Crítica: O Bebê de Rosemary (1968)

O Bebê de Rosemary funciona como uma verdadeira aula de como se fazer um filme de terror. Aqui, Roman Polanski jamais investe em sustos fáceis. Ele prefere estabelecer uma atmosfera sombria e inquietante, nos colocando na pele de Rosemary e sua atormentada gravidez. Em vez de nos assustar, ele cria situações que vão nos deixando com medo, com a intensidade aumentando progressivamente, até chegar ao limite no perturbador desfecho.
O roteiro é baseado em um livro de Ira Levin e pelo o que li, trata-se de uma adaptação bem fiel. Como uma boa história de terror, tudo começa com um casal mudando-se para um novo apartamento. Logo eles descobrem fatos estranhos envolvendo o local, como um morador que entrou em coma de maneira suspeita, uma vizinha que se suicidou e assim por diante. Eles são recebidos amistosamente por vizinhos de mais idade, que logo se mostram bastante interessados na gravidez de Rosemary.
As pistas para a verdadeira natureza dos vizinhos se fazem presentes desde o início do filme, algumas apresentadas de maneira sutil e outras nem tanto. Aos poucos as intenções deles vão sendo reveladas. O que dizer de alguém que considera o ano de 1966 como o ano um, que faz reuniões com estranhos cânticos em seu apartamento e que para completar é filho de um bruxo? Boa coisa certamente não.
Quando Rosemary descobre onde se meteu pode ser tarde demais e a sensação de desespero da personagem é compartilhada com bastante agonia por nós. Sinal de que tudo funciona muito bem neste grande clássico do cinema.
9/10