Crítica: Bravura Indômita (2010)




Os irmãos Coen já se estabeleceram como cineastas extremamente sólidos. A filmografia deles é algo invejável, sempre com ótimos trabalhos (excluindo Matadores de Velhinha) e às vezes com obras-primas, como Fargo e Onde os Fracos Não Tem VezBravura Indômita pode não merecer o epíteto de obra-prima, mas sem dúvida representa toda a qualidade e estilo do cinema dos irmãos.

Aqui temos a primeira real incursão dos Coen no western e o resultado não poderia ter sido melhor. A madura garota Matie Ross (Steinfeld) só tem uma ideia na cabeça: caçar o homem que matou o pai dela, em qualquer lugar em que ele esteja. Ela contrata um marshal para ajudá-la nessa empreitada, apesar do mesmo passar tempo demais com alcool no sangue. Claro, falo de Rooster Cogburn, interpretado com todos os atributos que podemos esperar de um ator tão bom como Jeff Bridges. O elenco é excelente, assim como o roteiro e a fotografia de Roger Deakins, que com facilidade transmite o clima do velho oeste.

Bravura Indômita também contém o humor peculiar dos irmãos, dessa vez numa intensidade maior do que o normal, principalmente nos primeiros trinta minutos. Diálogos um tanto cínicos são pronunciados de maneira natural pelos atores, garantindo nosso riso. Como exemplos, lembro-me de quando Rooster fala que não paga por whisky, já que confisca tudo como homem da lei e também quando o personagem de Matt Damon diz que no Texas ele ficou tantos dias sem água que bebeu água suja de uma pegada de cavalo e ficou feliz por isso. Quando o assunto é violência, as coisas ficam bem sérias e rapidamente voltamos a sentir o perigo do ambiente hostil. Os Coen conseguem fazer essa transição com naturalidade. Como ponto negativo, acredito que o filme perde um pouco da força quando tenta buscar um certo sentimentalismo nos personagens, mas nada que incomode de fato.

Título original: True Grit
Ano: 2010
País: USA
Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen
Duração: 110 minutos
Elenco: Jeff Bridges, Matt Damon, Hailee Steinfeld, Josh Brolin, Barry Pepper

/ bravura indômita (2010) –
bruno knott,
sempre.

 

Um Homem Sério

Título original: A Serious Man
Ano: 2009
Diretor: Ethan e Joel Coen

Ainda que Um Homem Sério não seja do nível de Onde os Fracos Não Tem Vez ou O Homem que Não Estava Lá, é um grande avanço após o razoável Queime Depois de Ler. Grande mesmo. Desta vez, os irmãos Coen não utilizam nenhum astro importante de Hollywood e apostam em Michael Stuhlbarg para o personagem principal. Foi uma ótima escolha, pois o ator combinou muito bem com o seu personagem, transformando-se em um dos pontos fortes do filme.

Larry Gopnik (Stuhlbarg) é um professor de física que está enfrentando problemas em sua vida: um aluno coreano tenta suburna-lo para ser aprovado, sua esposa pede o divórcio, o seu irmão não tem emprego e vive às suas custas na sua própria casa, o filho mais novo está devendo 20 dólares para o traficante-mirim da escola e sua filha quer fazer uma plástica no nariz. Todos são judeus e Larry claramente tenta viver de acordo com os ensinamentos do judaísmo, mas o momento é difícil e ele se sente perdido. A solução é se aconselhar com os rabinos.

É interessante ver como o mundo arma um complô contra Larry. Ele é um cara calmo, tranquilo, mas está sobre muita pressão. O que será que Deus quer de Larry? É um teste? Existe um sentido na vida em que vivemos? Uma certa ironia e o tradicional humor peculiar dos irmãos Coen estão por todos os lados de Um Homem Sério, mas chegam ao ápice nas conversas que Larry ou o seu filho têm com os rabinos. Imaginem, um desses rabinos é Simon Helberg, o Howard Wolowitz de Big Bang Theory. Difícil olhar para ele e não rir, mesmo quando ele nem tenta ser engraçado. Essas conversas de Larry com os rabinos funcionam como os irmãos Coen dizendo: “Ei amigo, você quer um sentido para a vida? Continue procurando.”

Elogiar a fotografia de Roger Deakins é redundância, ainda mais em um filme dos Coen. Temos um visual muito bonito e ângulos que tornam algumas cenas mais interessantes. Mas não vou mentir. Não é um filme fácil de se admirar. Eu tive alguns problemas com ele. O principal foi a dificuldade de me importar realmente com os personagens e as situações, mas no geral, gostei muito do filme. Acho que os Coen deveriam seguir nesse caminho e em breve irão criar outra obra-prima como Onde os Fracos Não Tem Vez. A cena final de Um Homem Sério é uma das melhores do ano e mostra toda a qualidade dos irmãos.

Nota: 7

– B.K.