Crítica | Tully (2018)

 

Tully é mais uma parceria entre o diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody que deu certo. Contando com uma memorável atuação de Charlize Theron, o filme é um retrato nada glamouroso da maternidade.

O inspirado primeiro ato nos diverte com a rotina diária de cuidar de um recém-nascido. É fralda e choro que não acabam mais. E Marlo não poderia estar mais acabada.  Poucos filmes se preocupam em mostrar o lado complicado de se criar um filho. E além do recém-nascido, Marlo tem outro dois filhos, sendo que o garotinho tem algum problema que ainda ninguém conseguiu diagnosticar.

Uma saída para essa verdadeira batalha pode ser contratar uma babá noturna. Sim. Contratar alguém para cuidar do filho enquanto a mãe consegue algumas horas do sono.

Marlo fica relutante em um primeiro momento, mas logo ela chega no seu limite e decide ir atrás da babá.

A partir daí, Tully vai perdendo sua força.

O que era um divertido e sincero comentário sobre a maternidade, torna-se um filme não tão interessante sobre a amizade de duas mulheres com idades diferentes. Apesar de algumas boas sequências e da química entre Charlize Theron e Mackenzie Davis, é fácil notar a superioridade da primeira parte. O que me incomodou mesmo foi a reviravolta no final. Tully não precisava disso para funcionar. Houve um excesso de preciosismo por parte do roteiro, eu diria.

Ainda bem que quando Tully acerta, acerta em cheio.

Nota: 8

Amor Sem Escalas

Título original: Up In The Air
Ano: 2009
Diretor: Jason Reitman

Ryan Bingham (George Clooney) tem um emprego complicado. Ele é contratado para fazer demissões. Quando um chefe não tem coragem suficiente para demitir seus próprios empregados ele recorre a pessoas como Ryan. Acompanhamos várias demissões realizadas por ele e percebemos que não é fácil. A reação dos demitidos varia, mas todas são passadas de uma maneira extremamente convincente, mesmo porque alguns não são atores de verdade, são pessoas comuns compartilhando um dos piores momentos da vida.  No mínimo, tocante. Ter esse emprego faz de Ryan um viajante. Ele é um colecionador de milhas aéreas e é muito interessante acompanhar a rotina dele nos aeroportos e nos hoteis. Isso tudo faz Ryan ser como é. Um cara que quase não para em casa e que não tem tempo para criar conexões fortes com alguém. Ele não tem mulher, não tem filhos e está feliz assim.

Sua rotina tão amada está prestes a virar passado, pois Natalie Keener – uma nova funcionária da empresa – tem uma ideia que vai aumentar os lucros: ao invés de viajar até uma cidade distante para demitir alguém, porque não fazer isso via internet, por uma video conferência? O Chefe gosta da ideia e está irredutível. Mas antes, ele pede para Ryan treinar a moça da maneira antiga, isto é, frente a frente com demitido.

Vamos lá. Primeiramente quero dizer que aproveitei cada minuto desse filme. Sabe quando nem vemos o tempo passar? Aconteceu comigo aqui. Ele é tão agradável, feito com tanta inteligência e habilidade que você tem que se render a ele. Muitas coisas são abordadas, desde ironias relacionadss a ambição sem limites que temos no trabalho, como situações que nos fazem pensar sobre a nossa própria vida. Será que fazemos o que gostamos? Estamos felizes? É importante ter alguém ao seu lado para compartilhar experiências? Ele consegue nos fazer rir e nos emocionar de uma maneira sincera.

George Clooney merece ser indicado ao Oscar, pois o que ele conseguiu em Amor Sem Escalas é algo espetacular. Um exemplo é a cena em que ele tem que incentivar o seu cunhado a casar, mesmo indo contra a sua filosofia de vida. Percebam as discretas reações do Clooney quando o cunhando fala do que o aguarda após um casamento. Excelente. As músicas ajudam a aumentar a qualidade das cenas, pois foram colocadas de maneira precisa, nos momentos certos.

É um feel good movie? Não exatamente, mas é difícil não sair com um sorriso da sessão.

Nota: 9

– Por B. Knott