Vida

Mistura de ficção-científica e terror com um sólido elenco.

Inspirado em melhores filmes do gênero, Vida é uma grata surpresa dos cinemas em 2017. Mistura de ficção-científica e terror, o filme mostra uma equipe de astronautas fazendo contato com um ser de outro planeta. Carinhosamente chamado de Calvin, o ser se revela um caçador sanguinário. Como sobreviver a sua força e inteligência no espaço? Várias sequências de Vida nos dão a certeza de que o diretor se preocupou com detalhes técnicos, facilitando nossa imersão na trama. A tensão também é algo bem trabalhado, mas não em um nível tão elevado como podemos ver no primeiro Alien, por exemplo. Faltou tempo para um melhor desenvolvimento dos personagens, ainda que o elenco sólido tenha feito o possível. Infelizmente, o desfecho é uma forçada de barra tremenda e prejudica a experiência. Digo que Vida é uma surpresa pois eu tinha certeza que isso aqui seria uma bomba. Me enganei.

Nota: 7

Crítica: O Abutre (Nightcrawler, 2014)

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Conhecido no mundo do cinema pelos roteiros de O Legado Bourne e Gigantes de Aço, o californiano Dan Gilroy estreia na direção com este perturbador e fascinante O Abutre, filme estrelado por um possuído Jake Gyllenhaal que vem fazendo sucesso em várias premiações mundo afora e, principalmente, agradando ao público.

Louis Bloom (Gylleenhaal) é o que podemos chamar de um ladrãozinho barato. Ele rouba cercas de arame e semelhantes para vender posteriormente e não se preocupa em descer a mão na cara de eventuais guardas que o abordam. Percorrendo as ruas de Los Angeles com o seu simplório carro, Bloom se depara com um feio acidente automobilístico e se encanta com o trabalho de Joe Loder (Paxton), um câmera que registra tragédias (quanto mais sangue, melhor!) e vende as imagens para canais de televisão.

Bloom decide investir toda sua energia e motivação neste novo trabalho. No início ele tem certas dificuldades, o que gera cenas com algumas doses de humor, mas não demora muito para ele pegar o jeito da coisa. É impressionante acompanhar a evolução dele. Sua ambição transforma-se em obsessão e ele não apenas faz o registro dos incidentes, como passa a manipular cenas de crime ou acidentes para aumentar o choque do público que vai assistir ao jornal naquele dia, sem demonstrar qualquer tipo de sentimento humanitário em relação as vítimas.

É difícil negar que a melhor coisa de O Abutre é a atuação monstruosa de Jake Gyllenhal. A composição do personagem é repleta de detalhes que o enriquecem muito. O ator perdeu bastante peso, está com bochechas encovadas, um cabelo oleoso e preso para trás, levemente corcunda, olhos arregalados que quase não piscam, sorrisos fáceis e falsos e falas rápidas.

Estamos diante de um personagem solitário, que acha que todo o conhecimento do mundo pode ser obtido através da internet. Ele vomita inúmeros aforismos e jargões corporativos com convicção e acaba convencendo os outros. Bloom não está nem aí para as vítimas que encontra pelo caminho. Tal qual o abutre ou o urubu, ele fica apenas à espreita da desgraça alheia para atingir seus objetivos, que no caso dele é vender as imagens e lucrar o máximo possível.

Lou Bloom tem algumas características que poderiam impulsionar discussões entre uma junta de psiquiatrias para se chegar a um diagnóstico preciso, pois é evidente que ele sofre de algum transtorno mental.

Apesar de todas as falhas de caráter de Bloom e suas atitudes condenáveis, me vi torcendo para ele não ser surpreendido pela polícia enquanto fazia seu trabalho e acredito que a maior parte do público também. Devemos nos preocupar com isso?

Outro ponto importante e que nos convida a refletir é a manipulação da notícia pela mídia. Já sabemos que isso acontece, não é novidade, porém as coisas são feitas com tanta qualidade e intensidade aqui que não há como não ficarmos incomodados. Nina Romina (Russo) é uma diretora de jornalismo que escolhe a dedo o tipo de notícia que vai botar no jornal. Pobres matando pobres em um bairro da periferia não comove, porém um mexicano matando um rico em uma mansão é a matéria ideal, que deverá ser transmitida da forma mais eloquente possível, para criar um espetáculo e gerar a paranoia. Infelizmente, temos exemplos diários disso em diversos meios de comunicação.

O Abutre é um filme espetacular, angustiante, tenso, daqueles que prendem a atenção de maneira quase hipnótica e que demoram para sair da sua cabeça. Como se isso fosse pouco, ainda oferece uma das melhores atuações dos últimos anos. Gyllenhaal estava tão compenetrado no papel que em uma cena que Bloom dá um soco no vidro o ator realmente desferiu o golpe, tendo que ir para o pronto atendimento fazer uma sutura. Bravo!
[9.0]

Marcados para Morrer – End of Watch (2012)

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A ideia em End of Watch é mostrar o dia a dia de dois policiais de Los Angeles, investindo bastante na amizade entre eles e no espírito de camaradagem da classe. Michael Peña e Jake Gyllenhaal entregam atuações de alto nível, tornando verdadeira a amizade dos seus personagens, com diálogos que fluem naturalmente e que nos fazem rir na maior parte do tempo. A química entre os dois é um dos pontos altos do filme. Eles não são heróis, mas querem fazer seus trabalhos da melhor maneira possível. Ambos passam por momentos importantes em suas vidas pessoais e tudo nos é mostrado de uma maneira realista e até emotiva às vezes.  Quando percebemos que estão brincando com fogo ao atrapalhar o cartel que age na região ficamos apreensivos com o que pode ocorrer. Graças a essa conexão com a dupla o filme nos reserva momentos de bastante impacto emocional.
Algumas cenas são mostradas através de uma câmera carregada por Bryan (Gyllenhaal), inclusive em cenas de ação, algo que pode incomodar aqueles que sentem desconforto com a câmera tremida. Acredito que tenha sido uma boa escolha do diretor David Ayer, pois aumenta-se a tensão e o tom de urgência das situações.
No final das contas, End of Watch traz um ar de novidade para um gênero já muito explorado. É um filme muitas vezes violento, poderoso emocionalmente e que nos diverte nos inspirados diálogos da dupla principal, convenhamos, coisas nem sempre fáceis de serem alcançadas.
9/10 

Crítica: Donnie Darko (2001)

Donnie Darko tem tudo o que uma grande ficção científica deve ter e mais um pouco. É daquele tipo de filme que te faz pensar bastante no que acabou de assistir. Ele permite várias interpretações, então não existe uma teoria certa, praticamente tudo é possível. Donnie é um garoto problemático. Ele tem o costume de acordar nos lugares mais inusitados, tem consultas regulares com uma psiquiatra, toma remédios de tarja preta e em uma noite recebe a visita de um coelho gigante que diz que o mundo vai acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. Como se fosse pouco, uma turbina de um avião cai em seu quarto, fazendo com que a família Darko tenha que passar uns dias em um hotel.
A história vai se desenrolando de maneira interessante e misteriosa. O diretor Richard Kelly bota o nosso cérebro para trabalhar, adicionando elementos como viagem no tempo e universos paralelos, mas de uma maneira até sutil. Ficamos na dúvida se Donnie está tendo alucinações ou se de fato as coisas acontecem como vemos na tela.
O bom é que Donnie Darko não é apenas uma grande ficção científica. O roteiro trabalha muito bem uma história de amor nada clichê e ainda faz um retrato um tanto satírico de alguns costumes dos subúrbios americanos. Tudo isso embalado com uma trilha sonora de respeito, com Echo & The Bunnymen, Tears for Fears e Joy Division.
As atuações também merecem destaque, principalmente a de Jake Gyllenhaal como o atormentado e fascinante personagem-título.
9/10

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Crítica: Contra o Tempo (2011)

O diretor Duncan Jones chamou a atenção dos cinéfilos em seu filme anterior, o ousado Lunar de 2009. Com este novo trabalho podemos afirmar que ele é um diretor que veio pra ficar. Contra o Tempo é uma ficção científica que exige do público mais atenção do que o normal, mas não é nada tão complicado assim. Basicamente, o personagem de Jake Gyllenhaal tem 8 minutos para descobrir quem está por trás de um atentado terrorista em um trem. A bomba explode e todos morrem? Ok, ele tem quantas chances forem necessárias para mudar essa história, mas o tempo de 8 minutos não pode ser ultrapassado.
Não há como explicar algo assim de maneira lógica, mas o roteiro faz questão de não nos deixar muito perdidos e nos dá algumas informações sobre como isso tudo é possível. Basta acreditar.
O que poderia ser tornar uma experiência repetitiva como acontece em Ponto de Vista , é na verdade intrigante do início ao fim. A direção cheia de energia e o roteiro inteligente nos embalam em uma montanha russa de tensão, surpresas e ação na medida certa.
Como ocorre no divertidíssimo Feitiço do Tempo , o fato do personagem principal poder reviver a mesma situação abre diversas possibilidades interessantes. A diferença é que em Contra o Tempo o buraco é mais embaixo, afinal muitas vidas estão em jogo.
Se o filme terminasse uns 5 minutos antes eu ficaria mais satisfeito. Não que o desfecho seja ruim, mas não posso negar que acabou ficando fantasioso demais, mesmo dentro desse mundo absurdo (e fantástico) que Duncan Jones nos apresentou.
8/10
IMDb

