Crítica: It’s Bruno!

É o Bruno é um seriado despretensioso que pode agradar principalmente aos que gostam de cachorros. São apenas 8 episódios de mais ou menos 15 minutos, o que faz de É o Bruno uma boa opção para se assistir antes de dormir. Bom, pelo menos por uma semana. A ideia é nos fazer rir com boas doses de ironia e de situações exageradas. Muito do que vemos aqui é engraçado por soar absurdo, mas bem sabemos que muitos tratam seus cães como seus próprios filhos. Malcom é um rapaz enfezado que vive em função de seu cão, o extremamente simpático Bruno. Ele faz de tudo pelo cãozinho, inclusive extrapolando o bom senso. Nesses 8 episódios enfrentam desde uma ida ao mercado local em busca de peito de peru até um sequestro, claro que tudo com uma pegada leve e divertida. É uma pena que em dado momento o roteiro invista em um vilão em vez de explorar situações mais comuns com ironia. No geral, é mais um acerto de uma ousada Netflix.

Nota:

Crítica: Sonhos Imperiais (2014)

Após passar um tempo considerável na cadeia, Bambi terá pela frente o desafio de se reinserir em uma sociedade que tem pouco espaço para pessoas como ele. É no lado nada romantizado de Los Angeles onde Bambi tentará alcançar o sonho de publicar um livro. Esse objetivo parece ficar cada vez mais distante a medida que novos problemas surgem na sua frente. O dinheiro inexiste, a família pouco pode ajudar e um emprego está bem difícil de conseguir sem uma carteira de motorista. Para tirar a carteira ele tem que pagar 15 mil dólares de pensão, mas como conseguir isso sem um trabalho? E não é apenas de si próprio que ele tem cuidar, mas também do filho pequeno. Isso sem falar da violência por todos os lados. Pois é. Parece que todo o sistema quer empurrar Bambi para a vida do crime novamente. Sonhos Imperiais é um retrato honesto e emotivo sobre uma parcela marginalizada da sociedade. O diferencial de Bambi é que ele é capaz de transformar em palavras contundentes tudo aquilo que já viveu. Será o bastante para garantir um futuro para ele e para o filho? Além de um roteiro bem escrito que foca em um tema relevante, temos aqui uma performance extremamente competente de John Boyega. Vale a pena uma sessão dupla com Fruitvale Station.

Nota: 8

Crítica | Legítimo Rei (Outlaw King)

Legítimo Rei pode ser considerado uma sequência de Coração Valente. Se o filme dirigido por Mel Gibson termina com William Wallace torturado e morto, esta produção original Netflix começa com os desdobramentos disso.

Aliás, em dois momentos vemos pedaços do corpo esquartejado de Wallace servindo de exemplo para os escoceses que ainda almejam a liberdade. A sequência inicial também impressiona: uma longa tomada sem cortes com direito a diálogos que explicam a situação atual, um rápido duelo de espada e uma demonstração da força de uma catapulta. São cerca de 9 minutos.

Tudo isso me fez acreditar que estava prestes a ter uma ótima experiência. Ledo engano. Legítimo Rei é um épico que empalidece diante da imensa maioria dos exemplares do gênero. Talvez a comparação mais brutal seja com o próprio Coração Valente.

Em Coração Valente temos cenas de batalha coreografadas com maestria. Somos absorvidos por aquela demonstração de fúria e coragem. Há também uma história de amor envolvente. Infelizmente, não há nada disso aqui.

Não existe um pingo de originalidade na questão das batalhas. A câmera tremida, a fotografia mais escura e o excesso de cortes tiram qualquer tensão que poderíamos sentir. Todo o filme caminha para uma inevitável batalha no fim, mas ela é tão decepcionante que fica difícil de perdoar. E o resultado é mais do que óbvio.

Outro grande problema é o romance de Robert Bruce com Isabel. Todos os clichês possíveis estão aí, inclusive culminando em uma sequência final que beira o patético.

Falando em clichê, tenho que mencionar aquela irritante situação tão comum no cinema em que vemos os vilões exagerando na maldade. Que personagem mais descartável é esse Eduardo, príncipe de Gales?

Robert Bruce é quem faz o papel de herói. Ele é o rei que tentará unir os escoceses em busca da liberdade. Tal história poderia render um filme de alto nível. Não foi o caso.

Pelo menos, a parte técnica é competente em boa parte do tempo. Legítimo Rei é um filme bonito de se olhar, principalmente em tomadas mais abertas e em cenários históricos como Berwick-Upon-Tweed. Mas é só.

Esperava muito mais do diretor David Mackenzie do ótimo A Qualquer Custo. Só posso imaginar que ele não teve a liberdade criativa que precisava para nos oferecer algo decente.

Nossa querida netflix errou mais uma vez.

Nota: 5

Beasts of No Nation

A infância destruída por uma Guerra Civil em algum lugar da África.

feras de lugar nenhum 1

Em alguma nação africana cujo nome não nos é revelado, Agu é só mais uma criança que corre, brinca e apronta. Ele e sua família possuem dificuldades econômicas óbvias, mas o amor está presente e eles se viram da melhor forma possível.

Tudo muda quando irrompe uma Guerra Civil na região. Soldados armados ignoram qualquer resquício de decência e em um piscar de olhos o menino Agu tem sua infância roubada.

Agu foge pela floresta, mas logo é capturado por um grupo de soldados que tem como líder um homem mais velho chamado O Comandante. Se quiser sobreviver, Agu terá que ele mesmo se transformar em um soldado. Passado algum tempo, ele já não é mais o mesmo. Cigarro na boca, álcool no sangue, uma metralhadora na mão e um olhar que demonstra que inocência não faz mais parte dele.

Beasts of No Nation faz um bom trabalho ao adaptar para o cinema o material original. O diretor Cari Joji Fukunaga consegue criar cenas esteticamente belas, mas essencialmente brutais. Várias são as sequências em que sentimos necessidade de desviar o olhar. Isso acontece não por elas serem exageradamente gráficas ou viscerais, mas por vermos crianças e jovens cometendo as atrocidades.

Crianças? Não mais.

O meio fez com que as crianças se transformassem em assassinos. Beasts of No Nation, além de funcionar como obra cinematográfica, é um importante lembrete de uma situação tão triste como essa.

Não bastasse a violência dos conflitos e o vício em drogas, elas ainda acabam sendo vítimas de abuso sexual.

Como vocês podem ver, este é um filme difícil. Mas apesar de tudo, existe sempre um pouco de esperança e conforto em sinceros laços de amizade.

Como a história é contada pelo ponto de vista do garoto Agu, ficamos ainda mais investidos neste personagem. A atuação de Abraham Atta é memorável. Felizmente, ele foi lembrado em importantes premiações como o Film Independent Spirit Awards.

Além disso, o público está aí para enaltecer esse jovem ator e esse filme pesado, mas extremamente relevante.
IMDb

Preview: Sense8

sense8

Dia 5 de junho tem estreia na Netflix. Trata-se de Sense8, criação dos irmãos Wachowski (Matrix) e de Michael Straczynski (Babylon 5). Esta é a nova aposta do canal para agradar aos fãs de ficção científica.

O enredo vai mostrar oito estranhos dos mais diversos países que percebem estar conectados mentalmente. Um homem quer reuni-los, mas um outro grupo planeja assassina-los.

Serão 12 episódios, tempo suficiente para que os mistérios sejam apresentados, desenvolvidos e respondidos adequadamente, não é?

Enquanto isso, fiquemos com o trailer:

/Curta: Intratecal