Crítica: Os Invasores de Corpos (1978)

 

Os Invasores de Corpos é um remake do clássico do terror/sci-fi Vampiros das Almas de 1956. A ingrata tarefa tentar manter o nível ou quem sabe melhorar o material original coube ao diretor Philip Kaufman, que se saiu muito bem.
Dessa vez a história se passa na populosa São Francisco e desde as primeiras cenas percebemos que há algo de muito errado acontecendo. Elizabeth acorda certo dia e percebe que o seu namorado está completamente diferente, chegando a dizer para Matthew Benell, seu patrão, que trata-se de outra pessoa, alguém sem emoções, sem sentimentos. Tais mudanças ocorrem em praticamente todos os habitantes da cidade, fazendo com que o grupo formado por Elizabeth, Matthew e mais um casal sinta-se completamente acuado e perdido.
Aos poucos eles vão tentando compreender a situação. Parece que o perigo vem de uma espécie diferente de planta, capaz de criar um clone de uma pessoa enquanto ela dorme. Ou seja, se você dormir, já era. Mesmo que a coisa toda seja absurda, o diretor nos envolve na história de uma maneira hipnótica. Há uma sensação de paranoia inescapável. Em todo canto que o grupo busca refúgio, eles percebem os clones os observando. Não há lugar seguro e mesmo quando todos estão exauridos, dormir não pode ser uma opção.
Este filme é um daqueles casos que não vemos uma saída muito clara para os personagens principais. Nada aqui é previsível, tudo realmente pode acontecer.
A trilha sonora e os movimentos de câmera são essenciais para o tom perturbador de Invasores de Corpos, isso sem falar em algumas cenas que puxam para o gore com um competente trabalho gráficoPara fechar com chave de ouro, um desfecho dos mais sinistros e memoráveis do gênero.
Ah se todo remake fosse assim…
8/10

Crítica: A Mosca (1986)

A Mosca é uma mistura de ficção científica, terror, romance e tragédia. A trama nos mostra o cientista Seth Brundle e seu experimento que tinha potencial para mudar o mundo de uma maneira positiva, mas que acaba saindo muito errado. Brundle enfrenta mudanças físicas e psicológicas impressionantes que nos vão sendo reveladas aos poucos. Primeiro são pelos nascendo em lugares estranhos, depois uma preferência absurda por alimentos açucarados e assim por diante.
Como não podia deixar de ser, várias cenas puxam para o gore que Cronenberg tanto gosta. Quando um trabalho é bem feito ele atravessa as barreiras do tempo e eu diria que ainda hoje certas cenas podem causar aflição.
O fato é que A Mosca funciona tão bem graças aos personagens bem construídos. Apesar da situação absurda embarcamos nela e realmente nos importamos com o destino de Brundle e Veronica. Se não fosse assim, o filme não continuaria ganhando novos fãs a cada ano que passa.
9/10

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Crítica: Uma Manhã Gloriosa (2010)

 

Uma Manhã Gloriosa não é um filme que revolucione o gênero comédia, mas o fato é que bons momentos de humor são encontrados aqui, muito em função da atuação cheia de energia de Rachel McAdams. Ela interpreta Becky Fuller, uma produtora de televisão que se vê trabalhando no Daybreak, um programa matutino fadado ao fracasso.

Becky é uma workaholic ao extremo. Ela simplesmente não para.  Parece que ela está impulsionada por litros de café e Red Bull, sempre atrás de alguma matéria interessante que possa aumentar a audiência do programa. Ainda que o roteiro exagere na tentativa de nos fazer rir atráves do humor pastelão, Rachel McAdams nos conquista com sua presença de espírito e doçura.

Uma ideia para fazer o programa funcionar é ter Mike Pomeroy (Ford) como âncora. Ele é um jornalista renomado, vencedor de vários prêmios importantes. Vê-lo trabalhando no apelativo horário da manhã, esbanjando arrogância e sarcasmo, é garantia de boas risadas.

Apesar das qualidades, o filme sofre por ser formulaico e ter aquele ar de “mais do mesmo”. Quase nada é original e o rumo das coisas é fácil de advinhar. A trilha sonora em alguns momentos exagera na melosidade e prefiro nem comentar o romance, que é previsível, forçado e não colabora em nada para a história.

Deixando essas irregularidades de lado, podemos sim curtir os bons momentos de Uma Manhã Gloriosa, que não tem pretensão alguma, a não ser divertir.
IMDb

/b.k.