Crítica: THX 1138 (1971)

O primeiro filme de George Lucas nos mostrou um diretor visionário, extremamente preocupado em criar um visual original e futurístico, utilizando bastante criatividade para driblar o baixo orçamento. Bebendo na fonte de George Orwell, THX 1138 se passa no século 25, em uma sociedade controlada de maneira rígida tanto pela força policial como por medicamentos. Todos vivem em função do trabalho e do consumo. Demonstrações de sentimento parecem não ter vez nesse mundo. As coisas correm do jeito que os líderes querem até que um casal decide quebrar algumas regras importantes.
O filme possui um ritmo um pouco mais lento, mas a própria história exige isso. Em alguns momentos dá até para fazer um paralelo com o cinema de Kubrick, principalmente pela fotografia marcante e por uma certeza frieza que acompanha quase tudo o que vemos. É estranho comparar este THX 1138 com a obra mais famosa de Lucas, Star Wars. São filmes completamente diferentes um do outro, inclusive em termos técnicos.
Não é uma experiência muito fácil, às vezes ela pode ser cansativa e até confusa, mas vale a pena mergulhar nesse futuro sombrio proposto por George Lucas.

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Apocalypse Now

Título original: Apocalypse Now
Ano: 1979
Diretor: Francis Ford Coppola

Este é um filme celebrado em todos os cantos do mundo. É uma obra obrigatória para todos os amantes do cinema, gostem de filmes de guerra ou não. Apocalypse Now é muito debatido desde o seu lançamento, não é um comentário meu que vai fazer alguma diferença. A ideia é apenas registrar aqui toda a admiração que nutro por ele.

Durante a Guerra do Vietnam o capitão Willard (Martin Sheen) recebe uma missão pouco usual: ele deve percorrer as entranhas do Camboja em busca do Coronel Kurtz (Marlon Brando) e exterminá-lo. Kurtz era um militar respeitado nos EUA até abandonar suas obrigações militares e criar uma milícia com o povo local, operando com metódos altamente bizarros. O caminho até Kurtz é cheio de perigos e temos a oportunidade de ver a desorganização de boa parte das patrulhas americanas no conflito. Os soldados estavam mais interessados em beber, fumar maconha e atirar em qualquer coisa em movimento. Apocalypse Now é um verdadeiro épico de guerra. A criação de Francis Ford Coppola impressiona a cada frame. Ele cria um filme que estimula os nossos sentidos de uma maneira ímpar.

Melhor que a parte técnica é o lado psicológico da história. Durante o caminho Willard aprende mais coisas sobre o antigo coronel. Ao mesmo tempo ele admira e teme o que Kurtz se tornou. O público tem o mesmo sentimento do protagonista e não vemos a hora deles se encontrarem. Os diálogos entre os dois são impressionantes e funcionam como um forte manifesto anti-belicista.  Apesar de longo, o filme tem um ritmo agradável. São tantas cenas fantásticas que nem pensamos em olhar no relógio. É difícil eleger uma cena preferida, mas a minha é o famoso ataque feito pelos helicópteros ao som de Cavalgada das Valquírias, com o Robert Duvall interpretando um alucinado tenente que adora o cheiro de nalpam pela manhã.

Nota: 9,5