Indicados ao Oscar 2011 (ranking)

Enquanto a premiação não chega, resolvi organizar uma lista dos indicados a melhor filme de acordo com minha  preferência e fazer alguns comentários.

Coisa simples e objetiva.

A de filme estrangeiro fica para a próxima.

1 Cisne Negro (Darren Aronofsky)


Para mim, o melhor dos 10 que concorrem ao prêmio. Sem dúvida a atuação de Natalie Portman é o grande destaque, mas a direção de Aronofsky merece todo o reconhecimento também. Ele consegue imprimir um ritmo frenético quando o roteiro necessita e também cria uma atmosfera de tensão e urgência que nos deixa em um suspense tremendo. Do começo ao fim, o filme exala perfeição.
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2 127 Horas (Danny Boyle)


Uma história real que te faz pensar na vida. Ver um cara que ama aventura e o ar livre preso em uma rocha é de cortar o coração. James Franco oferece uma atuação magnífica, digna de ser lembrada por muito tempo. Os momentos mais marcantes são aqueles em que ele decide fazer um monólogo para se manter são e relembra de alguns erros que cometeu, como o de não dizer para onde ia e de não ligar de volta para a própria mãe. O trabalho de fotografia é excelente, assim como a direção de Danny Boyle. Dividir a tela em várias partes é sempre um recurso interessante quando aplicado do jeito certo, que é o que acontece aqui.
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3 A Rede Social (David Fincher)

Ótimo retrato da geração atual, que passa mais tempo no Facebook, Orkut e Twitter do que em qualquer outra coisa. Jesse Eisenberg está ótimo, mas para mim o destaque em termos de atuação é Andrew Garfield, injustamente desprezado pelo Oscar. David Fincher resolveu não aparecer mais do que o roteiro (não que isso seja sempre ruim, ele é um grande diretor) e deixou os atores darem vida à história, sempre embalados pela bela trilha sonora de Trent Reznor. Zuckerberg se mostra um ótimo observador ao colocar coisas banais do dia a dia dentro do seu projeto do Facebook. Ver sua mente trabalhando é algo estimulante, apesar do seu jeito meio babaca de ser.
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4 Bravura Indomita (Ethan Coen, Joel Coen)


Finalmente temos uma oportunidade de ver os irmãos Coen em um autêntico western, gênero que combina tão bem com o estilo deles. Os irmãos se saem muito bem aqui. Bravura Indômita é um filme tecnicamente empolgante e que conta com o bom trabalho de Jeff Bridges e a excelente, magnética e marcante atuação da garota Hailee Steinfeld. Durante os trinta primeiro minutos o humor negro característico dos Coen é bem empregado, talvez como nunca antes em seus outros filmes. A história perde um pouco da força em algumas cenas intimistas entre o trio que está procurando o bandido, mas nada que incomode, pois sempre temos aquela sensação de  que alguma coisa interessante (e violenta) está para acontecer.
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5 Toy Story 3 (Lee Unkrich)


Este terceiro filme da franquia Toy Story é capaz de deixar emocionado o ser-humano mais sangue frio do universo, pelo menos um pouquinho. Nem preciso comentar sobre a perfeição técnica da animação, mas devo dizer que o roteiro é excelente. A história proporciona momentos de ação eletrizantes e outros momentos mais emotivos. É impossível não nos colocar no lugar de Andy e lembrar da época em que fomos deixando de ser crianças. Claro, quando você é criança você quer virar adulto o quanto antes, mas quando você é adulto não tem como não ser tomado por uma forte nostalgia em relação àquela época de vez em quando . Toy Story 3 mexe com nossos sentimentos de uma maneira agradável e sincera, coisa que muito filme “adulto” está longe de conseguir fazer.
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6 A Origem (Cristopher Nolan)


É digno de aplausos quando aparece um filme que te tira do conforto habitual e te faz usar o cérebro. A maneira como Cristopher Nolan consegue deixar acessível um roteiro complicado é fantástica. A Origem é uma ficção científica original e ambiciosa, que mostra que o cinema ainda tem muito a nos oferecer. A escolha por um final ambíguo é mais uma prova de que a intenção não era mastigar tudo para o público, algo não muito comum no cinema americano. Minha reclamação é pelo excesso de cenas de ação barulhentas e cansativas. Não estou sozinho quando digo que o filme poderia ter menos tiros e explosões e explorar mais a incrível ideia de invadir os sonhos de outra pessoa. Se  todas as cenas de ação fossem verdadeiramente empolgantes, como aquelas sem gravidade, tudo bem… mas não foi o caso. O tédio em alguns momentos é enorme. Um filme bacana e original. Obra-prima? Realmente, não.
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7 Inverno da Alma (Debra Granik)


