Crítica: Eles Vivem (1988)


John Carpenter é um dos grandes nomes da ficção científica e Eles Vivem é um dos melhores trabalhos do diretor dentro do gênero. O roteiro, através de uma teoria da conspiração envolvendo seres de outro planeta, passa uma forte mensagem contra a alienação e o consumismo desenfreado da sociedade moderna. Os aliens vivem escondidos, mas com mensagens subliminares na televisão, revistas, livros e outdoors controlam os seres humanos, além de ocuparem as mais altas esferas do poder. Um grupo de revolucionários tenta abrir os olhos da população criando um óculos que permite que os aliens e suas mensagens possam ser vistos. George é o único que consegue se livrar da perseguição dos aliens policiais para usar os óculos e compreender o que está acontecendo. Como nos bons filmes de ação dos anos 80 ele vai tentar resolver as coisas sozinho ou no máximo com a ajuda de um parceiro.
São 90 minutos de teoria da conspiração, críticas sociais, ação e algumas reviravoltas, tudo isso embalado em uma trilha sonora repetitiva, mas bastante eficiente ao aumentar o clima de tensão nos momentos certos, algo que Carpenter sempre soube fazer.
8/10

Crítica: Fuga de Nova York (1981)

O que primeiro chama a atenção neste clássico-cult é a absurda e fascinante premissa. Como não se empolgar em assistir a cidade de Nova York transformada em uma prisão? Pois é, devido a criminalidade sem precedentes o governo decidiu cercar a ilha de Manhattan com um gigantesco muro e jogar todo o tipo de bandido lá dentro, sem polícia, sem nada. Uma vez dentro dela, não existe mais como sair.
Um ataque terrorista ao Força Área Um faz com que o presidente dos Estados Unidos caia nesta gigantesca prisão. Snake Plissken (Kurt Russell) recebe uma proposta do comissário da polícia (Lee Van Cleef): entrar em Nova York, resgatar o presidente e ter a sua liberdade. O que já parece difícil fica pior, pois Snake tem menos de 24 horas para completar a missão e ainda tem uma substância injetada em suas carótidas que em 24 horas o fará morrer, a não ser que ele volte com o presidente.
A ambientação é muito bem criada pelo diretor John Carpenter e sua equipe. Nova York está em um verdadeiro estado de calamidade, tudo destruído, sujo, os prédios sem luz e os bandidos com a sua própria sociedade, inclusive permitindo que um deles se autoproclame o Duque de Nova York. Outro detalhe que ajudou o filme a se tornar adorado por muitos é o personagem de Kurt Russell, o famoso Snake. O cara é um badass total, com aquele ar cool, com poucas palavras e muita atitude, o típico herói de ação. No fundo o filme é mais ação do que ficção científica, o que fica claro no ato final.
As sequências que mais me marcaram foram o pouso em cima do World Trade Center e aquele final extremamente cômico. Não é para ser levado muito a sério, evidentemente. O fato é que o filme agrada bastante os que buscam ação com um contexto sombrio e apocalíptico, ainda que exageradamente absurdo.
8/10

Crítica: Starman (1984)

Starman é uma ficção científica que não tem medo de investir em uma história sensível, em que o tema mais importante é o amor, mas é um amor diferente, um amor que atravessa as fronteiras interplanetárias. O tal homem que vem das estrelas assume a forma de Scott, o marido de Jenny Hayden, falecido há pouco tempo. Ele entende um pouco das línguas humanas, mas desconhece inúmeros conceitos comuns a nós, algo que faz com que ele peça para Jenny definir certas palavras. Uma das cenas mais tocantes é quando o homem das estrelas pede para Jenny definir “amor” e ela diz que amor é se importar mais com o outro do que com você mesmo. Por aí dá para ver que o filme é bem intimista e sentimental, jamais sendo piegas. Não há pressa para a história ser contada, permitindo um bom desenvolvimento da relação dos dois personagens principais, além de algumas críticas aos habitantes do planeta terra e suas atitudes, como o ato imbecil de caçar animais indefesos e de receber a bala e com boa dose de ignorância um ser de outro mundo. Tudo isso é embalado com uma cativante trilha sonora bem anos  80 e por atuações inspiradas de Jeff Bridges e Karen Allen.
8/10 

Crítica: Dark Star (1974)

Não são poucas as curiosidades que estão por trás deste sci-fi de baixo orçamento. Trata-se do primeiro filme de John Carpenter, diretor que venho admirando cada vez mais, apesar de alguns péssimos trabalhos no currículo, como Fantasmas de Marte e Vampiros. Dark Star era um curta metragem que o diretor fez na época de faculdade, juntamente com o subestimado Dan O’Bannon, responsável pelo ótimo A Volta dos Mortos Vivos. Com a adição de algumas cenas chegamos aos 80 minutos de filme que temos aqui. O roteiro não poderia ser mais simples: um grupo de astronautas em uma nave com o objetivo de destruir planetas instáveis, para uma colonização posterior. O que agrada em Dark Star são as bizarrices de certas situações e os diálogos peculiares. Não há como não rir do alienígena que parece uma bola de praia e da bomba que pensa por si mesma, às vezes de uma maneira até filosófica. O filme pode não saltar aos longos em termos técnicos, mas Carpenter soube criar cenas bem elaboradas, como aquela em que um tripulante se encontra preso no elevador. Ao mesmo tempo em que ela diverte, ela transmite uma grande aflição, afinal não temos certeza se ele conseguirá se salvar. Dark Star também pode ser encarado como uma eficiente paródia de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, mas ele tem sim vida própria. Recomendado para os amantes de sci-fi e para quem tem curiosidade sobre o início da carreira de John Carpenter.
7/10 

Crítica: O Enigma de Outro Mundo (1982)

Pelo seu isolamento e suas condições climáticas, a Antártida é naturalmente um local capaz de causar certa aflição em quem por lá precisa passar semanas ou meses. Para piorar a situação dos cientistas retratados pelo filme, eles recebem a visita de uma ameaça extraterrestre disfarçada de um simpático canino. Este ser, chamado de “a coisa”, tem o poder de tomar a forma do ser humano que ele entra em contato, tirando sua vida no processo. Tudo vai ficando cada vez mais assustador quando a índole sanguinária do ser é revelada e aí o diretor John Carpenter não economiza nos efeitos especias e na criatividade ao criar cenas do mais puro gore, com bastante sangue e violência. Aliás, o contraste provocado pela brancura da neve e vermelho vivo do sangue é algo muito marcante aqui. Mesmo que o filme falhe em desenvolver seus personagens, John Carpenter nos coloca na pele deles e passamos a compreender o medo que eles sentem, além da insanidade que vai tomando conta de muitos. A trilha sonora, sempre precisa, também ajuda nessa ambientação. Apesar de não ser um material original, O Enigma de Outro Mundo se revela superior ao seu precursor O Monstro do Ártico, filme de 1951.
8/10
info