Crítica: O Pacto (2011)

No primeiro ato de O Pacto existe a promessa de um bom filme. A ideia de um grupo de pessoas cujo objetivo é fazer justiça com as próprias mãos proporciona reflexões éticas e morais, além de nos fazer pensar sobre que atitudes tomaríamos se estivéssemos no lugar do personagem de Nicolas Cage. Infelizmente, a construção competente de uma atmosfera perigosa e imprevisível vai sendo demolida do meio para o fim, quando O Pacto se torna um filme de ação que não oferece nada de novo para o gênero. São perseguições de carro sem atrativos e investigações nada inspiradas. Também atrapalha bastante o fato de um simples professor que ensina Shakespeare se transformar num verdadeiro herói de ação. As coisas pioram ainda mais no desfecho, momento em que somos bombardeados por reviravoltas que não surpreendem e uma cena final supostamente inteligente.
5/10
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Kick-Ass – Quebrando Tudo


Título original:
Kick-Ass
Ano: 2010
Diretor: Matthew Vaughn

É inegável o sucesso de Kick-Ass. Ele convenceu os críticos, como mostra o 76% de aprovação no Rotten Tomatoes e contagiou o público, fato comprovado pela posição atual no ranking dos usuários do IMDb. E vou ser bem sincero para vocês, o filme também me conquistou, a começar pela história: Dave Lizwewski, um garoto aficcionado por HQs não aguenta mais ver as pessoas (inclusive ele mesmo) em dificuldades sem ninguém para ajuda-las. Ele não entende por que os super-heróis só existem nos quadrinhos e os vilões estão presentes no mundo real também. A coisa certa a fazer é comprar uma fantasia e sair por aí combatendo o crime, não é?

Para Dave Lizweski sim! Como ele mesmo diz, é a mistura perfeita de otimismo e ingenuidade. De maneira atrapalhada e com muita vontade de fazer a diferença, Dave sai pelas ruas tentando trazer um pouco de justiça para o mundo, ao mesmo tempo em que o diretor Matthew Vaughn traz um tipo de colírio para os nossos olhos. O filme está repleto de virtudes e a principal é a capacidade do diretor de misturar os mais diversos temas sem perder o tom. Em poucos instantes experimentamos um mistura de humor, violência, ação e sensibilidade. Aliás, as cenas de ação são executadas de maneira exemplar pelo diretor. Há um requinte estético absurdo. Muitas vezes as cenas são ajudadas por uma trilha sonora que aumenta ainda mais a tensão e o tom de urgência das situações. É uma trilha que me fez lembrar de Explosions in the Sky com Friday Night Lights.

Quem acaba roubando a cena é a jovem atriz Chloe Moretz. O filme se chama Kick-Ass, mas poderia se chamar Hit Girl, que é a personagem interpretada pela Chloe. Como se não bastassem essas qualidades, o filme conta com inúmeras referências interessantes, como aos western spaghetti e até mesmo a LOST. Foi uma excelente experiência assistir a este filme, sem dúvida um dos grandes filmes do ano até o momento, o que não deixa de ser uma surpresa.

Nota: 8

bruno knott

Presságio


Título original:
Knowing
Ano: 2009
Diretor: Alex Proyas

Alex Proyas, diretor de filmes como O Corvo, Cidade das Sombras e Eu, Robô, poderia ter realizado um excelente trabalho com este material, mas Presságio não passa de um filme regular. Para você não considerá-lo uma grande perda de tempo logo de cara, é preciso entender que trata-se de um Sci-Fi, portanto é essencial abrir a mente e curtir o desenvolvimento da história sem ligar muito para a implausibilidade da coisa toda.

Sei que a maioria dos blogueiros já viu este filme, então não vou me ater muito a sinopse. Basta dizer que o garoto Caleb recebeu das mãos de sua professora uma folha que estava guardada numa cápsula do tempo por mais de 50 anos. A folha está repleta de números, o que intriga o pai dele, John Koestler (Nicolas Cage). Numa noite de muito whisky e pesquisas, John descobre que estes números são previsões de acontecimentos catastróficos, contendo o número de mortos e o local exato em que eles ocorrem. E um desses números prevê o fim do mundo, com a morte de TODOS.

O que fazer com essas informações? Avisar a todos e parecer um louco? Tentar resolver as coisas por si mesmo? Um detalhe interessante está no aspecto religioso da coisa toda. Koestler é um cético. Ele não acredita em nenhum tipo de sentido para vida, mesmo com o pai dele sendo um pastor. É difícil para uma pessoa com esta filosofia descobrir de uma hora para a outra que talvez exista algo mais entre o céu e a terra.

A parte técnica é fabulosa. Duas cenas são extremamentes marcantes em termos técnicos. Uma envolve um avião e a outra um metrô. O problema é elas não transmitem quase nenhum tipo de emoção. Acabei não me importanto com esses acontecimentos, o que não é um bom sinal. Não sei se foi culpa do roteiro, das atuações ou da direção, mas me pareceu algo muito frio para ser verdade.

Os minutos finais, filmados num tom de urgência muito bem desenvolvido pelo diretor, o filme se redime de algumas falhas, transformando-se numa experiência que vale o tempo investido. Nas mãos de um diretor um pouco melhor que Alex Proyas, Presságio poderia ter sido bem melhor.

Nota: 6

bruno knott

Vício Frenético

Título original: The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans
Ano: 2009
Diretor: Werner Herzog

“Tour de Force”. Que bela expressão. Eu NADA entendo de francês, mas uma visita ao google me diz que ela significa uma ação difícil executada com grande habilidade, basicamente, uma proeza. Você deve estar me perguntando o que ela tem a ver com este novo filme do Werner Herzog, certo? Respondo em três palavras: Nicolas (fucking) Cage. Aqui ele interpreta o policial sem noção Terence McDonagh. Logo na primeira cena percebemos que o cara é completamente louco e é nele que reside o diferencial de Vício Frenético.

Cá entre nós, o plot não tem muita importância aqui. Tudo se passa em Nova Orleans pós Katrina.  Temos 5 homícidios envolvendo senegaleses e cabe ao tenente do mal – como diz o título original – Terence a investigar o caso. E o show começa. Há quem diga que a atuação do Cage está exagerada. Eu não concordo. O cara criou um personagem que é uma bomba relógio, totalmente sem escrúpulos, sem remorso de apontar uma magnum .44 pra cabeça de uma velinha e que não tá nem aí de roubar cocaína apreendida para uso próprio. Tudo isso sem ser caricato. Você acredita no personagem e na sua falta de sanidade mental. É uma atuação bem física também. Percebam como ele consegue demonstrar que tem os movimentos reduzidos no braço esquerdo sem soar falso.

Herzog não teve medo de realizar um filme politicamente incorreto, que é espetacular de se assistir. Ficamos esperando a próxima reação de Terrence e morbidamente torcemos para ser algo intenso. E vamos ser recompensados, pode apostar. Será que alguém consegue gostar ou compreender as motivações do personagem? Difícil. O único momento em que vemos um pingo de sentimento nele é quando Terence está com sua namorada, nada mais, nada menos, que uma prostituta de luxo.

Detalhe: Provavelmente sobrou uma carreirinha pro Herzog também, afinal, iguanas e almas que dançam não são coisas muito usuais num filme policial.

Recomendo pelo Nicolas Cage, pela direção do Herzog e também pela trilha sonora, que aumenta o impacto de quase todas as cenas.
Coisa boa aqui.

Nota: 4/5

Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans