Crítica: Invincible (2006)

MARK WAHLBERGO ano é 1976 e o Philadelphia Eagles, tradicional time da NFL, passa por um período sombrio. São 11 derrotas seguidas e um fim de temporada deprimente em seu próprio estádio. A torcida não aguenta mais tanta humilhação, algo que é potencializado pela situação econômica ruim que passa o país, com alto índice de desemprego, greves e fábricas indo a falência. Apesar disso tudo, Vince Papale e Tommy tem esperanças de que as coisas mudem para o time no ano que vem.

A única coisa que dá um pouco de alegria para Vince e seus amigos é jogar futebol. Apesar de ser amador, não é qualquer jogo, é coisa séria. Cada snap é disputado com sangue, suor, lágrimas e lama. Ninguém quer sair derrotado. Após mais uma vitória em um desses jogos, Vince chega em casa e toma um verdadeiro esporro da mulher. No dia seguinte, é demitido do colégio onde trabalhava e ainda por cima é abandonado pela mulher. É o fundo do poço para ele.

Dick Vermeil é contratado para ser o novo técnico do Philadelphia Eagles e sua primeira atitude demonstra um certo desespero, mas também ousadia: realizar um try-out que qualquer um pode participar, um verdadeiro peneirão. Incentivado por amigos, Vince decide participar e vai muito bem, ganhando o direito de fazer parte dos treinos dos Eagles visando o início da temporada.

Imaginem vocês, um bartender e professor de colégio de 30 anos com chances de jogar a NFL. Pois é, isso realmente aconteceu. Invincible é baseado na história real de Vince Papale, mas é claro que foram feitas algumas mudanças para o filme ganhar em termos dramáticos e emoção.

Invincible é um dos ótimos filmes de futebol americano. Ele tem uma história bem inspiradora, já que Vince sai do nada para entrar em um jogo oficial do esporte mais popular dos Estados Unidos. E o melhor ainda, para ajudar o time que tanto ama. A dedicação dele no training camp é absurda. Ele tem poucas expectativas de ser mantido no time, mas sua determinação o impede de desistir.

São vários os momentos que podemos destacar, como quando ele dá a notícia para o melhor amigo de que entrou no time, um jogo na lama e na chuva e outro que vou deixar vocês assistirem por vocês mesmo. Para deixar tudo ainda melhor, o diretor Ericson Core concebe cenas de extrema beleza dos jogos, adicionando intensidade e violência, sem utilizar a câmera tremida.

Este já garantiu lugar na lista dos 10 melhores do gênero.
9/10

Crítica: Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain, 2013)

pain-and-gain-2013Por mais absurdo que possa parecer, Sem Dor, Sem Ganho é baseado em uma história real, algo que o letreiro do filme faz questão de nos avisar duas vezes. Daniel Lugo (Wahlberg) é um marombeiro que acredita em malhar e também no sonho americano. Ele é um tipo de gerente de academia, tem um bom salário, mas quer mais do que apenas pagar as contas no fim do mês. Pelo voice-over do início já temos uma ideia de quem é este personagem, que tem como heróis Vito Corleone, Scarface e Rocky e que trata com má vontade a todos os alunos que “desperdiçam os seus dons”.

Daniel Lugo tem um plano para mudar de vida: encontrar um cliente rico, sequestrá-lo e extorqui-lo. Para tanto, vai precisar da ajuda de alguns comparsas e na própria academia ele seleciona dois fisiculturistas mais burros do que ele mesmo.

Muitos críticos possuem uma verdadeira aversão ao diretor Michael Bay e de sua carreira duvidosa. Particularmente, acredito que cada filme deve ser avaliado pelo o que ele é, deixando o passado do diretor de lado. Este Sem Dor, Sem Ganho é uma experiência incrivelmente divertida. São várias as cenas genuinamente cômicas, com um pé no humor negro e às vezes até beirando o surreal.

