Crítica: Donnie Darko (2001)

Donnie Darko tem tudo o que uma grande ficção científica deve ter e mais um pouco. É daquele tipo de filme que te faz pensar bastante no que acabou de assistir. Ele permite várias interpretações, então não existe uma teoria certa, praticamente tudo é possível. Donnie é um garoto problemático. Ele tem o costume de acordar nos lugares mais inusitados, tem consultas regulares com uma psiquiatra, toma remédios de tarja preta e em uma noite recebe a visita de um coelho gigante que diz que o mundo vai acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. Como se fosse pouco, uma turbina de um avião cai em seu quarto, fazendo com que a família Darko tenha que passar uns dias em um hotel.
A história vai se desenrolando de maneira interessante e misteriosa. O diretor Richard Kelly bota o nosso cérebro para trabalhar, adicionando elementos como viagem no tempo e universos paralelos, mas de uma maneira até sutil. Ficamos na dúvida se Donnie está tendo alucinações ou se de fato as coisas acontecem como vemos na tela.
O bom é que Donnie Darko não é apenas uma grande ficção científica. O roteiro trabalha muito bem uma história de amor nada clichê e ainda faz um retrato um tanto satírico de alguns costumes dos subúrbios americanos. Tudo isso embalado com uma trilha sonora de respeito, com Echo & The Bunnymen, Tears for Fears e Joy Division.
As atuações também merecem destaque, principalmente a de Jake Gyllenhaal como o atormentado e fascinante personagem-título.
9/10

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A Caixa (2009)

Cotação: 6

A Caixa, cujo roteiro é inspirado em uma obra de Richard Matheson (autor de Eu Sou a Lenda), mostra vários pontos positivos de Richard Kelly, mas está bem longe de ter a qualidade de Donnie Darko. Muito se espera dos lançamentos do diretor, afinal ele é o criador do clássico cult Donnie Darko. Infelizmente, a cada novo filme temos uma nova decepção. Aqui temos um casal de classe média vivendo na Virgínia dos anos 70. Norma (Diaz) é uma professora e Arthur (Marsden) trabalha na NASA. Eles vivem tranquilamente as suas vidas até que recebem uma estranha caixa na porta de casa. A caixa não apresenta nada de anormal, a não ser um botão na superfície. Na sequência, eles são visitados por Arlington Steward, (Langella) que faz uma proposta nada usual: se eles apertarem o botão, ganharão 1 milhão de dólares, mas uma pessoa que eles não conhecem irá morrer. O casal tem 24 horas para tomar uma decisão.

É um enredo bastante interessante que propicia várias discussões relacionadas a moralidade e também nos permite fazer reflexões sobre a vida em sociedade. Me coloquei no lugar do casal e tentei imaginar o que faria em uma situação dessas. É uma situação sombria por si só, mas Richard Kelly deixa tudo com uma atmosfera mais sinistra ainda. Ele sabe como adicionar suspense e um ar bizarro nos seus filmes. Um exemplo é uma cena envolvendo um papai-noel no meio de uma estrada deserta. Estranha e assustadora. Apesar da ótima atmosfera e da boa ideia do roteiro, Richard Kelly se perde um pouco em sua ambição e desenvolve o filme de uma maneira absurda, fugindo de qualquer bom senso tangível, mesmo para uma ficção.

Não acho que tudo precisava ser explicado, já que um mistério sempre vai bem, mas há um excesso de pontas soltas que atrapalha o resultado final. De qualquer forma, me senti recompensado. Não é sempre que vemos um filme que estimule reflexões filosóficas e que faça analogias bacanas com a mitologia e com a bíblia. Em A Caixa vemos algumas mulheres apertando o botão e isso pode significar várias coisas: uma referência a Eva, a Pandora ou até mesmo uma suposta misoginia do diretor. Cabe a nós interpretar e decidir. Richard Kelly é ótimo para criar thrillers de suspense inteligentes, mas espero que o seu próximo trabalho tenha menos ficção e menos ambição. Quem sabe assim ele realize outra grande obra.



Título original: The Box
Ano: 2009
País: EUA
Direção: Richard Kelly
Roteiro: Richard Kelly
Duração: 115 minutos
Elenco: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella, Sam Oz Stone

/bruno knott