Crítica: O Amor e Outras Drogas (2010)



O começo acelerado, em que Jamie (Gyllenhaal) mostra suas habilidades com vendas de eletrônicos e com mulheres, conquista nossa simpatia ao garantir risos e ao oferecer um ar nostálgico, já que o filme se passa nos anos 90. Após uma mudança de emprego forçada, ele se torna um representante da pfizer, o que abre brecha para várias piadas e ironias em relação a indústria farmacêutica e a médicos que não seguem com muito afinco o juramento de Hipócrates. Quando Jamie conhece Maggie (Hathaway) o tom do filme vai mudando aos poucos. Maggie é uma mulher de 26 anos que sofre de Parkinson, um estágio inicial, mas já preocupante e capaz  de deprimir qualquer um. A partir daí, teremos o já previsível romance, junto com um ar triste e melancólico, deixando a história um pouco arrastada. É uma comédia romântica ousada pela personagem Maggie, mas a fórmula é seguida à risca. Pelo menos, o “monólogo da reconquista” soa verdadeiro e tocante. De qualquer forma, prefiro lembrar dos momentos que fazem rir, como o começo e todas as cenas envolvendo o viagra, o bom ator Oliver Platt e o irmão de Jamie.
IMDb

 

/ b. knott

Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo (2010)


Cotação: 5

É de conhecimento de todos que Príncipe da Persia – As Areias do Tempo tinha como principal objetivo fazer dinheiro. É um blockbuster que tenta soar épico e que escancara a intenção de Jerry Bruckheimer de criar um novo Piratas do Caribe, pelo menos em termos de bilheteria.

O roteiro é bem previsível e muito pouco estimulante. Dastan (Jake Gyllenhaal) é injustamente acusado de matar o seu pai adotivo, o rei da persia. O herói tenta provar sua inocência e também deve impedir que o mundo seja destruido pelo mau uso de uma arma que permite voltar no tempo. Gyllenhaal é um ótimo ator, mas aqui ele não tem oportunidade de mostrar suas qualidades artísticas. De qualquer forma, o carisma dele, a beleza da atriz Gemma Arterton e a direção ágil de Mike Newell permitem alguns bons momentos de diversão.

O personagem de Alfred Molina é um dos pontos positivos do filme, já que suas tiradas cômicas garantem boas risadas. Príncipe da Pérsia pode agradar em alguns momentos, sendo você fã ou não do jogo, mas o destino dele é ser rapidamente esquecido.

Título original: Prince of Persia: The Sands of Time
Ano: 2010
País: EUA
Direção: Mike Newell
Roteiro: Boaz Yakin, Doug Miro e Carlo Bernard
Duração: 116 minutos
Elenco: Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Ronald Pickup

Entre Irmãos

Título original: Brothers
Ano: 2009
Diretor: Jim Sheridan

Entre Irmãos é um drama de guerra que não consegue fugir de alguns clichês do gênero. Sam Cahill (Maguire) é o irmão “bom”. Tem um bom relacionamento com a mulher Grace (Portman) e os filhos, é organizado, respeitado e está prestes a ir para o Afeganistão. Tommy (Gyllenhaal) é o patinho feio da família. Acaba de sair da prisão, é nervosinho e tem algumas rusgas com o pai. Poucos dias depois de chegar no Afeganistão, Sam desaparece e é dado como morto. Isso arrasa a família, mas ao mesmo tempo, aproxima seu irmão Tommy da mulher Grace. Não demora muito e já podemos adivinhar que Sam não está morto coisa nenhuma.

É um filme previsível. Sabemos quase que exatamente quais os caminhos que a história vai tomar. O bom é que as atuações fazem tudo valer a pena, principalmente no caso de Tobey Maguire. Não tenho dúvida em afirmar que é o melhor trabalho dele. Uma indicação ao Oscar seria um reconhecimento mais do que justo. Pena que não ocorreu. Vocês podem achar que se trata de um filme bem meia boca, um drama de guerra familiar meio tosco, mas o fato é que as atuações compensam.

Sam é mais um daqueles casos de um soldado que não consegue se readaptar a vida fora dos campos de batalhas. Junte-se a isso um ciúme doentio e teremos um personagem explosivo. Não sabia que Tobey Maguire era capaz de fazer o que fez aqui. Sem dúvida é uma performance que não se pode deixar de conferir. Entre Irmãos é um filme de mediano para bom, com ótimas atuações e uma cena bem chocante em um campo de prisioneiros. Está longe de ser um Guerra ao Terror, mas merece uma ida ao cinema.

Nota: 7