Crítica: Sobrenatural (2010)

Não concordo com quem tacha Sobrenatural de um “mais do mesmo”. Ok, o roteiro em si nós já vimos em outros filmes, mas a maneira com que o diretor cria uma sensação de terror e aflição não é tão fácil de se encontrar por aí.

O medo está presente nos detalhes, como vultos percorrendo corredores, vozes escutadas pela baba eletrônica, sons pela casa e assim por diante. Ficamos tensos com todo esse suspense criado e ainda aproveitamos alguns sustos pontuais.

Toda a primeira parte, em que temos o garoto em coma e coisas estranhas começando a acontencer, é digna do nosso tempo em frente à tela. O problema surge no ato final e o seu teor trash. A situação toda é obviamente absurda, mas conseguimos aceitar a ideia durante boa parte da experiência, menos no final. A resolução de tudo é absurda demais. Não sabemos ao certo se trata-se de um filme para ser levado a sério ou não, já que no segundo ato temos um tipo de alívio cômico com a introdução de dois personagens inspirados nos caças-fantasmas. Admito que esses personagens conseguem nos fazer rir em alguns momentos, mas eles ficam um tanto deslocados com o ar sério que a história tinha até então.

Para quem gosta do gênero é uma boa pedida, ainda que o final não consiga satisfazer a boa expectativa criada nos primeiros 45 minutos.
7/10

Crítica: Uma Manhã Gloriosa (2010)

 

Uma Manhã Gloriosa não é um filme que revolucione o gênero comédia, mas o fato é que bons momentos de humor são encontrados aqui, muito em função da atuação cheia de energia de Rachel McAdams. Ela interpreta Becky Fuller, uma produtora de televisão que se vê trabalhando no Daybreak, um programa matutino fadado ao fracasso.

Becky é uma workaholic ao extremo. Ela simplesmente não para.  Parece que ela está impulsionada por litros de café e Red Bull, sempre atrás de alguma matéria interessante que possa aumentar a audiência do programa. Ainda que o roteiro exagere na tentativa de nos fazer rir atráves do humor pastelão, Rachel McAdams nos conquista com sua presença de espírito e doçura.

Uma ideia para fazer o programa funcionar é ter Mike Pomeroy (Ford) como âncora. Ele é um jornalista renomado, vencedor de vários prêmios importantes. Vê-lo trabalhando no apelativo horário da manhã, esbanjando arrogância e sarcasmo, é garantia de boas risadas.

Apesar das qualidades, o filme sofre por ser formulaico e ter aquele ar de “mais do mesmo”. Quase nada é original e o rumo das coisas é fácil de advinhar. A trilha sonora em alguns momentos exagera na melosidade e prefiro nem comentar o romance, que é previsível, forçado e não colabora em nada para a história.

Deixando essas irregularidades de lado, podemos sim curtir os bons momentos de Uma Manhã Gloriosa, que não tem pretensão alguma, a não ser divertir.
IMDb

/b.k.