Resenha de Livro: Toda Luz Que Não Podemos Ver

Como é bom saber que a Segunda Guerra Mundial ainda pode ser abordada na literatura com um frescor de originalidade. Não foi à toa que Anthony Doerr recebeu o pulitzer de ficção em 2015 por este ótimo Toda Luz que Não Podemos Ver.

O livro possui capítulos extremamente curtos, alguns com apenas uma página. Geralmente, um capítulo é dedicado a garota francesa cega Marie-Laure e o seguinte ao menino alemão Werner.

A história se passa um pouco antes, durante e até após a Segunda Guerra. Marie-Laure vive com o pai em uma Paris que se encontra ocupada pelos alemães. Buscando melhor sorte, os dois partem para a pequena Saint-Malo. Werner desde pequeno mostra habilidade com reparos em rádios e transmissores e logo é convocado para a escola da Juventude Hitlerista.

Fica claro que em algum momento o caminho dos dois irá se cruzar, mas não sabemos quando e nem em quais circunstâncias.

Os capítulos enxutos e a escrita acessível fazem de Toda Luz que Não Podemos Ver um daqueles livros que devoramos rapidamente. Anthony Doerr consegue criar belas metáforas e descrever várias situações utilizando poucas palavras. Cada sentença parece ter sido lapidada com extrema dedicação.

Algumas passagens são realmente marcantes. Particularmente, todo o contexto envolvendo a amizade de Werner com Frederick me comoveu. Em meio a vários monstros fabricados pela Juventude Hitlerista haviam garotos repletos de sensibilidade que foram obrigados a estar ali.

Quantas vidas cheias de potencial foram abreviadas por algo absurdo como a guerra? É uma das reflexões que podemos fazer ao longo das 500 e poucas páginas.

Apesar de ter aproveitado a maior parte do livro, senti uma pequena decepção no final da leitura. Basicamente, estava esperando muito mais do encontro dos dois personagens principais. Ficou aquela sensação de uma bela oportunidade perdida. Faltou pouco para Toda Luz Que Não Podemos Ver entrar para o seleto grupo das obras-primas do século XXI.

Resenha de livro | Vidas Secas

Vidas Secas foi o quarto romance escrito por Graciliano Ramos. Publicado no ano de 1938, o livro é classificado como uma obra regionalista da segunda fase do modernismo. Escrito em terceira pessoa com uma linguagem direta e objetiva, Vidas Secas nos apresenta a uma família de retirantes nordestinos que está em busca de dias melhores.

Fabiano, Sinhá Vitória, os filhos e a cachorrinha Baleia ganham vida nas páginas de Graciliano Ramos. As situações pelas quais passa a família exemplificam a desigualdade social e o massacre do homem comum pela classe dominante. A injustiça está presente por todos os cantos deste cenário árido, quente e com poucas esperanças. Mesmo curto, o autor consegue analisar o psicológico de cada personagem, expondo o interior deles de maneira tocante. É possível ler os capítulos fora de ordem que mesmo assim tudo fará sentido. É por isso que ele é chamado de um romance desmontável.

É sempre uma experiência enriquecedora reler a obra máxima de Graciliano Ramos. A cada leitura consigo perceber coisas novas e me impressionar com este que é um dos melhores livros já publicados em terras brasileiras. Poucas vezes a crítica social soou tão forte e verdadeira.

Literatura intratecal

Como decidi usar este espaço apenas para escrever sobre filmes e seriados, senti a necessidade de criar um outro blog para postar comentários sobre livros e também algumas informações sobre autores que eu curto.

Quem quiser conferir, eis o link: LITERATURA INTRATECAL

Agradeço o clique. E não esqueçam de seguir o blog.

Valeu.