Crítica: Abre los Ojos (1997)

César é rico, jovem, tem boa aparência e gaba-se de não dormir com a mesma mulher mais de uma vez. A partir do momento em que Sofia entra em sua vida as coisas mudam. Os dois passam uma noite das mais agradáveis e ele começa a acreditar que pode ter descoberto o amor. No dia seguinte, ele pega carona com Nuria, uma mulher que ele tinha acabado de rejeitar. Nuria é tão obcecada por César que provoca um acidente de carro, suicidando-se e causando diversas sequelas no rapaz, principalmente em seu rosto, agora completamente desfigurado. Uma simples escolha pode alterar de maneira irreversível a vida de alguém.
Um filme que parecia um simples romance vai ganhando tons mais sombrios e profundos. Este novo rosto causa uma drástica alteração psicológica em César, que muitas vezes prefere usar uma máscara a ter que se expor perante os outros. Após um porre homérico, impulsionado pela certeza de que Sofia já não se mostra mais interessada no que parecia um exemplo de amor sincero, César acorda com a cabeça no meio-fio da calçada. A partir daí coisas estranhas acontecem, algumas que remetem aos melhores sonhos e outras aos piores pesadelos.
Quando começamos a entender o que está acontecendo somos tomado por um sentimento de estupefação. Abre los Ojos se mostra um filme absolutamente inteligente e surpreendente, ainda que o seu desfecho seja mais mastigado do que deveria.
8/10

Vanilla Sky

Título original: Vanilla Sky
Ano: 2001
Diretor: Cameron Crowe

É um consenso entre os cinéfilos de que Vanilla Sky é um remake desnecessário do ótimo Abre los ojos, do espanhol Alejando Amenábar. Não para mim. Cameron Crowe não fez uma simples cópia. Claro, a história é basicamente a mesma, porém Crowe faz uma abordagem bem diferente. Enquanto Amenábar cria um filme sombrio, com mais tensão psicológica e menos explicações, Crowe entope o filme de referências a cultura pop e dá um ar mais light para a história, ainda que ela seja essencialmente difícil. Aí depende do tipo de filme que te agrada mais no momento. Eu escolho o do Crowe.

Tom Cruise interpreta um verdadeiro playboy chamado David Ames. Ele mora em New York e é extramamente rico, não por habilidade própria, mas sim, por continuar o trabalho do seu falecido e distante pai. É um cara que não mantém relações profundas com as mulheres, preferindo ser adepto da amizade colorida. Uma dessas mulheres é Julie Gianni (Cameron Diaz). Para ela, David não é apenas uma relação casual. Ela é realmente apaixonada por David e insiste que fazer sexo quatro vezes durante uma noite quer dizer alguma coisa. Problemas à vista.

Essa visão distante em relação ao sexo oposto começa a mudar quando ele conhece Sofia (Penélope Cruz), que é apresentada por Brian (Jason Lee). Aquele clichê de amor a primeira vista parece funcionar aqui. Os dois passam uma noite fantástica, ambos se conhecendo de verdade, escutando músicas, bebendo vinho e fazendo caricaturas um do outro. David acredita que está diante da última garota semi-pura de Nova York.

Mas, aí… Cameron Crowe nos mostra que pequenas atitudes podem ser responsáveis por grandes mudanças e uma escolha de David vai alterar todo o seu futuro.

Estão vendo esta foto que escolhi? Ela representa um ponto de mudança no filme. A partir daí tudo acontece de uma maneira diferente. Pistas para a explicação que é dada no final estão por toda parte e fazem sentido dentro do contexto do filme. Apesar de ser um drama com romance, há este lado meio sci-fi, que necessita de um olhar mais atento do público.

Vários detalhes fazem de Vanilla Sky um ótimo filme: as músicas que Cameron Crowe sabe inserir no contexto dos filmes como ninguém. Jeff Buckley, REM, Radiohead, Sigur Ros e Beach Boys estão presentes e aumentam a qualidade do filme.

Se após a cena do elevador você pensar que perdeu o seu tempo com um monte de lixo, eu não te culpo, pois sei que é um trabalho irregular, mas se depois essa cena você ficar num estado de êxtase, seja bem vindo ao grupo dos admiradores de Vanilla Sky.

Nota: 8

– B.K.