Crítica | Game of Thrones – 8×03: The Long Night

Game of Thrones – 8×03: The Long Night

A batalha contra o Rei da Noite e o exército das mortos prometia bastante. O diretor Miguel Sapochnik já havia mostrado sua qualidade com os épicos ‘Hardhome’ e ‘Battle of the Bastards’, então nossa empolgação era compreensível.

Tudo começou da melhor maneira possível: uma trilha sonora espetacular adicionando tensão a cada nota, a disposição dos soldados e os rostos temerosos de nossos personagens preferidos. Aí tivemos a primeira investida com os dothraki e suas espadas flamejantes. Ouvir os gritos cada vez mais baixos e as espadas se apagando a uma a uma foram indícios de que sobreviver a Batalha de Winterfell seria basicamente um milagre.

Infelizmente, minha empolgação foi diminuindo graças a péssima qualidade da imagem da HBO HD. Minha nossa senhora. Por alguns momentos eu achava que estava assistindo a uma fita VHS em minha antiga televisão Sanyo de 20 polegadas. Foi extremamente frustrante me sentir perdido em várias cenas. A noite foi realmente escura e cheia de terrores. Onde estava o Senhor da Luz para nos ajudar um pouco?

Ainda bem que Melissandre e os dragões conseguiram iluminar um pouco o céu de Westeros.

Quando os mortos começaram a subir pelo muro tudo melhorou. A fotografia se revelou extremamente bonita e finalmente pude entender o que ocorria. A carnifica comeu solta. Alguns personagens foram se despedindo, quase sempre após algum sacrifício pessoal. A Lady Mormont levou um gigante junto com ela, Beric ajudou Arya e Edd ajudou Sam.

The Long Night não foi ‘apenas’ ação. Ver o povo escondido mas criptas de Winterfell remeteu a uma situação parecida vivida por Cersei e sua corte no episódio Blackwater. A coitada da Sansa esteve presente nas duas. O pavor era palpável ali dentro.

A intensidade da batalha foi aumentando. É claro que tudo foi bem grandioso, com uma porrada de figurantes, dragões, mortos, gigantes e todo o resto, mas os momentos mais épicos foram reservados para os minutos finais.

Novamente a trilha sonora embalou uma sequência que ganhou contornos grandiosos. Theon! Acho que agora podemos dizer que ele conseguiu sua redenção. Ele precisava disso mais do que ninguém.

E que tal o final? Era óbvio que o Rei da Noite não iria vencer a batalha, mas por um momento tudo pareceu perdido. Nada como um bom Deus Ex Machina para resolver tudo, não é mesmo? Não há outro nome para o que aconteceu. Arya surgiu do nada, matou o vilão e todo o exército morreu em definitivo. Isso me fez lembrar do exército dos mortos resolvendo a batalha em Senhor dos Aneis.

De qualquer forma, o caminho de Arya começou a ser trilhado para isso desde quando empunhou a Agulha pela primeira vez. As lições de Syrio Forel, o tempo que passou com o Cão e o treinamento em Braavos fizeram dela a pessoa certa para evitar o fim do mundo. Que belo arco narrativo, hein?

Agora são apenas mais três episódios e tudo pode acontecer.

Nota: 9.5

Resenha de livro | Vidas Secas

Vidas Secas foi o quarto romance escrito por Graciliano Ramos. Publicado no ano de 1938, o livro é classificado como uma obra regionalista da segunda fase do modernismo. Escrito em terceira pessoa com uma linguagem direta e objetiva, Vidas Secas nos apresenta a uma família de retirantes nordestinos que está em busca de dias melhores.

Fabiano, Sinhá Vitória, os filhos e a cachorrinha Baleia ganham vida nas páginas de Graciliano Ramos. As situações pelas quais passa a família exemplificam a desigualdade social e o massacre do homem comum pela classe dominante. A injustiça está presente por todos os cantos deste cenário árido, quente e com poucas esperanças. Mesmo curto, o autor consegue analisar o psicológico de cada personagem, expondo o interior deles de maneira tocante. É possível ler os capítulos fora de ordem que mesmo assim tudo fará sentido. É por isso que ele é chamado de um romance desmontável.

É sempre uma experiência enriquecedora reler a obra máxima de Graciliano Ramos. A cada leitura consigo perceber coisas novas e me impressionar com este que é um dos melhores livros já publicados em terras brasileiras. Poucas vezes a crítica social soou tão forte e verdadeira.

