Crítica: RoboCop (1987)

O diretor Paul Verhoeven nos mostra uma Detroit futurista tomada pela violência. Nos jornais só existem notícias de guerras, armas nucleares e sofrimento, mostrando que não é apenas a cidade de Detroit que convive com a criminalidade e sim o mundo inteiro. Após o frustado teste do robô ED 209, na sequência que talvez seja o melhor exemplo do humor negro do filme, a empresa que privatizou a polícia da cidade resolve criar o policial meio homem, meio máquina, o RoboCop. Depois de ser brutalmente assassinado, Murphy torna-se a cobaia perfeita para a experiência.
Vários elementos tornam o filme muito mais do que um excelente exemplar de ação. O humor peculiar está presente em várias cenas e em vários diálogos, como aquele em que certo personagem diz para o RoboCopYou’re gonna be a bad motherfucker“. Não faltam também críticas sociais. Verhoeven cria uma Detroit consumida pelo crime. Um lugar tão corrupto que aqueles que desenvolvem este instrumento da lei colocam em seus circuitos uma diretriz que o impede de prender os altos funcionários da empresa. Isso que é estar acima da lei, hein? Clarence Boddicker, o vilão, é o supra-sumo da malignidade. O cara não hesita em meter um balaço na cabeça de um tira, destrói o carro novo de um comparsa e gruda um chicletes no crachá de uma secretária. Ele é realmente uma ameaça, assim como Dick Jones, seu superior.
Apesar deste status de máquina, ainda existe um ser com emoções embaixo daquela estrutura de titânio e kevlar. Como explicar as manobras que RoboCop faz com sua arma, do mesmo jeito que o seu filho queria que ele fizesse quando ainda se chamava Murphy, mesmo com a memória apagada? Esses momentos em que ele consegue relembrar de sua família mostram que Murphy não está totalmente morto.
A versão unrated traz cenas das mais intensas no quesito violência e até do gore, que são elementos necessários para fazer do filme uma experiência ainda mais completa. Agora é torcer para que José Padilha saiba como reviver o personagem mantendo a qualidade.
9/10

Crítica: O Vingador do Futuro (1990)

Quando se fala em Schwarzenegger é quase certo que nos venha a cabeça os filmes O Exterminador do Futuro, Predador e Conan, mas este O Vingador do Futuro é sem dúvida um dos grandes trabalhos do ator. Cresci assistindo a este filme, mas confesso que sem entender muito naquela época. Só a presença de Schwarzenegger e um monte de sangue e membros decepados me deixavam fascinado e um pouco com medo. Quinze anos depois é impressionante constatar que o filme não perdeu a força. É uma ficção-científica inteligente e com bastante ação, que vai ganhando um ritmo cada vez mais frenético a medida que se aproxima do clímax.
Douglas Quaid é obcecado pelo planeta marte, mas não possui o dinheiro necessário para fazer uma viagem até o planeta vermelho. A saída mais econômica é ir até a empresa Total Recall e comprar uma memória de uma viagem a Marte. Como um plus, ele tem a opção de ser uma pessoa diferente nessa memória e escolhe ser um agente secreto, perseguido por assassinos e que encontra uma morena “atlética” e “atirada”.  O fato é que essa ida a Total Recall o faz perceber que a sua memória tinha sido apagada e ele é realmente um agente secreto que precisa agora buscar respostas.
A história de O Vingador do Futuro é baseada em um conto do mago da ficção Philip K. Dick, chamado We Can Remember It for You Wholesale. Durante todo o filme nós ficamos tentando adivinhar se Quaid está vivendo a realidade ou um sonho, sem termos certeza absoluta. Essa dúvida é um dos pontos fortes do filme, isso sem falar nas várias cenas violentas e que beiram ao gore. Paul Verhoeven não demonstra nenhum tipo de piedade para com os personagens, que morrem de maneiras criativas e sinistras. Não existe politicamente correto aqui, permitindo que Quaid se defenda de tiros usando uma pessoa como escudo, que um ratinho indefeso receba um tiro de espingarda e que Arnold faça uma piada ofensiva contra um mutante de cara feia.
Existe um lado de sátira social, assim como Verhoeven fez em Robocop e Tropas Estelares. A diferença é que o cenário é Marte e o tempo é o futuro, mas os podres da nossa sociedade estão lá. Corrupção, terrorismo, assassinatos e muito mais.
Quanto mais nos aproximamos do desfecho mais empolgante o filme fica, sempre com bastante ação e várias revelações surpreendentes pelo caminho, além da presença de personagens dos mais grotescos de se ver. É tudo o que esperamos de uma ficção científica sem tantas pretensões, mas cheia de qualidades. BK
8/10