A Malvada (1950)

O que dizer de um filme que é indicado a 14 Oscars e vence 6, que sempre está no topo de conceituadas listas de melhores filmes e faz parte do top 250 do IMDb? Claramente é uma experiência que agrada tanto aos críticos profissionais quanto ao público. E não é para menos.

A Malvada se destaca principalmente por dois motivos: as atuações e o roteiro. Não que tecnicamente ele não seja bom. O diretor Joseph L. Mankiewicz realiza um trabalho correto, sem inovações e sem exercícios de estilo, algo essencial para o filme funcionar. Ele simplesmente deixa os atores e atrizes darem vida ao roteiro e isso eles fazem de uma maneira magnífica.

Mas do que se trata esse clássico? Temos aqui uma história sobre os bastidores do teatro, sobre os atores, atrizes, roteiristas e diretores que fazem o espetáculo acontecer. Margo é a estrela absoluta que está começando a sentir a idade pesando nas escolhas de roteiros e Eve é a admiradora número um de Margo, mas que na verdade sonha em tomar o lugar dela.

A maneira com que Eve busca esse sonho é algo maquiavélico. A princípio ela toma atitudes aparentemente inocentes, mas aos poucos vamos percebendo o quão baixo ela pode chegar para atingir sua meta. Ela se utiliza de um sangue frio invejável, preferindo mil vezes o sucesso do que manter uma relação pessoal sincera. Quando entendemos quem Eve realmente é até temos uma surpresa, mas as pistas estão lá desde o começo.

Margo, no início, nos desperta uma certa antipatia pelo seu excesso de estrelismo, mas com o tempo passamos a compreende-la melhor e acabamos nos conectando com ela, o que só demonstra o excelente trabalho da atriz Bette Davis, que foi indicada ao Oscar, mas infelizmente não levou o prêmio.

Trata-se de um filme recheado de diálogos significativos, com humor ácido, cinismo, sarcasmo e até um pouco de romance. É uma tarefa impossível encontrar um diálogo desnecessário. Tudo o que é dito merece ser dito, algo que colabora bastante para o desenvolvimento dos personagens e do filme como um todo.

Para realçar essa falta de apego a amizades sinceras e a ideia de que vale tudo pela fama, temos um desfecho dos mais inspirados mostrando que o ciclo não vai deixar de se repetir.
8/10 

Crítica: Quanto Mais Quente Melhor (1959)

Não é fácil conceber uma comédia atemporal, mas é isso que Billy Wilder conseguiu com Quanto Mais Quente Melhor. Mais de 50 anos depois ainda é possível rir com as várias situações genuinamente engraçadas presentes aqui, algo que se deve ao espirituoso roteiro de I.A.L. Diamond e Billy Wilder e também às atuações inspiradas de Jack Lemmon e Tony Curtis.  Jack Lemmon está cheio de energia interpretando um músico que se passa por mulher para fugir de mafiosos, mas como esquecer da própria masculinidade quando se está ao lado de uma mulher como Sugar Kane, vulgo Marilyn Monroe?
Apesar de pertencer de fato ao gênero comédia, ele transita por outros gêneros, como o romance, ação e até mesmo empresta alguns elementos de filmes de máfia. Impressiona a maneira como Billy Wilder foi capaz de criar uma comédia cujo ponto de partida é um fuzilamento.
O filme inteiro funciona, mas não dá para não enaltecer Marilyn Monroe, uma atriz que esbanjava sensualidade e tinha uma presença como pouco se vê no cinema. Ela e Tony Curtis demonstram uma boa química e são donos de diálogos um tanto ousados para a época. Falando em diálogos, a última cena do filme é brilhante ao conseguir capturar muito bem a essência de tudo o que vimos antes. Inesquecível.