Com direção e edição ágeis, o filme jamais perde o ritmo. São sucessões ininterruptas de sequências bizarras que nos fazem rir, com direito a uma discussão sobre suplementação com leite materno e um bombadão impotente. Isso sem falar nas decisões idiotas que os três sempre tomam quando vão cometer os crimes.

Podemos reclamar do excesso de narrações em off, afinal isso faz o filme perder o foco em alguns momentos. Piadas de mal gosto também estão presentes, mas na maioria das vezes elas funcionam. Faltou um pouco de tato ao contar uma história real dessa maneira cômica, ainda mais pelo fato de tudo ter ocorrido há pouco tempo. Este material poderia gerar um filme com um preso dramático em mãos mais talentosas.

De qualquer forma, Sem Dor, Sem Ganho deve ser enaltecido por jamais tentar ser mais do que é. Trata-se de uma sátira recheada de um humor agressivo e eficiente, capaz de realmente divertir ao longo de suas duas horas. Nunca nos aproximamos emocionalmente dos “marombeiros ninjas”. Eles são criminosos e o roteiro deixa isso bem claro. Não há chances para redenção. Eis uma história de quem pegou a própria vida e a jogou no ralo.
7.5

Ficha do filme no Adorocinema

Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997)

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Boogie Nights
mostra a ascensão e queda de Dirk Diggler, um garoto que fugiu de casa e virou um ator pornô. Trata-se de um estudo de personagem dos mais completos. Como se isso fosse pouco, Paul Thomas Anderson adiciona vários personagens com subtramas que enriquecem o filme como um todo.
A trama se passa no final dos anos 70. A maneira como essa época é recriada é um dos pontos fortes de Boogie Nights. Logo na primeira cena, que conta com uma longa tomada sem cortes, já conseguimos identificar vários elementos setentistas e rapidamente somos absorvidos para aquele mundo.
É interessante notar as diferenças do personagem Dirk Diggler ao longo do filme. Inicialmente, um cara bem educado e humilde, mas depois do sucesso transforma-se em uma verdadeira estrelinha, que gasta rios de dinheiros com roupas e carros, trata os outros com indiferença e agressividade, além de se afundar nas drogas.
A passagem dos anos 70 para os 80 marca uma mudança de rumos na vida de praticamente todos os personagens, que terão que enfrentar os seus demônios se quiserem voltar a brilhar. Impressiona o cuidado de PTA com cada um deles. Não podemos também esquecer do uso do humor, que começa mais light com direito a uma piadinha sobre Star Wars e termina em um humor negro à la Tarantino.
Coisa de gênio. Boogie Nights costuma ser subestimado, mas é sem dúvida um dos grandes da década de 1990.
9/10

Crítica: Ted (2012)

Hoje em dia a informação está ao alcance de uma rápida pesquisa no google, logo, é incompreensível que alguém vá assistir a Ted achando estar diante de uma linda fábula infantil ou algo do tipo. Como se não bastassem a classificação indicativa de 16 anos e o trailer revelador, ainda podemos ler inúmeros textos na internet sobre o tipo de humor que o filme oferece.

Se você tiver o esclarecimento necessário para não se irritar com o humor politicamente incorreto de Ted, é garantido que você vai rir do começo ao fim dessa experiência diferente. Fico tentando lembrar alguma comédia que me fez rir tanto em um cinema e a única que me vem a mente é O Virgem de 40 Anos.

Seth MacFarlane, o diretor do filme e o homem que dá voz ao cativante urso Ted, criou uma grande base de fãs com os seus ousados desenhos da TV Family Guy e American Dad. Em sua primeira investida no cinema, MacFarlane se utiliza de vários elementos que fizeram dos seus desenhos um sucesso e acerta em cheio. As salas lotadas e as gargalhadas quase que ensurdecedoras são provas disso.

