Plano de Fuga (Get the Gringo, 2012)

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Plano de Fuga possui uma trama absurda, mas que oferece boas doses de humor e de tiroteios, além da presença carismática de Mel Gibson. Apesar de uma certa dificuldade inicial, conseguimos entrar na história. Sem nunca revelar o seu nome verdadeiro, o personagem de Mel Gibson é preso após tentar fugir com a quantia de 2 milhões de dólares. Ele está em uma prisão no México e logo descobre que o local possui uma rotina bem peculiar, para não dizer outra coisa. Ele próprio se questiona se está numa prisão ou no pior shopping do mundo, afinal os presos podem comprar bebidas, alugar quartos mais confortáveis, contar com a presença da família e outras coisas, mas tudo em meio a muita sujeira, drogas e violência.
O desenrolar dos acontecimentos se dá de uma maneira nada verossímil, mas não dá pra negar que Mel Gibson segura o filme e que o diretor Adrian Grunberg cria cenas eficientes com a câmera lenta. É o tipo do filme que consegue entreter, mas que não nos deixa com vontade de revê-lo no futuro.
6/10

Crítica: Mad Max 2: A Caçada Continua (1981)

Mel Gibson in Mad Max 2.

 

Mad Max 2 assumiu o contexto do mundo pós-apocalíptico que foi deixado implícito no primeiro filme. Uma narração em off nos dá a entender que devido a uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética, o mundo virou uma imensidão desolada, sem sociedades organizadas e com constantes batalhas mortais por combustível.
Max (Mel Gibson) precisa de mais gasolina e por esse motivo vai fazer um trato com um grupo que detém uma refinaria. O problema é que eles são ameaçados por uma gangue bizarra e cruel e ficamos na dúvida se Max vai ajudá-los ou não.
Mesmo sendo inspirada em alguns filmes de samurai de Akira Kurosawa, a história de Mad Max 2 não é das mais trabalhadas, mas isso pouco importa. Com um orçamento muito superior ao do primeiro filme, o diretor George Miller pôde aprimorar o que já era bom: as cenas de perseguição. Tudo em Mad Max 2 é em grande escala. As perseguições aqui contém inúmeros carros e muita velocidade, quase sempre com planos abertos que aumentam o realismo e a intensidade das situações. O trabalho dos dublês merece reconhecimento, assim como o do próprio George Miller, que conduz essas cenas de ação como um verdadeiro maestro.
Ao contrário do que ocorre no filme anterior, dessa vez o lado pessoal de Max não ganha importância. Para vocês terem uma ideia, ele tem ao todo apenas 16 linhas de diálogo. O único relacionamento que ele tem é com seu simpático cachorrinho e olhe lá.
Mad Max 2 é mesmo um filme de ação e não muito mais do que isso, mas o que ele oferece dentro desse gênero é algo único. Não importa quantas vezes você o assista, não tem como não se impressionar com o requinte visual e a ousadia empregada em cada cena. Inesquecível!
8/10

 

 

Crítica: Mad Max (1979)

Mad Max é um dos filmes mais lucrativos já feitos. Com um pequeno orçamento de 400 mil dólares, ele acabou rendendo mais de 100 milhões nas bilheterias ao redor do mundo. Outra curiosidade, o filme levou Mel Gibson ao estrelato praticamente da noite para o dia.
A história se passa em “um futuro não muito distante”. A polícia enfrenta diariamente bandidos pelas estradas desérticas. Trata-se de uma gangue de motoqueiros que espalha o caos e rouba combustível em qualquer oportunidade que encontre.
Max Rockatansky é o destemido policial que enfrenta as situações mais difíceis. O filme começa com uma perseguição de carros cheia de adrenalina e a tarefa de capturar o bandido Nightrider recai sobre Max. A maneira como o herói é apresentado é cheia de estilo, nos dando a certeza de que ele é o cara quando o assunto é acelerar até o limite. As coisas não acabam bem para o bandido, só que a gangue decide se vingar.
Mad Max se destaca pelas cenas de ação, particularmente as perseguições de carro. É um trabalho arrojado por parte dos dublês e cheio de criatividade e precisão por conta do diretor George Miller. Poucas sequências de perseguição são tão bem realizadas como as que vemos aqui e olhe que o filme já tem mais de 30 anos. Pena que George Miller não investiu em sua melhor qualidade e acabou dirigindo filmes como Babe – O Porquinho Atrapalhado na Cidade e Happy Feet.
Outro ponto forte é o próprio personagem interpretado por Mel Gibson. Ele passa pelas piores situações possíveis que um pai de família pode passar, algo que explica a personalidade vingativa que ele precisa assumir para seguir em frente. Quando pensamos em Mad Max o que sempre vem a cabeça são as cenas de ação, mas existem aqui ótimas momentos intimistas, que trabalham com o amor e a tragédia de uma maneira relativamente simples, mas inegavelmente tocante.
Pelo alto grau de ambição e pelas inúmeras cenas de ação de qualidade Mad Max 2: A Caçada Continua é o preferido de muitos fãs, mas eu ainda sou mais este.
9/10

