Crítica – Planeta dos Macacos: A Origem (2011)

Planeta dos Macacos: A Origem mostra os fatos que marcaram o início da revolução símia e da ruína do ser humano como espécie. Além de funcionar como uma prequel do filme de 1968, este trabalho de Rupert Wyatt é também um reboot, pois a série antiga, em suas continuações, oferecia algumas explicações diferentes das vistas aqui.

Sempre fui um grande fã da franquia e achava que não havia como extrair mais uma boa história dela, ainda mais depois da confusa versão de 2001 de Tim Burton.

Eu estava errado. O diretor Rupert Wyatt, os roteiristas Rick Jaffa e Amanda Silver e o ator Andy Serkis, realizaram um blockbuster que impressiona do começo ao fim, com uma mistura certa de ficção científica, cenas intimistas e ação de qualidade. Eles provaram para mim e para vários outros desconfiados fãs dos filmes antigos que ainda existe muita coisa boa para aproveitar deste fascinante material, criado pelo escritor francês  Pierre Boulle.

O roteiro é dividido em duas partes igualmente eficientes. Na primeira, há o desenvolvimento do personagem principal, o macaco Caesar e tudo o que está relacionado a isso, como a tentativa de Will Rodman de desenvolver a cura para o Alzheimer, motivado pela atual situação do pai. Tal medicamento se revelou nocivo para os humanos e extremamente benéfico para os macacos, melhorando a cognição dos animais de uma maneira sem precedentes. A segunda parte é uma autêntica fuga da prisão, com cenas de ação impressionantes tanto pelos efeitos especiais como pela carga emocional transmitida.

A primeira parte funciona tão bem graças a Andy Serkis, que tornou-se especialista na técnica do motion capture. Seus trabalhos como o Gollum de Senhor dos Anéis e em King Kong foram extremamente elogiados e em Planeta dos Macacos ele se supera. A composição de Caesar fascina pelos detalhes de seus olhos e suas expressões faciais. Com esses recursos, Serkis passa com clareza os sentimentos do personagem, possibilitando a criação de uma forte empatia com o público e dessa forma entendemos suas motivações e torcemos por ele.

O arco narrativo de Caeser é rico. Acompanhamos com muito gosto a evolução dele, desde seu amor incondicional pelo dono (ou pai?) e sua ingenuidade, até o seu crescimento mental e a percepção de que a raça humana é cruel por natureza. Não tem como não se emocionar em alguns momentos, como na cena em que Caesar tenta deixar o ambiente do mini-zoológico um pouco mais parecido com sua antiga casa ao desenhar uma janela na parede ou quando ele finalmente utiliza suas cordas vocais. Sinceramente, ouvir Caesar gritando “Não!” é como presenciar as consequências de uma bomba atômica. Toda a raiva reprimida e a decepção em relação a humanidade são botadas para fora com essa palavra.

Como se isso fosse pouco ainda temos a maravilhosa cena de ação no embate entre macacos e seres humanos na Golden Gate Bridge. É uma descarga adrenérgica que dura uns 30 minutos e nos proporciona taquicardia, pupilas dilatadas, aumento da frequência respiratória e uma incrível vontade de levantar da cadeira e torcer por Caesar e seus companheiros contra a nossa própria espécie. É incrível como o roteiro e Caesar vão nos conquistando aos poucos. Mais um motivo para admirá-lo é perceber suas noções de nobreza e honra, como quando ele tenta evitar derramamento de sangue e mortes inúteis. O fato é que os macacos cansaram e querem liberdade, querem viver no lugar deles por direito e não em mesas de laboratório. Ficar na frente de macacos inteligentes e nervosos não parece ser uma boa.

Algumas críticas negativas que li reclamavam da falta de crítica social, algo que foi muito bem trabalhado no filme de 1968. A crítica social realmente não é o forte o aqui, principalmente pela falta de sutileza, mas essa não é a função do filme.

Planeta dos Macacos: A Origem agrada tanto aos fãs da série como aqueles que esperam qualidade de um blockbuster.

Em um mundo justo, Andy Serkis deveria ser reconhecido pela sua competência e esforço. Uma indicação ao Oscar seria um ótimo começo.
9/10

Crítica: 127 Horas (2010)


O aventureiro Aron Ralston (James Franco) pega seu carro e dirige para fora da cidade, indo em direção da natureza composta por Canyons e um clima árido. No caminho, ele fala para a própria câmera: Apenas eu, a noite e a música. Amo isso! Já podemos ter uma noção sobre o personagem. Danny Boyle filma os primeiros minutos do filme empregando muita energia, sempre acompanhado pela trilha sonora de A.R. Rahman. Ver Aron voando baixo com sua bicicleta em meio a uma paisagem tão bonita e se sentindo livre é um antagonismo gritante com o que vem a seguir.

O filme é baseado em uma história real. Ele mostra como Aron ficou com o braço preso em uma enorme rocha, no meio de uma fenda. Com a quantidade de água que ele tem, restam apenas 127 horas de vida. E é isso. O que poderia ser algo cansativo, torna-se uma experiência memorável nas mãos de Danny Boyle. Com um excelente trabalho de fotografia e, claro, uma atuação soberba de James Franco, nos colocamos no lugar do personagem e compartilhamos todos os sentimentos e aflições dele.

James Franco poderia ter desandado para um overacting, mas ele soube muito bem o que fazer. Durante o tempo que fica com o braço preso, Aron relembra certos aspectos da vida que poderia ter feito diferente e pensa sobre alguns erros que cometeu, como não dizer para onde ia e esquecer uma garrafa de gatorade no carro. O monólogo em que ele cria um tipo de talk show para se manter são é uma das grandes cenas do ano. Apesar do clímax gráfico e macabro, 127 Horas é um filme que afirma a vida a todo custo. A superação de Aron Ralston pode servir como motivação para vencermos nossos próprios problemas, que esperamos que não sejam tão complicados como o dele foi.

Título original: 127 Hours
Ano: 2010
País: USA / UK
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Danny Boyle, Simon Beaufoy
Duração: 94 minutos
Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn

/ 127 horas (2010) –
bruno knott,
sempre.

* Fui presenteado com um selo pela Amanda, do blog CinePipocaCult, fato que me ajuda a manter a motivação de ter um blog sobre cinema. Obrigado.

Nome: Bruno Knott
Uma música: Edmonton (Rural Alberta Advantage).
Humor: Autodepreciativo.
Estação: Carandiru.
Como prefere viajar: THC.
Um seriado: Six Feet Under.
Uma frase dita por você: Quero a capacidade de fugir do óbvio.
O que achou do selo: Sinto-me honrado por ter recebido e feliz por indicar esses ÓTIMOS blogs:

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