Crítica: Terror nas Trevas (1981)

Eu estava empolgado com o diretor Lucio Fulci até assistir a Terror nas Trevas, mais conhecido como The Beyond. O filme tem muitos entusiastas por aí, mas o jeitão dele não me agradou nem um pouco. A história gira em torno de um hotel que esconde uma das 7 portas do inferno. E é claro que da tal porta sairá algo extremamente maligno, no caso zumbis assassinos. Muitos adoram a falta de coerência interna dos trabalhos de Fulci, mas aqui essa tendência prejudica de maneira irreversível a fluidez da história. Por incrível que pareça é algo cansativo de se assistir, mesmo com a curta duração e com uma ou outra boa cena de gore, como a das aranhas donas de um certo tropismo pela mucosa oral. Pois é,  um dos melhores momentos de um filme de zumbis tem aranhas como personagens principais. Isso não pode estar certo. Para completar, a trilha sonora simplesmente não combina com as cenas. Mais parecem aquelas músicas pentelhas de video-games antigos. Tudo isso mata qualquer chance de suspense e tensão, aspectos que enriquecem bastante os filmes de zumbis. Tudo não passa de um amontoado de cenas desconexas, um roteiro que não empolga e com muito pouco para acrescentar a este amado gênero.
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/b. knott

– Sei que este filmes tem admiradores. Alguém pode me dizer os pontos positivos de The Beyond?

Crítica: Zumbi 2 – A Volta dos Mortos (1979)

Ainda não conheço muito bem a carreira do diretor Lucio Fulci, mas posso dizer que dos filmes que eu vi este é o mais interessante.

Tudo começa com um barco aparentemente abandonado se aproximando de Nova York. Alguns policiais vão investigar a situação e logo descobrem que há algo de muito errado. Um morto-vivo aparece, representa bem a sua espécie ao morder a jugular do policial e se joga no mar.

Logo entram em cena a filha do dono do barco, querendo encontrar o pai e um jornalista em busca de uma boa reportagem. A sede de informação de ambos os leva para uma misteriosa ilha nas Antilhas. E a diversão começa.

Zumbi 2 é um festival de cenas criativas, peculiares e violentas. Como não podia deixar de ser, o gore aqui é muito forte. Existe uma cena que envolve um olho e um pedaço de madeira que causa uma aflição absurda. Mas também temos momentos mais leves, como quando uma musiquinha no melhor estilo Hawaii é tocada.

A criatividade do roteiro atinge o ápice em um duelo mortal e  inesperado: um zumbi aquático versus um tubarão. Você leu bem. Quer algo mais bizarro e curioso do que isso?

Algumas sequências não agradam tanto, principalmente as que tentam explicar a origem dos zumbis. Velhos clichês de personagens que se dão mal por estarem desprevenidos, justamente quando deveriam estar mais atentos também incomodam um pouco.

As atuações deixam a desejar. Tem ator que acha que para transmitir medo basta arregalar os olhos e fazer uns gemidos estranhos. Aí não dá.

Felizmente, essas falhas são facilmente esquecidas pela história envolvente, pelo ótimo trabalho de maquiagem e pelos zumbis violentos.

Tudo termina em um clímax muito bem trabalhado e que remete ao clássico A Noite dos Mortos Vivos. O desfecho propriamente dito também é ótimo e devo dizer que me pegou de surpresa, de uma maneira bem positiva.

A tendência é que os amantes do gênero gostem bastante do que é visto aqui.
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/b. knott

Crítica: Pavor na Cidade dos Zumbis (1980)

O suicídio de um padre em uma cidade do interior, não me perguntem como, abre os portões do inferno, fazendo com que os mortos-vivos andem pela terra e espalhem o terror de várias maneiras.

O diretor italiano Lucio Fulci é uma referência quando o assunto é filmes de zumbis, só perdendo em termos de reconhecimento e qualidade para George Romero.

Neste filme o grande destaque é o clima sombrio e cheio de suspense que o diretor consegue transmitir. Ele conta a história sem muita pressa ao apostar em algunas cenas longas e em ângulos de câmeras criativos, que funcionam muito bem.

Não tem como falar de Pavor na Cidade dos Zumbis sem mencionar a palavra GORE. Lucio Fulci fez filmes que ficaram tachados como épicos do gore, que é o caso deste. As cenas de mortes violentas são constantes. Ver um zumbi arrancando o escalpo de alguém com as mãos é sempre agradável, não é? Tem disso aqui e muito mais.

Claro que a produção de tais cenas não é aquela maravilha, então dependendo do nível de humor negro em nosso sangue, podemos rir em algumas delas, mas boa parte delas causa aflição ainda hoje, 30 anos depois da estreia.

As atuações não são muito convincentes, algumas são até amadoras, mas eu diria que atuações oscarizáveis não é bem o propósito do gênero zumbis.

Se for assistir a este filme, espere por muito sangue, cenas macabras e nojentas, uma trilha sonora maravilhosa que serve como uma luva para a história e um roteiro bem simplório. E isso é o suficiente para matar a sede dos amantes de zumbis.
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