Game of Thrones: “Winter is Coming” Crítica

Game of Thrones | 1×01 – Winter is Coming

Com a aproximação da oitava e última temporada de Game of Thrones, achei interessante rever e comentar todos os episódios desta longa jornada. É claro que os textos possuirão uma boa dose de spoilers, afinal pretendo chamar a atenção para detalhes que provavelmente deixamos passar na primeira vez que embarcamos no perigoso e fascinante mundo criado por George R. R. Martin.

Logo na primeira sequência de Winter is Coming, temos uma amostra do rico universo do seriado. A presença de um Caminhante Branco logo de cara é um sinal de que elementos de fantasia farão parte da história. Só que se trata de fantasia para adultos. Tudo vai ser trabalhado com calma e dentro de uma lógica interna difícil de se questionar.

O único sobrevivente do encontro inicial com o Caminhante Branco é julgado por deserção e caberá a Ned Stark executar a sentença. Ned é o lorde de Winterfell e o patriarca da família Stark. É fácil perceber que se trata de um homem honesto, preocupado com a esposa e os filhos e mais preocupado ainda em seguir um código de conduta. Ao contrário da maioria dos nobres, o poder não sobe à cabeça de Ned.

Ned estava vivendo sua vida tranquila no norte, até receber a comitiva de Robert Baratheon, o rei dos sete reinos e um amigo de longa data. Robert chega com um convite difícil de se recusar dadas as circunstâncias. Ele precisa de um novo “Mão” e não tem dúvidas que Ned é o homem certo.

Robert é um rei bonachão, amante do álcool e das mulheres e por tudo isso, não muito difícil de ser manipulado. Mal sabe ele que o perigo está mais perto do que imagina. A rainha Cersei juntamente com o seu irmão/amante Jaime começa a botar as mangas de fora para conquistar algo que sempre quis.

Do outro lado do mar estreito fica Pentos. É lá que se encontram Viserys e Daenerys Targaryen, filhos de Aerys Targaryen, o rei louco. Viserys não está nem aí em usar a irmã para tentar chegar ao poder que considera seu por direito. Ele bota todas as fichas no casamento arranjado da irmã com Khal Drogo, o imprevisível líder dos guerreiros dothraki.

Winter is Coming é uma introdução que cumpre o seu papel com maestria. Apesar da grande quantidade de lugares, famílias e personagens, a trama se desenrola sem pressa, nos permitindo entender quem é quem aos poucos. Não há quase nada de ação aqui, o que é mais um indício de que o seriado se preocupa primeiramente em desenvolver o enredo e os personagens. E claro, há uma cena final impactante que revela o quão maldosos as peças do jogo dos tronos podem ser.

Se você está revendo o episódio provavelmente irá notar algumas antecipações intrigantes, como os ovos de dragão, o fato de Daenerys não sentir o calor da água e os diálogos em que um membro da patrulha da noite diz que a muralha não vai a lugar nenhum e aquele em que Illyrio diz para Viserys que em breve Drogo irá lhe dar uma coroa. Ah. E é aqui que as crianças Stark adotam os lobos que vão se tornar importantes no futuro.

Nota: 8.8

Crítica | The Post – A Guerra Secreta

Ninguém em sã consciência pode duvidar da capacidade de Steven Spielberg de contar boas histórias. The Post é mais um exemplo recente de que o diretor ainda tem lenha para queimar. Apesar da trama se passar nos anos 1970, sua essência é algo que jamais deixará de ser relevante.

Baseado em acontecimentos reais, o filme retrata o emblemático caso dos “papeis do pentágono”, um documento que comprovava que os Estados Unidos não tinham a menor chance de vencerem a Guerra do Vietnã. Esse documento caiu nas mãos do The Washington Post, que enfrentou um verdadeiro dilema antes de publicá-lo. A pressão vinda da Casa Branca era muito forte, inclusive com promessas de um processo judicial que poderia levar os responsáveis pela publicação para a cadeia. É claro que a imprensa muitas vezes é responsável por um desserviço à sociedade ao impulsionar noticias falsas – principalmente nos tempos atuais -, mas aquele caso mostrou como uma matéria certa no momento certo pode colaborar para trazer a verdade a tona.

