Crítica: Enrolados (2010)




É fácil constatar que as animações estão ficando cada vez melhores. Hoje em dia temos a certeza de que pelo menos duas ótimas animações serão lançadas a cada ano. Claro que isso se deve e muito a Pixar, mas existe vida inteligente em outros estúdios, como a DreamWorks e agora a Disney, que parece ter se reinventado de uma maneira positiva.

Enrolados oferece sangue novo para a história da Rapunzel e seus cabelos quilométricos. A essência é a mesma, mas tantas coisas boas foram adicionadas que podemos dizer que trata-se de um novo desenho. Quando ainda era um bebê, Rapunzel foi raptada do castelo dos pais pela malvada Gothel, que trancafiou a garota numa enorme torre e por anos se aproveitou da mágica do cabelo do Rapunzel para permanecer jovem. A garota não vê a hora de explorar o mundo lá fora, apesar dos perigos mencionados pela mãe. A oportunidade aparece na pessoa de Flynn, um habilidoso ladrão.

A animação tem uma carga de energia muito grande e é ótima para ser apreciada no 3D. É impossível ficar entediado com tamanha presença de espírito por parte dos roteiristas, que criam humor com facilidade e apresentam personagens memoráveis, como o camaleão superprotetor, o cavalo orgulhoso e estiloso e um mímico um tanto excêntrico. Não sou muito fã de números musicais em desenhos, mas aqui eles funcionam bem. Os estúdios Disney ainda não alcançaram o nível de excelência dos parceiros da Pixar, mas se outras animações divertidas e tocantes como Enrolados forem produzidas é uma ambição possível.

Título original: Tangled
Ano: 2010
País: USA
Direção: Nathan Greno, Byron Howard
Roteiro: Dan Fogelman
Duração: 100 minutos
Elenco: Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy, Ron Perlman

/ enrolados (2010) –
bruno knott,
sempre.

Minhas Mães e Meu Pai (2010)


Nota: 7

Como não poderia ser diferente, um filme cuja primeira cena tem Vampire Weekend como trilha sonora ganha minha atenção imediata. Mais do que isso, a história e os personagens de Minhas Mães e Meu Pai conquistam rapidamente e quando menos percebemos estamos grudados na tela. A família apresentada é composta por duas mulheres, que são as mães do título nacional, um garoto de 15 anos e uma garota de 18. Ambos foram gerados graças a Paul, que antigamente vendia seu esperma para juntar uma grana. Por curiosidade, o garoto quer conhecer o pai biológico e aos poucos Paul vai fazendo parte da vida de todos eles.

Apesar da família não convencional, vemos representado na tela os dramas de qualquer família do planeta. A superfície aparentemente light garante bons momentos de humor, mas também são mostrados alguns pontos complicados da vida de um casal, como quando o encanto pelo outro perde um pouco de espaço para o trabalho ou outra coisa do tipo. Claro que já vimos algumas cenas retradadas aqui em outros filmes, mas o carisma do elenco e a honestidade do roteiro nos torna cúmplices dos personagens e das situações vividas por eles.

O roteiro também dedica tempo para os filhos do casal. Que pai/mãe já não se preocupou com as amizades do filho ou com o fato da filha voltar para casa dirigindo com uma boa dose de álcool no sangue?  Tudo bem que é clichê, mas tudo é suficientemente real para nos convencer e nos fazer importar. A atuação de Annette Bening é ótima, mas o meu destaque vai para a Julianne Moore que demonstra uma doçura misturada com desespero como só ela é capaz. Longe de ser um filme feito para chocar, Minhas Mães e Meu Pai é um trabalho para ser admirado pela sua qualidade.

Título original: The Kids Are All Right
Ano: 2010
País: USA
Direção: Lisa Cholodenko
Roteiro: Lisa Cholodenko, Stuart Blumberg
Duração: 106 minutos
Elenco: Annette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson

/minhas mães e meu pai (2010) –
bruno knott,
sempre