Atração Perigosa (2010)


Nota: 8

Charlestown é uma região de Boston conhecida por produzir ladrões de banco. É como uma tradição de família passada através de gerações. A primera sequência do filme mostra um assalto a banco realizado por Doug MacRay (Affleck), Jem (Renner) e mais dois colegas. O assalto se desenrola com muita adrenalina e a competência dos ladrões fica nítida. Antes de deixarem o banco eles levam Claire (Hall) como refém. Uma vez fora do alcance da polícia eles a libertam. Alguns dias depois, Doug vai atrás da moça e os dois se aproximam. Claro que ela não faz a menor ideia com quem está saindo.

Ben Affleck está se mostrando um excelente diretor. Ele conduz o filme de maneira extremamente coesa. É fácil perceber influências de filmes como Sobre Meninos e Lobos e Foga Contra Fogo, o que só contribui para a qualidade do trabalho. Ainda que as cenas de ação sejam muito empolgantes, como as perseguições nas ruelas de Boston e o tiroteio no estádio dos Red Sox, os destaques de Atração Perigosa são o bom roteiro e o elenco competente. Ben Affleck provavelmente oferece a melhor atuação da vida dele, Jeremy Renner rouba todas as cenas em que aparece, tamanha sua intensidade, Rebecca Hall tem o papel mais difícil, saindo-se muito bem e o astro de Mad Men, Jom Hamm, interpreta com autoridade o agente do FBI que está na cola do grupo.

Utilizando com maestria seus 125 minutos, o roteiro constrói com desenvoltura o personagem Doug MacRay, algo essencial para a trama. Atração Perigosa não apresenta elementos originais para os filmes do gênero, mas com um ritmo extremamente agradável, uma direção segura de Affleck e um elenco inspirado, ele se transforma em um dos grandes filmes do ano. Merecem aplausos algumas escolhas do roteiro, principalmente em seu desfecho, quando uma frase dita por certa personagem no meio do filme ganha uma importância incrível. Acredito que este será um dos 10 indicados ao Oscar.

Título original: The Town
Ano: 2010
País: USA
Direção: Ben Affleck
Roteiro: Peter Craig, Ben Affleck
Duração: 125 minutos
Elenco: Ben Afflec, Rebecca Hall, Jon Hamm, Jeremy Renner, Blake Lively

/atração perigosa (2010) –
bruno knott,
sempre

Guerra ao Terror

Título original: The Hurt Locker
Ano: 2008
Diretor: Kathryn Bigelow

Guerra ao Terror estreia neste final de semana nos cinemas brasileiros e eu não tenho medo de recomenda-lo a todos. Este filme de guerra dirigido por Katryin Bigelow (ex-mulher de James Cameron) foi indicado a 9 Oscars, além de ter ganho vários prêmios importantes, como o Directors Guild of America. E não foi obra de marketing, pois o filme é excelente.

Nós acompanhamos a história de um esquadrão de bomba no meio da guerra do Iraque. Isso quer dizer perigo. Temos noção desse perigo logo na cena inicial, quando um soldado interpretado por Guy Pearce tem que desarmar uma bomba, mas as coisas não dão muito certo.

Um novo especialista assume o posto, trata-se do Sargento de Primeira Classe William James (Jeremy Renner). Ele personifica muito bem as legendas no início do filme, que dizem que “a guerra é uma droga”, mas droga no sentido de ser viciante. É isso mesmo. A guerra vicia. Ele me fez lembrar do clássico personagem de Robert Duvall em Apocalypse Now, que adorava sentir o cheiro de Nalpam pela manhã.

A interpretação de Jeremy Renner é digna de um astro do mais alto nível. Ele se destaca sempre que aparece na tela, como um competente e um tanto irresponsável especialista.

Este é um filme de guerra extremamente tenso. Todas os acontecimentos deixam os personagens nos seus limites e a diretora Kathryn Bigelow consegue criar uma carga de suspense muito forte. Aquela cena no meio do deserto envolvendo um Sniper inimigo é prova disso. Sentimos que a vida dos soldados está sempre por um fio e isso é um feito digno de admiração.

Temos muito suspense, ótimas atuações e cenas realmente fortes. Uma delas pode ser considerada a cena mais forte do ano, ganhando até das cenas de canibalismo de A Estrada.

Eu diria que filmes bons também são viciantes e Guerra ao Terror é um exemplo disso.

Nota: 9

– Por B. Knott