Crítica: Starman (1984)

Starman é uma ficção científica que não tem medo de investir em uma história sensível, em que o tema mais importante é o amor, mas é um amor diferente, um amor que atravessa as fronteiras interplanetárias. O tal homem que vem das estrelas assume a forma de Scott, o marido de Jenny Hayden, falecido há pouco tempo. Ele entende um pouco das línguas humanas, mas desconhece inúmeros conceitos comuns a nós, algo que faz com que ele peça para Jenny definir certas palavras. Uma das cenas mais tocantes é quando o homem das estrelas pede para Jenny definir “amor” e ela diz que amor é se importar mais com o outro do que com você mesmo. Por aí dá para ver que o filme é bem intimista e sentimental, jamais sendo piegas. Não há pressa para a história ser contada, permitindo um bom desenvolvimento da relação dos dois personagens principais, além de algumas críticas aos habitantes do planeta terra e suas atitudes, como o ato imbecil de caçar animais indefesos e de receber a bala e com boa dose de ignorância um ser de outro mundo. Tudo isso é embalado com uma cativante trilha sonora bem anos  80 e por atuações inspiradas de Jeff Bridges e Karen Allen.
8/10 

Crítica: Bravura Indômita (2010)




Os irmãos Coen já se estabeleceram como cineastas extremamente sólidos. A filmografia deles é algo invejável, sempre com ótimos trabalhos (excluindo Matadores de Velhinha) e às vezes com obras-primas, como Fargo e Onde os Fracos Não Tem VezBravura Indômita pode não merecer o epíteto de obra-prima, mas sem dúvida representa toda a qualidade e estilo do cinema dos irmãos.

Aqui temos a primeira real incursão dos Coen no western e o resultado não poderia ter sido melhor. A madura garota Matie Ross (Steinfeld) só tem uma ideia na cabeça: caçar o homem que matou o pai dela, em qualquer lugar em que ele esteja. Ela contrata um marshal para ajudá-la nessa empreitada, apesar do mesmo passar tempo demais com alcool no sangue. Claro, falo de Rooster Cogburn, interpretado com todos os atributos que podemos esperar de um ator tão bom como Jeff Bridges. O elenco é excelente, assim como o roteiro e a fotografia de Roger Deakins, que com facilidade transmite o clima do velho oeste.

Bravura Indômita também contém o humor peculiar dos irmãos, dessa vez numa intensidade maior do que o normal, principalmente nos primeiros trinta minutos. Diálogos um tanto cínicos são pronunciados de maneira natural pelos atores, garantindo nosso riso. Como exemplos, lembro-me de quando Rooster fala que não paga por whisky, já que confisca tudo como homem da lei e também quando o personagem de Matt Damon diz que no Texas ele ficou tantos dias sem água que bebeu água suja de uma pegada de cavalo e ficou feliz por isso. Quando o assunto é violência, as coisas ficam bem sérias e rapidamente voltamos a sentir o perigo do ambiente hostil. Os Coen conseguem fazer essa transição com naturalidade. Como ponto negativo, acredito que o filme perde um pouco da força quando tenta buscar um certo sentimentalismo nos personagens, mas nada que incomode de fato.

Título original: True Grit
Ano: 2010
País: USA
Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen
Duração: 110 minutos
Elenco: Jeff Bridges, Matt Damon, Hailee Steinfeld, Josh Brolin, Barry Pepper

/ bravura indômita (2010) –
bruno knott,
sempre.

 

Coração Louco


Título original: Crazy Heart
Ano: 2009
Diretor: Scott Cooper

Jeff Bridges, em interpretação magistral, dá vida a Bad Blake, uma velha lenda da música country. Antigamente detentor de enorme prestígio, hoje está falido e precisando tocar em pequenas cidades no meio do nada para sobreviver. Ele não se desgruda da garrafa de whisky, fuma e está acima do peso. Praticamente uma prescrição para um evento cardiovascular. Apesar de não estar mais na moda, ele é admirado e respeitado por fãs antigos, o que é um indício de que ele entende do que faz.

A rotina de Bad Blake muda quando conhece a jornalista Jean (Maggie Gyllenhaal). Jean entrevista Bad Blake e passamos a conhecer ambos um pouco mais a fundo. Ele não hesita em responder as perguntas da jornalista, exceto quando o assunto é o filho que não vê a mais de 20 anos e Tommy (Colin Farrell), um antigo púpilo de Blake que hoje faz um sucesso estrondoso. É importante ressaltar o ótimo trabalho de Farrell, que transforma Tommy num cara que nunca deixa de exaltar as qualidades de Blake e a importância deste em sua carreira.

Scott Cooper estreia na direção de maneira correta. Ele tenta evitar alguns clichês ou pelo menos tenta torna-los suportáveis e consegue em boa parte das vezes. O diretor absorve bem o clima country e deixa Jeff Bridges mostrar toda a qualidade dele. Não posso deixar de lamentar pelo desfecho que ocorre de maneira abrupta e pelo relacionamento de Bad Blake com Jean. Entendo que era inevitável que os dois tivessem um romance, mas me pareceu algo muito pouco convincente.

Nota: 7

/ryan bingham – the weary kind

/bruno knott