The Post é um tanto arrastado no seu primeiro ato, mas a medida que as coisas avançam a tensão aumenta. Mesmo sabendo os rumos do roteiro, não há como não se envolver com uma situação tão relevante, ainda mais com um Spielberg inspirado. Meryl Streep e Tom Hanks oferecem boas atuações e o resto do elenco é extremamente sólido, inclusive com atores que se destacaram em seriados recentemente.

Além da questão dos “papeis do pentágono” o outro tema de destaque é a quebra de barreiras por parte de Kay Graham, a primeira mulher a comandar uma empresa que ficou na lista das 500 mais importantes da revista Fortune. Ela possui o único arco do filme, já que aos poucos vai ganhando a confiança necessária para fazer o que acha certo. É justamente em alguns momentos com Kay que Spielberg dá uma exagerada na pieguice, mas o que importa é que ele conseguiu eternizar essa editora americana que foi essencial para a imprensa como um todo.

Junto com Ponte de Espiões, The Post é uma prova de que Steven Spielberg não perdeu a mão. Temos que aceitar o fato de que deslizes como Jogador Número 1 podem acontecer.

Nota: 7

Crítica: “Trench”, Twenty One Pilots

1. Jumpsuit
2. Levitate
3. Morph
4. My Blood
5. Chlorine
6. Smithereens
7. Neon Gravestones
8. The Hype
9. Nico and the Niners
10. Cut My Lip
11. Bandito
12. Pet Cheetah
13. Legend
14. Leave the City

Apesar do estrondoso sucesso de músicas como Stressed Out e Heathens eu nunca havia me interessado muito pelo duo americano Twenty One Pilots. As coisas mudaram após o ambicioso Trench. Com uma produção brilhantemente elaborada e uma primeira parte quase perfeita, o mais recente álbum de Tyler Jospeh e Josh Dun é uma experiência revigorante. O amadurecimento da dupla salta aos olhos. As letras investem na narrativa do mundo fictício de Dema e aí somos brindados com uma história que estimula a discussão de temas relevantes. Há um lado pessoal bastante evidente em boa parte das letras, o que deixa tudo mais rico. Músicas como Morph, My Blood e Chlorine possuem estruturas inspiradas que facilmente nos viciam. A mistura de gêneros que o duo gosta de trabalhar deu muito certo aqui. Elementos do rock, R&B, rap, indie eletrônico e até reggae se unem de maneira coesa, sem exageros. Não sei se todos concordam, mas notei similaridades com bandas como MGMT e Linkin Park. O que sei é que Trench irá fazer parte da lista de melhores do ano de muita gente. Merecidamente.

Nota: 8

 

Resenha de Livro: Ensaio Sobre a Cegueira

José Saramago é reconhecido como um dos maiores escritores da língua portuguesa e o livro Ensaio Sobre a Cegueira foi crucial para ele alcançar esse posto.

Em uma cidade grande qualquer as pessoas começam a ficar cegas. Não há uma explicação científica, mas o fato é que aos poucos a cegueira vai se espalhando como uma doença contagiosa. Inicialmente, os cegos ficam confinados em um manicômio, basicamente deixados à própria sorte. A única exceção é a mulher do médico. Não se sabe os motivos, mas ela mantém a capacidade de enxergar e vai servir como uma guia para os outros.

Nenhum personagem em Ensaio Sobre a Cegueira tem nome. Eles são chamados por características que os representam, como o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o garoto estrábico e assim por diante.

José Saramago tem um estilo muito peculiar, algo que pode assustar inicialmente. Não há travessões. O discurso direto e indireto se misturam. Frases longas são esculpidas com verve poética. Há ironia e humor negro. E assim que nos acostumamos com o jeito de Saramago escrever não queremos largar o livro, apesar dos horrores que nos aguardam.

A perda da visão em Ensaio Sobre a Cegueira mostra o que os seres humanos são capazes de fazer. Para o bem e para o mal. Em um momento presenciamos uma horrível extorsão e em outro vemos pessoas se sacrificando em prol do próximo.

Com a progressão da cegueira, o mundo entra em colapso. Saramago detalha a situação caótica que toma conta da cidade. A comida torna-se escassa, a água está desaparecendo, tomar banho é um luxo, a sujeira transborda em diversos lugares. Não há muitas esperanças e sobram questionamentos.

