Crítica: Thor (2011)

Um dos grandes trunfos de Thor é a forte investida no humor, algo que é feito com quase tanto sucesso como foi em O Homem de Ferro. O ator Chris Hemsworth demonstra carisma e um ótimo timing cômico, fatores essenciais para o êxito dessa abordagem. É hilário acompanhar Thor, um tipo de Deus acostumado com Asgard e sua pompa, ter que conviver com meros mortais em uma cidadezinha do Novo México. São varias as cenas que proporcionam risos sinceros, principalmente aquelas que exploram o total deslocamento do herói.
Infelizmente, os momentos passados em Asgard não são tão eficientes em termos de roteiro e chegam a cansar. Pelo menos, os cenários revelam um grande cuidado artístico e há uma ou outra cena de ação motivante. Apesar de não ser um filme longo, é inegável que ele se torna arrastado e isso se deve principalmente a falta de criatividade e ousadia dos roteiristas.
Dá pra dizer que o filme funciona quando se passa na Terra e torna-se sem graça em Asgard. Outro ponto interessante é a preocupação em estabelecer a organização SHIELD e deixar tudo preparado para Os Vingadores, que vem aí em 2012. As expectativas vão ficando cada vez mais altas.

nota: 7/10
imdb 

Crítica: Cisne Negro (2010)


Quando você for assistir a Cisne Negro prepare-se! Não é um filme comum. É uma viagem perigosa e eletrizante. É daquele tipo de filme que te hipnotiza, que faz o teu coração palpitar, que te assusta, que te enche de adrenalina e te comove até o instante final. O tempo voa, mas você quer permanecer o máximo de tempo possível na frente da tela, mesmo com a aflição que a história causa. O mais incrível é que o diretor Darren Aronofsky transmite essas sensações a partir de um roteiro cujo assunto principal é o ballet.

Para interpretar os papéis principais de Swan Lake é necessário uma atriz que transmita pureza quando está em cena o cisne branco e ousadia, quando é o cisne negro que toma conta do palco. Nina (Portman) é perfeita quando personifica o cisne branco, mas tem dificuldades quando chega o momento do cisne negro. Todo o sacrifício que uma bailarina enfrenta para tentar alcançar a perfeição é mostrado. Nina é consumida pela ideia de ser a atriz principal do ballet e sua transformação é conduzida sem censuras por Darren Aronofsky. Ela não come direito, treina incessantemente e segue alguns conselhos não muito ortodóxos do diretor da peça, Thomas.

Nina não enfrenta apenas mudanças físicas. A peça vira uma obsessão para ela, que ainda tem que enfrentar ciúmes das outras bailarinas e também o controle que a mãe ainda exerce sobre ela. Nina é uma mulher de 28 anos, mas praticamente não tem liberdade. A mãe não permite que ela se tranque no quarto, quarto esse que é bem infantil, cheio de bichos de pelúcia e que abusa da cor rosa. Para interpretar o cisne negro ela deve mudar muitos aspectos. Natalie Portman se entrega ao papel como poucas atrizes conseguiriam. É uma atuação para ser lembrada por muito tempo. Não bastasse a exemplar direção de Aronofsky, a música clássica tocada com mais vigor em momentos importantes deixa tudo mais vibrande e pulsante. Há quem reclame de alguns excessos do diretor e de uma certa visceralidade, mas são fatores essenciais para representar tudo o que se passa com Nina. Perfeição é utopia? Talvez não para Aronofsky e para Natalie Portman.

Título original: Black Swan
Ano: 2010
País: USA
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz
Duração: 108 minutos
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Winona Ryder

/ cisne negro (2010) –
bruno knott,
sempre.

Entre Irmãos

Título original: Brothers
Ano: 2009
Diretor: Jim Sheridan

Entre Irmãos é um drama de guerra que não consegue fugir de alguns clichês do gênero. Sam Cahill (Maguire) é o irmão “bom”. Tem um bom relacionamento com a mulher Grace (Portman) e os filhos, é organizado, respeitado e está prestes a ir para o Afeganistão. Tommy (Gyllenhaal) é o patinho feio da família. Acaba de sair da prisão, é nervosinho e tem algumas rusgas com o pai. Poucos dias depois de chegar no Afeganistão, Sam desaparece e é dado como morto. Isso arrasa a família, mas ao mesmo tempo, aproxima seu irmão Tommy da mulher Grace. Não demora muito e já podemos adivinhar que Sam não está morto coisa nenhuma.

É um filme previsível. Sabemos quase que exatamente quais os caminhos que a história vai tomar. O bom é que as atuações fazem tudo valer a pena, principalmente no caso de Tobey Maguire. Não tenho dúvida em afirmar que é o melhor trabalho dele. Uma indicação ao Oscar seria um reconhecimento mais do que justo. Pena que não ocorreu. Vocês podem achar que se trata de um filme bem meia boca, um drama de guerra familiar meio tosco, mas o fato é que as atuações compensam.

Sam é mais um daqueles casos de um soldado que não consegue se readaptar a vida fora dos campos de batalhas. Junte-se a isso um ciúme doentio e teremos um personagem explosivo. Não sabia que Tobey Maguire era capaz de fazer o que fez aqui. Sem dúvida é uma performance que não se pode deixar de conferir. Entre Irmãos é um filme de mediano para bom, com ótimas atuações e uma cena bem chocante em um campo de prisioneiros. Está longe de ser um Guerra ao Terror, mas merece uma ida ao cinema.

Nota: 7