Crítica: Não Me Abandone Jamais (2010)



Para não diminuir o choque que o filme causa, não vou falar sobre o ponto chave da história. Acompanhamos a vida de algumas crianças em um tipo de internato no interior da Inglaterra. Desde cedo os professores trabalham essas crianças fisica e psicologicamente para desempenhar uma certa função quando a hora certa chegar. Não demora muito para que a gente consiga entender do que se trata e quando chega esse momento, Não Me Abandone Jamais ganha contornos ainda mais melancólicos.

O diretor Mark Romanek me impressionou bastante com Retratos de Uma Obsessão, principalmente pelo requinte estético e uma certa frieza, que me remeteram ao mestre Stanley Kubrick. Em Não Me Abandone Jamais ele tem mais um acerto, criando o clima carregado que a história precisa. A fotografia de cores frias e a trilha sonora sutil também funcionam de uma maneira eficaz. O grande destaque do filme, no entanto, está no trio de atores principais: Andrew Garfield, Carey Mulligan e Keira Knightley. Eles transmitem sentimentos profundos de desespero e esperança que nos comovem muito, ainda mais quando percebemos que a única saida para eles está no amor. Ele mesmo.

Quando um filme fica com você dias depois de assisti-lo pode saber que ele tem um algo a mais. Não Me Abandone Jamais me fez pensar em como a vida, infelizmente, é curta e além disso me fez lembrar de alguns seriados cujos finais tiveram um grande impacto em mim, como Six Feet Under e Lost. Ao que tudo indica, é um filme que vai ser esquecido pelas premiações, mas que merece uma dose maior de atenção.



Título original: Never Let Me Go
Ano: 2010
País: USA / UK
Direção: Mark Romanek
Roteiro: Alex Garland
Duração: 103 minutos
Elenco: Carey Mulligan, Andrew Garfield, Keira Knightley, Izzy Meikle-Small, Charlie Rowe, Ella Purnell

/ não me abandone jamais (2010) –
bruno knott,
sempre.