Ensaio Sobre a Cegueira não é apenas uma história criativa repleta de momentos memoráveis. É também uma alegoria brilhantemente escrita por um gênio da literatura.

Não é à toa que na epígrafe está escrito: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.

O Caçador de Pipas

Há uma chance para ser bom de novo. Será que Amir conseguirá a redenção?

Narrado em primeira pessoa por Amir, O Caçador de Pipas nos apresenta a um homem com a consciência pesada devido a erros cometidos no passado. Agora ele vive nos Estados Unidos e irá nos contar sobre os eventos ocorridos no Afeganistão dos anos 1970. Lá ele tinha um amigo e também serviçal chamado Hassan. Hassan era de um povo considerado inferior naquele região, os hazara. Eles jogavam baralho, empinavam pipa, assistiam filmes, comiam romã direto da árvore e muito mais. O laço de amizade era fortíssimo, mas um dia Amir covardemente não impede que algo de muito ruim aconteça com Hassan. Um tempo depois, Amir tem mais uma atitude totalmente condenável que faz com que Hassan tenha que se mudar.

Tudo isso acontece em meio a invasão russa do Afeganistão, algo que irá mudar completamente esse país.

O autor Khaled Hosseini é hábil ao descrever detalhes do cotidiano afegão, nos permitindo entender como as coisas funcionavam por lá. Ele merece ainda mais elogios pelo desenvolvimento dos relacionamentos entre Amir e Hassan e também de Amir e o seu pai, o baba.

Tudo o que Amir queria era que o seu baba se orgulhasse dele, o que era difícil, pois Amir era um garoto ‘diferente’. Ele preferia ficar lendo livros e escrevendo do que jogando futebol. Para baba, faltava algo a Amir.

Anos depois surge uma oportunidade para Amir tentar se redimir. Será que agora ele terá coragem para fazer o que é certo?

O Caçador de Pipas é um livro muito fácil de ler. Khaled Hosseini tem uma escrita acessível e dinâmica, mas não apressada. Em momentos derradeiros ele cria bastante expectativa. O forte são os relacionamentos entre os personagens principais, com direito a diálogos marcantes. Há um certo exagero nos acontecimentos do ato final, que soam quase que implausíveis, mas estamos tão conectados com a história que relevamos.

Podemos julgar Amir como alguém que não deu valor ao seu melhor amigo e o prejudicou. Mas o fato é que as pessoas cometem erros ao longo da vida, ainda mais em uma idade em que a maturidade ainda está longe de chegar. Todos tem direito a uma segunda chance. Como diz Rahim Kham: Há um jeito para ser bom de novo.

Extinção (Extinction, 2018)

SCI-FI repleta de clichês e atuações sem inspiração.

Extinção é mais uma bomba produzida pela Netflix, que precisa urgentemente melhorar a qualidade de seus filmes. Somos apresentados aqui a um homem que está sofrendo com pesadelos. Ou será que são visões? Ele vê uma invasão, o mundo destruído e sua família sofrendo. As sequências alternando entre essas visões e o presente fazem o ritmo de Extinção algo errático. Quando menos percebemos as coisas começam a acontecer rápido demais. Não existe tempo para criar um mínimo de empatia por Peter e sua família. Aberrações em forma de clichês se fazem presentes, principalmente nas atitudes das filhas de Peter, que obviamente servem apenas para deixar todos em risco. Por um dado momento, achei que estava diante de um fraquíssimo spin-off Colony. Com efeitos especiais irregulares, atuações no piloto automático e uma reviravolta pouco inspirada, Extinção é uma experiência sofrível.
IMDb

Bom Comportamento

Uma abordagem que foge do lugar comum para um thriller.

Bom Comportamento é um coquetel explosivo do que o cinema do gênero pode oferecer. Com atuação compenetrada de Robert Pattison, uma trilha sonora enérgica e uma câmera sempre atenta dos irmãos Safdie, o filme se revela uma experiência intensa e surpreendente. A premissa não é exatamente original, mas a a abordagem foge do lugar comum. As escolhas do roteiro e dos diretores podem soar estranhas em um primeiro momento, porém elas fazem sentido neste redemoinho caótico de prazer cinéfilo. Basicamente, acompanhamos Connie Nikas tentando arranjar 10 mil dólares para soltar o irmão que foi preso em uma tentativa fracassada de roubo a banco. Apesar de possuir presença de espírito, Connie não é um gênio do crime. Testemunhar seus acertos e erros em uma madrugada insana é de tirar fôlego. Há ainda espaço para uma rápida crítica social aqui. Nem precisava. Bom Comportamento é daqueles filmes diferentes que precisam de um tempo para entrarmos no ritmo. E quando isso acontece, nossa imersão é total.