Através de uma narração em off, somos apresentados ao garotinho John Bennett e sua triste sina de não ter amigos. Em uma noite de natal ele faz um pedido e o seu urso de pelúcia ganha vida, transformando-se no amigo que ele tanto queria. 25 anos depois essa amizade atrapalha o relacionamento de John com Lori, com quem namora há quatro anos.

É claro que a graça do filme está no fato de um aparentemente inocente ursinho de pelúcia soltar palavrões em todas as frases que saem de sua boca, mas ao contrário do que se espera, a piada não se desgasta, algo que se deve ao bom desempenho de Mark Wahlberg e aos diálogos inspiradíssimos proferidos por Ted. É incrível a capacidade deste ursinho de fazer piadas ofensivas com quase tudo o que acontece a sua volta. Mais incrível que isso, é constatar que passamos a gostar de Ted e de nos importar com o forte laço de amizade entre ele e John.

Não faltam referências ao mundo pop e a filmes como Star Wars, E.T., Apertem os cintos… O Piloto Sumiu e muito mais. Talvez a melhor sequência de Ted seja a da festa, que conta com a presença de Sam Jones (o ator que deu vida a Flash Gordon) e com muitas surpresas bizarras. Aliás, um dos muitos pontos positivos do filme é justamente ultrapassar barreiras bom senso e nos surpreender.

No final das contas o roteiro se alonga mais do que precisava devido a uma subtrama desnecessária e previsível (sim, falo do pai dançarino e do filho mimado), mas mesmo aí estão reservados bons momentos de humor. Ted é uma mistura de romance e bromance que funciona da melhor maneira possível. Começam a pipocar por aí rumores sobre uma continuação. Pena. A chance de ser tão bom como este é pequena, a não ser que MacFarlane nos surpreenda novamente.
8/10

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Crítica: Fim dos Tempos (2008)

Não quero ser aquele cara chato que procura chifre em cabeça de cavalo, mas o fato é que Fim dos Tempos não é apenas uma história sobre o fim do mundo. Shyamalan aborda o tema do ponto de vista do casal principal, deixando claro que as ações e atitudes deles é o que realmente importa.
Quando as pessoas começam a se suicidar sem motivo aparente desconfia-se de alguma toxina produzida por terroristas, mas logo essa teoria é abandonada e chega-se a conclusão de que as plantas é que estão por trás disso. Sim, é absurdo e até cômico ver os personagens fugindo do vento, mas se você conseguir se desapegar de explicações convincentes é possível fazer parte dessa viagem sentindo uma ansiedade imensa a cada rajada de vento que muda de direção.
Shyamalan soa um tanto panfletário nessa exagerada rebeldia verde. O bom é que isso permite que o cineasta crie cenas de morte chocantes e aflitivas, nos dando a entender que ninguém está imune.
É uma situação apocalíptica de proporções enormes, mas também é importante a crise de relacionamento pela qual o casal passa, algo que culmina com duas cenas de forte carga emocional e que funcionam como uma mensagem de esperança. Claro, se você não se envolveu com o filme até esse momento não vai estar nem aí pra isso e eu não te culpo. Na primeira vez que assisti considerei Fim dos Tempos uma grande bomba, mas essa opinião mudou drasticamente na segunda vez.

nota: 7/10
imdb 

Crítica: O Vencedor (2010)


Micky Ward (Wahlberg) encontrava dificuldades dentro do ringue e fora dele, isso graças a mãe-empresária (Melissa Leo) e ao irmão ex-boxeador e usuário de crack, que se tornou uma lenda local após derrotar Sugar Ray Leonard. A passividade de Micky o fazia aceitar lutas arranjadas pela mãe e pelo irmão, algo que não acabava sendo um bom negócio, já que uma vez foi colocado para lutar contra um cara 10 kg mais pesado e apanhou como um condenado. Após conhecer Charlene (Amy Adams) ele experimenta tomar diferentes rumos para a carreira, almejando ser grande, almejando títulos. Claro que ele fará uma visita ao fundo do poço, resta saber se terá motivação e empenho suficientes para dar a volta por cima.