Crítica: Mad Max – Além da Cúpula do Trovão (1985)

Mad Max – Além da Cúpula do Trovão é considerado por muitos como o mais fraco da trilogia. A verdade é que ele não é tão ruim assim, só sofre de uma irritante irregularidade que poderia ser facilmente evitada.
Na primeira cena vemos Max caminhando no deserto infernal de um mundo pós-apocalíptico, quando é assaltado por um homem pilotando um avião. Na busca pelo ladrão, Max se vê em uma cidadezinha peculiar chamada Bartertown. Lá estão os personagens mais bizarros, como um baixinho careca invocado, um bombadão com cérebro de criança e um anãozinho que fornece toda a energia da cidade através do metano produzido pelas fezes de porcos.
O ambiente é extremamente hostil e logo Max compra uma briga no Thunderdome, onde dois homens entram e um homem sai. A luta nesse local é repleta de criatividade e adrenalina, não há dúvidas que trata-se do melhor momento do filme e um dos grandes momentos de toda a trilogia. Outro ponto atrativo desse terceiro filme é o uso do humor de forma eficaz, geralmente com algumas gags visuais, como quando Max corre furiosamente atrás de um bandido, mas tem que voltar pelo mesmo caminho com um certo desespero no olhar, afinal uma multidão está atrás dele agora.
Essa primeira parte é ótima e digna dos dois filmes anteriores, o problema começa quando ele tem contato com essas crianças da foto. Aí as coisas descambam para um tipo de Peter Pan e Senhor das Moscas apocalíptico, mas sem muita qualidade. Há a tentativa de transformar Max em um verdadeiro herói mitológico, algo que até funciona em algumas partes, pena que o filme perde bastante em termos de ritmo. O lado bom é que há um ganho em desenvolvimento do personagem, já que agora ele se torna mais humano e se importa com os problemas dos outros.
No final das contas, a primeira metade garante a diversão e permite que aguentemos o modorrento meio do filme, até sermos brindados com uma excelente cena de perseguição de carros no fim.
7/10 

Crítica: Sinais (2002)

Título original: Signs
Ano: 2002
Diretor: M. Night Shyamalan

Quem assiste Sinais pensando num filme de invasão alienígena aos moldes de Independence Day fatalmente se decepciona. Shyamalan aborda essa situação do ponto de vista de uma única família e de uma maneira bem intimista. Não dá para negar que o principal tema do filme é a relação de Graham Hess (Mel Gibson) com a fé. Antigamente, ele era um reverendo e após a violenta morte da esposa decidiu não mais gastar tempo com preces.

M. Night Shyamalan sabe como contar uma boa história. Este tema permitiu ao diretor nos oferecer grandes doses de suspense e uma boa parcela de humor. Na parte do suspense, é notória a influência de Hitchcock. Shyamalan aproveita diversas situações para criar um clima de tensão incontrolável e orgânico. Muitas vezes de maneira sutil, ele consegue nos assustar de maneira eficiente. Uma rápida imagem de um ser em cima do telhado, uma perna no meio do milharal, barulhos estranhos captados por um walkie-talkie e um reflexo na tela da telivisão são exemplos da criatividade deste indiano talentoso.

Não bastasse isso, Sinais proporciona momentos de diversão, o que não seria possível não fosse o roteiro bem escrito e as atuações com excelente química de Mel Gibson, Joaquin Phoenix e as crianças Rory Culkin e Abigail Breslin. Enfim, considero Sinais um trabalho completo e o ápice da carreira de Shyamalan, que, infelizmente, está em declínio desde então. Em breve ele vai lançar um novo filme e espero que alcance a redenção.
Nota: 9

*** Quem aí acha Sinais o melhor da carreira dele? E quem acha o pior?