Nota: 8.5

Crítica: Interestelar (2014)

interstellar-6

Apesar de não me considerar exatamente um fã de Christopher Nolan, reconheço que este é um diretor de imensa qualidade. Desde o magistral The Dark Knight acompanho com grande entusiasmo seus próximos lançamentos e devo dizer que Interestelar correspondeu a quase todas as minhas expectativas e tem grandes chances de estar na minha lista de melhores do ano.

Não estamos diante de uma obra perfeita, mas os acertos são tão contundentes que os erros ficam muito longe de atrapalhar a experiência como um todo. Para os amantes da ficção científica temos um prato cheio e saboroso. A ambição de Christopher Nolan parece não ter limites e quem aproveita somos nós. Recomendo fortemente que seja visto no cinema e na maior tela possível. As imagens são belas demais para serem admiradas de outra forma.

Então vamos a história.

O ano representado aqui não é informado de maneira precisa, porém fica claro que trata-se de um futuro não muito distante. Os problemas enfrentados pela espécie humana não são poucos. É uma sociedade que sofre pela superpopulação, pela escassez de alimentos, pelo aumento do nitrogênio, pela poeira que toma conta da atmosfera – às vezes com violentas tempestades de areia – , e por um sentimento de que o fim está cada vez mais próximo.

Alguns profissionais não são mais valorizados, como os engenheiros. Há até quem duvide que o homem alguma vez foi à lua. Já fazendeiros e agricultores são extremamente necessários, mas mesmo eles não conseguem encontrar uma saída para as pragas que tomam conta das plantações.

É nesse cenário caótico que conhecemos Cooper e sua família. Ele era um engenheiro e foi piloto de testes na NASA e agora é mais um fazendeiro que tenta ajudar da melhor maneira possível.

Graças a uma mensagem de origem desconhecida e interpretada por sua filha Murph, Cooper se dirige a uma instalação da NASA. Lá ele toma conhecimento de alguns planos para tentar salvar a vida na Terra e ele é convocado para a missão de encontrar um planeta habitável em outra galáxia.

O primeiro ato estabelece esse cenário preocupante com muita eficiência, além de servir para mostrar o quão forte é o laço sentimental entre Cooper e seus filhos, principalmente Murph. É claro que muito se deve a ótima atuação de McConaughey, que é um dos elementos essenciais para o sucesso do filme.

Após a missão ter início as coisas ficam ainda mais sérias e aí acompanhamos diversos conceitos científicos sendo abordados. Confesso que em alguns momentos me perdi no meio de tantas teorias envolvendo relatividade, física quântica e afins, mas a minha empolgação jamais diminuiu. A história exige nossa máxima atenção e somos recompensados por isso.

Christopher Nolan acerta em cheio nas cenas de ação, nas belas sequências que apenas mostram a nave vagando pelo espaço e também nos momentos mais intimistas. Quem considera Nolan um diretor frio vai ter que rever seus conceitos a partir de agora.

Consigo enxergar a influência de vários diretores aqui e cito os quatro mais evidentes: Mallick, Kubrick, Tarkovsky e Spielberg. Pode ser que Nolan não alcance a excelência de nenhum deles, mas o fato é que ele merece aplausos por conseguir misturar elementos destes quatro monstros do cinema de maneira coesa e impactante.

Há quem reclame do final, considerando até que estamos diante de um deus ex-machina (final improvável e artificial), algo de que discordo. As pistas estão lá na nossa cara e temos que entender que quando um enredo trabalha com viagem no tempo os paradoxos são quase inevitáveis. Além disso, o físico Kip Thorne trabalhou como consultor e aprovou o resultado final.

