Nascido em 4 de Julho (1989)

Tom Cruise e William Dafoe em Nascido em 4 de Julho, 1990
Tom Cruise e Willem Dafoe em Nascido em 4 de Julho, 1990

Juntamente com Platoon e Entre o Céu e a Terra, Nascido em 4 de Julho faz parte da trilogia de Oliver Stone sobre a Guerra do Vietnã. Aqui, o diretor faz um verdadeiro manifesto contra tudo o que envolve a guerra. Para tanto, a trama nos apresenta a Ron Kovic, um jovem patriota que se sente na obrigação de atravessar o planeta para matar ou morrer. O que leva alguém decidir seguir isso caminho?

Nascido em 4 de Julho desenvolve muito bem o seu personagem principal. Acompanhamos um Kovic criança que adora brincar de soldado e que ama o seu país. Mais crescido, depois de se sentir um tanto sem rumo e de se impressionar com a propaganda militar, ele torna-se um voluntário e embarca para o caos.

Analisando as cenas de batalha em termos estéticos e de ação, chegamos a conclusão que elas não são o ponto forte do filme, mas que cumprem o importantíssimo papel de mostrar como essa guerra foi absurda. Duas cenas extremamente fortes não me deixam mentir.

O fato é que Kovic é ferido e fica paralisado da cintura para baixo. E aí é que Nascido em 4 de Julho realmente começa. Kovic tem que encarar inúmeras provações durante sua recuperação. Em um ambiente hospitalar dos mais precários e semi-abandonado pela família, ele começa a repensar suas ideologias.

Indicado a 8 Oscars, o filme comprova o talento de Tom Cruise e de Oliver Stone, além de transmitir uma dolorosa e eficiente mensagem contra a barbárie da guerra. Nascido em 4 de Julho é uma experiência difícil e incômoda, mas necessária.

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Crítica: Platoon (1986)

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Não é exagero dizer que Platoon é um dos filmes de guerra mais autênticos e realistas já produzidos, principalmente se pensarmos em termos de Guerra do Vietnã. Para comprovar tal afirmação, basta sabermos que o diretor Oliver Stone serviu na infantaria americana no conflito e que o personagem principal basicamente representa o próprio diretor. Ao analisarmos entrevistas de Stone sobre o filme e a Guerra em si, vemos declarações sinceras que demonstram seu desejo de transmitir para o público a sensação de estar no meio daquele caos. Para completar, uma exibição do filme a alguns veteranos da guerra e a reação deles é outro indicativo da verossimilhança de Platoon.

Assim como o novato Chris Taylor (Charlie Sheen) aterrizamos no Vietnã e temos as piores impressões possíveis. O calor, cadáveres transportados em sacos plásticos e o olhar vazio de um veterano indo embora são sintomáticos. Em um missão de reconhecimento, Chris percebe que o perigo não reside apenas nos vietcongues, mas também na floresta densa, na umidade, nos insetos, nas cobras e nas poucas horas de sono. Mais tarde, ele descobre que até o mesmo o seu próprio pelotão pode representar um risco, afinal existe um racha entre os sargentos Barnes e Elias.

Uma guerra como essa é capaz de transformar o ser humano rapidamente. Uma morte causada pelo exército inimigo serve como desculpa para atos covardes contra uma vila indefesa. A loucura toma conta de alguns, assim como o mais profundo medo. Percebam a diferença de Chris no começo e no final do filme. Para sobreviver aqui é necessário adaptar-se e contar com um pouco da sorte.

O filme acerta em cheio ao retratar de maneira honesta e visceral a guerra do Vietnã, com momentos de muita tensão, medo e violência. E claro, temos que aplaudir Stone por mostrar toda a controvérsia acerca deste conflito.

Um top 10 do gênero.

5

Crítica: Um Domingo Qualquer (1999)

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Em Um Domingo Qualquer acompanhamos a trajetória do Miami Sharks, um time de futebol americano que passa por um péssimo momento. O campeonato está chegando ao fim e com as três derrotas seguidas a equipe corre o risco de ficar de fora dos playoffs. Para completar, o quarterback titular e o reserva imediato sofrem lesões. A responsabilidade sobra para Willie Beamen, o terceiro reserva. No início ele comete alguns erros que culminam em mais uma derrota, mas rapidamente ele demonstra grande habilidade, tornando-se estrela da noite para o dia e botando os Sharks na briga pelo título.

O diretor Oliver Stone coloca a câmera literalmente dentro de campo. A intensidade do esporte é bem retratada, com direito ao trash talk dos jogadores, sangue, efeitos sonoros, câmera tremida e uma edição frenética. É uma pena que em alguns momentos as coisas se tornam confusas e não conseguimos visualizar muito bem o que ocorre. É a direção estilo vídeo-clipe fazendo mal para o filme.

Um dos grandes problemas de Um Domingo Qualquer, além da direção muitas vezes caótica, é o excesso de assuntos abordados: jogadores colocando a vida em risco pelo salário, falta de ética médica, indecisão em relação a quando encerrar a carreira, donos do time que visam apenas o lucro, influência da mídia no andamento do esporte e assim por diante. Poucos são desenvolvidos de maneira adequada, mesmo com a duração de 2 horas e meia.

Infelizmente, Oliver Stone quase não transmite sentimentos positivos em relação ao futebol americano. Ele basicamente só investe no lado podre do esporte. Uma exceção é quando o técnico Tony D’Amato relembra de maneira nostálgica os tempos românticos, quando podia fechar um contrato com um aperto de mãos. Tony também faz um discurso motivacional interessante.

A verdade é que o filme vai do nada a lugar nenhum, percorrendo um caminho repleto de irregularidades. Havia material para algo bem melhor.
6/10

Platoon

Título original: Platoon
Ano: 1986
Diretor: Oliver Stone

Chris Taylor (Charlie Sheen) acaba de chegar no Vietnã e em pouco tempo ele percebe o erro que cometeu quando voluntariou para o conflito. As dificuldades que ele enfrenta são imensas. Ele é alvo de desconfiança de alguns dos veteranos e qualquer erro que ele cometa pode lhe trazer grandes problemas. É como tentar andar sobre ovos sem quebra-los.

Oliver Stone coloca seus personagens e o público num ambiente opressivo. O diretor nos faz cientes de que o perigo não se deve apenas aos vietcongs escondidos em cada canto da floresta, mas também, ao próprio ambiente, repleto de florestas densas, quentes, com cobras e mosquitos transmitindo diversas doenças. Para piorar, há um conflito interno entre os sargentos Barnes e Elias, que provoca um racha no pelotão. É evidente o teor anti-belicista do filme e até mesmo, anti-americano, principalmente se levarmos em conta os diálogos de alguns personagens que não cansam de falar mal da política do seu próprio país.

As cenas de batalhas empolgam pelo seu visual que se aproxima da realidade. Não há nenhum tipo de embelezamento artificial, é algo cru e por isso, impressiona. A guerra é algo que tem potencial para tornar homens animais. E aqueles homens que já são animais? Eles utilizam a guerra para por em prática seus desejos cruéis e sanguinários, como fica evidente em uma cena chocante que ocorre numa aldeia vietnamita. Este filme contém muitas cenas fortes e perturbadoras, que mostram toda a imbecilidade que foi a guerra do Vietnam.

Nota: 8

– B.K.