O filme agrada graças ao quarteto Wahlberg, Mellisa Leo, Christian Bale e Amy Adams. Bale deve, merecidamente, faturar o Oscar de ator coadjuvante. O ator perdeu cerca de 30 quilos para o papel e com maestria demonstra o jeito brincalhão, nostálgico e desesperado do personagem.

O que não merece tanto destaque é a direção de David O. Russell. É um trabalho que sofre pela falta de ousadia e criativade. Admito que é uma direção segura e que a escolha de filmar as cenas de boxe com um estilo de televisão dos anos 90 é acertada, mas o filme simplesmente não empolga e ainda se mostra irregular na tentativa de fazer humor. A cena em que Micky e Charlene assistem a um filme de arte e reclamam da legenda é ótima, mas a sequência suspostamente engraçada das filhas de Alice marchando rumo a casa de Charlene causa estranheza.

Queria gostar mais do que vi, afinal uma história de superação é sempre bacana, ainda mais com tantos bons atores nela. Infelizmente, O Vencedor não é inspirador como Rocky e nem comove como Menina de Ouro. No desfecho, quando poderia nos conquistar, o diretor entrega uma resolução extremamente apressada e sem sal. Algo que era para ter ares de triunfo e conquista acaba ficando insosso. Uma pena.
IMDb

Um Olhar do Paraíso

Título original: The Lovely Bones
Ano: 2009
Diretor: Peter Jackson

Uma garota de 14 anos é brutalmente assassinada por um vizinho e vai parar no paraíso. É de lá que ela nos conta esta triste história e observa sua família e o seu assassino. O filme está sendo malhado pela crítica especializada e também por vários blogueiros cinéfilos. Motivos não faltam.

Há um certo exagero nos efeitos especiais, algo que serve para mascarar o roteiro mal desenvolvido. Claro que existe uma ou outra cena bacana, afinal Peter Jackson sabe trabalhar com computação gráfica, mas no geral elas são irritantes.

Os personagens sofrem por não serem aprofundados, atrapalhando desempenho dos atores. Rachel Weisz desaparece durante filme, Susan Sarandon erra o tom da sua personagem, que parece ter sido criada para uma comédia e não para um filme com um assunto tão triste, Stanley Tucci demonstra muito talento, principalmente quando está cara a cara com a vítima, porém seu personagem não é nada mais do que uma caricatura.

Pelo menos, Mark Wahlberg fez um trabalho competente ao retratar todo o sofrimento de um pai que perde sua filha e Saoirse Ronan está expressiva como sempre.

Peter Jackson erra a mão várias vezes. Caramba, o filme retrata muito sofrimento e tristeza. O ar fantasioso da garota no paraíso já era o suficiente para amezinar um pouco a história. Aquelas cenas supostamente engraçadinhas com a avó são completamente desnecessárias e embaraçosas. E para completar, um desfecho grotesco. Algo extremamente inverossímel e que não deixa de ser uma afronta ao bom senso.

Vocês devem estar pensando que odiei Um Olhar do Paraiso, mas não é verdade. Os poucos pontos positivos me deixaram relativamente satisfeito. A primeira hora do filme, com a apresentação dos personagens e  do assassinato, é muito boa. Me pareceu algo bem orgânico e realmente contagiante. Consegui compartilhar o sofrimento dos pais e da própria garota morta. Quatorze anos. Uma vida inteira pela frente. Não é nada fácil saber que ela não vai terminar a escola, não vai para faculdade, não vai ter filhos… se o filme conseguir te transmitir isso você não vai achá-lo totalmente desprezível.

Pena que Peter Jackson não soube fazer as escolhas certas e nos deu um trabalho cheio de falhas.

Nota: 6

– B.K.