Tenho a impressão que Interestelar vai ser cada vez mais admirado ao longo dos anos. Eu mesmo já gosto mais dele hoje do que ontem, com direito a um acréscimo na nota.
9/10

As Três Noites de Eva (1941)

the-lady-eveAs Três Noites de Eva, filme estrelado por Henry Fonda e Barbara Stanwyck e dirigido por Preston Sturges, é considerado por alguns críticos como uma das melhores comédias já produzidas em Hollywood, opinião que estou longe de compartilhar. Não que acompanhar os encontros e desencontros da sagaz Jean e do ingênuo Charles seja uma experiência sem atrativos, mas os defeitos da obra acabam ofuscando seus acertos. De positivo temos o ritmo agradável, a brilhante atuação de Barbara Stanwyck, interpretando uma mulher ousada, inteligente e conquistadora e também alguns diálogos e situações engraçadas, com direito a boas doses de tensão sexual. Mas as coisas boas param por aí. A trama é tão absurda que não nos permite embarcar na história. Os personagens passam do amor ao ódio em questão de minutos, isso sem falar na forçada da barra quando Charles não reconhece Jean nas cenas em que esta finge ser uma aristocrata inglesa. As gags visuais repetitivas também não colaboram. Qual a graça de ver o mesmo personagem tropeçando umas 4 vezes em questão de poucos minutos? Ao meu ver, nenhuma. Temos aqui um clássico considerado intocável, mas que não provoca emoções genuínas e que simplesmente não empolga.
6/10

Review: Game of Thrones 4×05 – First of His Name

game-of-thrones-4x05-first-of-his-nameO episódio se inicia com a coroação de Tommen, o primeiro do seu nome, rei dos ândalos e lorde dos 7 reinos. Algumas coisas chamaram minha atenção nesta sequência, como a troca de olhares entre Margaery e o novo rei, além da conversa de Margaery e Cersei. Esta reconheceu que o filho era um monstro e a outra dissimulou muito bem o seu desejo de ser rainha.

Tywin revela que essa aliança com os Tyrell é mais importante do que se pensa, afinal Porto Real encontra-se em uma enorme dificuldade financeira. Parece-me que Tywin não anda mais “cagando ouro”, como é dito nos livros.

Talvez o que mais me agradou neste episódios foram as cenas de duas duplas espalhadas por Westeros: Arya e Cão de Caça e Poddrick e Brienne. A garota Stark praticava os ensinamentos que recebeu de Syrio Forel quando o Cão de Caça começou a tirar sarro do estilo de combate dela de um jeito nada simpático, obviamente. O fato é que ele mostrou ter um pouco de razão. Poddrick e Brieene começam a se conhecer melhor e o jovem escudeiro demonstra algumas dificuldades na sua função, nos garantindo boas risadas. De qualquer forma, ficou evidente que uma amizade está se formando.

Não gostei muito da sequência de Daenerys por ser curta e por deixar claro que o ataque que queremos vê-la fazendo vai demorar um pouco ainda. Isso está um pouco enrolado e repetitivo, convenhamos. Tudo bem que é assim nos livros, apenas acho que George Martin poderia ter acelerado esse processo. E onde estão nossos queridos dragões?

E o que dizer de Sansa, Mindinho e Lysa Arryn no Ninho da Águia? Ficou evidente a carência de Lysa Arryn, hein? A mulher quis casar o quanto antes com Petyr para poder “gritar tão alto que vão me escutar no mar estreito”. E foi o que aconteceu, grande Mindinho! Outro momento de destaque foi a conversa entre Lysa e Sansa, que teve inicio como um típico bate-papo entre tia e sobrinha e terminou em um acesso de ciúme bizarro de Lysa. É claro que Sansa não aguentou o tranco e foi às lágrimas, coitada.

Para fechar este razoável episódio, a sequência de Jon e os outros liquidando com os traidores na fortaleza de Craster. Por um momento achei que Brandon e Jon iriam se encontrar, mas é claro que não nos dariam essa alegria tão cedo. Pelo menos, nos reservaram algumas situações animadoras e até emocionantes: Bran controlando Hodor e matando Locke e o reencontro de Jon Snow e Fantasma.

Particularmente, não me empolguei tanto com este episódio. Personagens como Arya, Daenerys e Brienne tiveram muito pouco tempo de destaque e algumas coisas soaram um tanto repetitivas. Apesar disso, confio nos roteiristas da HBO plenamente. Já foi provado que eles são capazes de amarrar os arcos narrativos de maneira inteligente, sem desrespeitar a essência do material original.
7.5/10