Crítica: Dark City (1998)

Dark City oferece uma equilibrada mistura entre visual e conteúdo, algo nem sempre fácil de se alcançar. O diretor Alex Proyas utiliza diversas influências que vão desde Metropólis a filmes noir e cria uma experiência visualmente das mais interessantes do cinema recente. Os cenários parecem falsos, tudo é muito escuro e tudo parece diferente do normal. A história não fica muito atrás em termos de qualidade e ela se destaca pela inteligência e ousadia. Trata-se de um mundo artificial controlado por seres misteriosos. O objetivo deles é estudar o ser humano em busca de nossa “alma”. Eles realizam as mais variadas experiências, mudando pessoas de profissão, fazendo ricos virarem pobre, tramando assassinatos e assim por diante, isso sem que ninguém perceba. Não tem como não lembrar de Matrix enquanto assistimos a Dark City. As coincidências são enormes, desde pontos específicos do roteiro até algumas tomadas de câmera. Será que os irmãos Wachowski se inspiraram em Dark City de alguma maneira? Temos aqui até mesmo a existência de uma pessoa diferente, que é capaz de perceber o que está acontecendo após acordar ou “nascer” em um recipiente cheio de água, como Neo em Matrix. O fato é que Dark City empolga bastante, mas às vezes pode ser um tanto confuso. O desfecho acerta na dose ao criar um clima de tensão dos mais intensos, pena que ele se alonga por mais tempo do que deveria.
Dá pra dizer que ele é um cult movie, pois tem vários admiradores espalhados por aí. Gostei muito do que vi, mas não para exaltá-lo tanto. De qualquer forma, voltarei a ele mais algumas vezes no futuro.
7/10 

Criação

Título original: Creation
Ano: 2009
Diretor: Jon Amiel

Peço desculpa aos criacionistas, mas não aceitar a teoria da evolução de Darwin é, no mínimo, ignorância. A ideia de Darwin pode ser considerada a mais original da história da ciência e um filme sobre ele e suas pesquisas tinha tudo para ser excelente. Acompanhar seus 5 anos a bordo de Beagle, explorando e estudando tudo a sua volta seria algo muito interessante. Pena que não é isso que temos em Criação.

Ao invés de investir o tempo em suas pesquisas, o roteiro prefere se aprofundar no Darwin pai de família, na sua relação com a esposa e na dor de perder uma filha. Sinceramente, se eu soubesse que o filme seria mais um dramalhão meia-boca iria aguardar sua chegada em DVD. Apesar da excelente performance de Paul Bettany e da regularidade de Jennifer Connelly, é uma historia repetitiva e que está longe de comover alguém. O diretor Jon Amiel parece nos querer confundir em alguns momentos, com flashbacks cuja fotografia e direção de arte são praticamente identicas as cenas do tempo atual. Some-se a isso o fato de Darwin de vez em quando ver sua filha morta, num tipo de alucinação e a confusão está formada. O que é real? O que é passado? O que é presente? Mistério.

Criação vale um pouco a pena por mostrar todo o sofrimento de Darwin e suas indagações antes de publicar o livro “A Origem das Espécies”. Sua relação com religião e fé é bem trabalhada em alguns momentos, porém, poderia ter sido muito melhor explorada se não tivessem perdido tanto tempo com o drama familiar. É mais um daqueles exemplos em que havia um material rico e intrigante que foi bizarramente desprezado. É um pecado o filme não mostrar Darwin e o Beagle, isso não sai da minha cabeça. O que vai sair da minha cabeça em breve é este filme, a não ser pelas divertidas cenas envolvendo uma macaca. É pouco, convenhamos.

Nota: 6