem quer escapar da morte no castelo do Príncipe Próspero tem grandes chances de se arrepender. Um dos grandes destaques de A Orgia da Morte é a fotografia com cores pulsantes. A comparação com O Sétimo Selo é descabida e injusta, já que o filme de Bergman é uma obra prima indiscutível e tem uma abordagem diferente. Roger Corman conseguiu aqui criar uma competente experiência de terror e nada mais do que isso.

Nota: 7

O Homem dos Olhos de Raio-X (1963)

Roger Corman é um dos grandes nomes dos B-Movies, tendo dirigido filmes como A Loja dos Horrores, O Corvo, Sombras do Terror e este O Homem dos Olhos de Raio-X. Além de ser um diretor muito admirado pelo o seu público alvo, ele basicamente ajudou a impulsionar a carreira de dois grandes atores: Robert De Niro e Jack Nicholson. É um nome de respeito.
Este filme nos mostra o Dr. James Xavier e sua criação: um colírio capaz de alterar profundamente a visão, permitindo que os olhos enxerguem coisas impossíveis, como o interior do bolso de um paletó, escritos cobertos por uma outra folha de papel e até coisas mais profundas, como o corpo o humano e todos os detalhes de sua anatomia.
O que fazer com um poder desses? Dr. James Xavier é um médico que funciona como um exame de imagem ambulante, algo que teoricamente poderia facilitar o seu trabalho em certas situações, mas James comete erros atrás de erros. Chega a impressionar a impulsividade misturada com burrice deste personagem, mas as consequências de seus atos não surpreendem. Ele comete um assassinato de maneira não intencional e torna-se um fugitivo. Ele tenta utilizar a sua visão de Raio-X de diversas formas, seja como uma atração bizarra de circo ou como um curandeiro, ao mesmo tempo em que foge da polícia.
A direção de Corman é extremamente ágil, criando uma mistura eficaz de thriller, sci-fi e horror. Sobra um pouco de tempo para o humor, como na sequência da festa em que James vê as mulheres sem roupa, mas falta tempo para trabalhar melhor o personagem principal, que simplesmente não ganha a nossa simpatia. O grande momento é mesmo a cena final, essa sim inesquecível e um tanto perturbadora.
7/10