Crítica: 12 Anos de Escravidão (2013)

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Com as expectativas lá no alto fui conferir a 12 Anos de Escravidão, filme indicado a 9 Oscar e presente em diversas listas de melhores do ano de renomados críticos internacionais. Logo nas primeiras cenas eu já percebi que estava diante de um exuberante trabalho do cineasta Steve McQueen e após todos os intensos 134 minutos as minhas expectativas foram mais do que superadas.

Adaptação do livro escrito pelo próprio Solomon Northup (o personagem principal), o filme nos mostra a sua poderosa e emocionante história. Solomon era um escravo liberto vivendo tranquilamente na Nova Iorque de 1841, até ser enganado, sequestrado e enviado para o sul dos Estados Unidos, onde foi novamente transformado em escravo. Trata-se de uma situação revoltante e de partir o coração, especialmente quando Solomon compreende o que está acontecendo. E aí começa o excelente trabalho de Chiwetel Ejiofor, que se entrega em absoluto para papel. Suas expressões demonstram claramente toda a indignação, raiva e resignação do personagem. Nossa conexão com ele é instantânea. Sofremos com ele desde o começo e torcemos para que consiga escapar dessa situação.

Mais do que contar a história de um indivíduo, 12 Anos de Escravidão nos transporta para aquele absurdo período em que a escravidão ainda fazia parte do Novo Mundo. Tudo é muito realista. São várias as cenas que focam na brutalidade com que os escravos eram tratados, seja através da dor física ou psicológica. Uma sequência em que uma mãe é separada dos filhos é das mais angustiantes. Vemos aqui um retrato arrebatador daquele período, potencializado, ainda, pela qualidade técnica dos cenários, figurinos e fotografia.

12 Anos de Escravidão funciona não só como um excelente exemplar do cinema, mas também como um lembrete do abominável período escravocrata. Este filme deve fazer parte de qualquer aula de História sobre o tema. Estamos diante de um clássico instantâneo, com todo o merecimento.
10/10

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País: Estados Unidos/Reino Unido
Ano: 2013
Direção: Steve McQueen
Roteiro: John Ridley
Duração: 134 minutos
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael K. Williams, Michael Fassbender, Paul Dano, Lupita Nyong’o, Benedict Cumberbatch, Brad Pitt

Crítica: Philomena (2013)

philomena-2013Confesso que ao assistir ao trailer pela primeira vez, encarei Philomena como um dramalhão previsível moldado para fazer bonito no Oscar. Tive imensa alegria em constatar que eu estava errado. Estamos diante de outro grande filme de Stephen Frears, diretor responsável pelos ótimos Alta Fidelidade (2000) e A Rainha (2006).

Baseado em fatos reais, Philomena conta a história de uma senhora de 70 anos em busca do filho que ela não vê há quase 50 anos, tendo, para isso, a ajuda do jornalista Martin Sixsmith, sedento por uma boa história para retomar a carreira.

O passado de Philomena foi trágico. Ela engravidou cedo sem estar casada, algo considerado pecaminoso pelos fervorosos católicos da Irlanda. Ela foi recebida em um convento durante a gestação e por mais quatro anos, período em que deveria trabalhar praticamente como escrava. Ela podia ver o filho durante um curto período do dia, isso até o momento em que as freiras o venderam para um família americana. O filme nos revela uma prática doentia e comum na Irlanda de antigamente, um verdadeiro crime da igreja católica.

Philomena e Martin partem para uma viagem aos Estados Unidos à procura do filho dela. Podemos esperar por algumas surpresas e revelações, mas principalmente por uma excelente química entre os personagens principais. Martin sempre se mostra respeitoso para com Philomena, ainda que ele faça alguns comentários um tanto irônicos em alguns momentos, inclusive expondo seu ateísmo. Apesar do material ser essencialmente triste, o diretor Stephen Frears investe em uma abordagem mais leve, com doses não exageradas de humor e acerta em cheio.

É inevitável não nos comovermos em algumas cenas e a bela atuação de Judi Dench é a grande responsável por isso. Jamais me senti manipulado durante a sessão. Philomena emociona de uma maneira sincera e autêntica. Esta é uma experiência das mais agradáveis e equilibradas que o cinema ofereceu recentemente. Uma mistura perfeita de drama e comédia.
9/10

Título original: Philomena
País: Reino Unido/Estados Unidos/França
Ano: 2013
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Steve Coogan, Jeff Pope
Duração: 98 minutos
Elenco: Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark, Michelle Fairley