Não fosse a atriz Jennifer Lawrence e sua personagem, Inverno da Alma não seria a metade do que é. Acompanhar Ree em busca do pai é uma experiência perigosa, mas fascinante. A coragem e autocontrole da garota são impressionantes, mesmo quando se coloca em situações extremas, com pessoas que não ligariam se tivessem que adicionar mais um crime em suas fichas. A diretora Debra Granik simplesmente deixa a história rolar, não sem antes criar uma atmosfera fria, melancólica e com poucas esperanças.
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8 O Vencedor (David O. Russel)


Merece ser visto pelas fantásticas atuações. Mark Wahlberg, Amy Adams, Melissa Leo e Christian Bale nos transportam para dentro da história com facilidade, pena que ela não nos emociona como deveria. Para mim, o maior culpado do filme não ser realmente memorável é o diretor David O. Russel. Ele acertou ao filmar as cenas de boxe como se as vissemos em uma TV nos anos 90, mas errou feio no momento em que mais precisava triunfar: no desfecho. Filmes como Rocky e Menina de Ouro, apesar de não serem perfeitos, são donos de finais marcantes. O clímax em O Vencedor parece ter sido trabalhado de uma maneira aborrecida e apressada, o que impede alguma vibração de nossa parte.
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9 O Discurso do Rei (Tom Hooper)


É um good movie com contexto histórico. A química entre Colin Firth e Geoffrey Rush é mantida durante todo o filme. Ambos estão excelentes, mas Firth acaba se destacando por ter interpretado uma figura histórica, que ainda por cima era dona de uma gagueira épica. O objetivo do filme é te deixar com um sorriso no rosto, algo que é sempre positivo quando o roteiro é de qualidade. O diretor Tom Hooper mostra muita habilidade na construção do clímax, quando o tal discurso do título deve ser proferido. Aquele microfone mais parece uma arma para o Rei George, sensação que é muito bem passada por Firth e registrada por Tom Hooper. No mais, acho que é um filme que foi feito pensando-se em angariar prêmios, o que dá uma certa artificialidade para ele. Também me causa estranheza o fato dos personagens se sentirem felizes após saberem que o país acaba de entrar na guerra. O rei conseguiu falar, bacana… mas milhares estão prestes a morrer. O que é mais importante?
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10 Minhas Mães e Meu Pai (Lisa Chodolenko)


Dos indicados é o mais fraco, mas está longe de ser ruim. É um filme que se mantém interessante graças ao elenco extremamente competente. Não vejo porque reclamar da falta de ousadia do roteiro, como alguns tem feito. A intenção não era chocar ou algo do tipo. Tem espaço para momentos de humor e outros mais sérios. Basicamente, é um retrato do cotidiano de muitas famílias, só que esta não é convencional em sua composição. Finalmente Mark Rufallo foi reconhecido pelo Oscar. Já não era sem tempo.
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/b. knott

Crítica: Inverno da Alma (2010)


Inverno da Alma é daqueles filmes que não tem um grande orçamento, mas que tem resultados acima da média. A história é simples, mas com bastante potencial para a personagem principal se destacar, que é o que ocorre. Ree (Lawrence) é uma garota que vive no sul dos Estados Unidos e está cheia de problemas e obrigações. Ela cuida de uma irmã e um irmão pequeno, além da mãe debilitada. O pai de Ree não cumpre com suas obrigações judicias, desaparecendo do mapa. Se continuar sumido, a família perderá a casa penhorada por ele. Agora Ree tem mais uma tarefa: encontrar o pai.

A busca fica cada vez mais complicada. Ree aborda algumas pessoas da região e logo descobre que está mexendo em um vespeiro. Um violento interior dos Estados Unidos é mostrado. Um lugar desolador, que não permite fraqueza e que parece ter uma lei própria. Um deslize pode custar muito caro, coisa que Ree percebe rapidamente. Jennifer Lawrence está brilhante, demonstrando toda a força interior da personagem, não esquecendo do seu lado mais frágil. Inverno da Alma cria uma personagem incomum e memorável. Ao mesmo tempo que demonstra uma vontande irredutível de encontrar o pai e resolver toda a situação, ela ainda ensina coisas imporantes aos irmãos, como se quisesse prepará-los para o mundo nada amistoso que os aguarda.

Com um ritmo desacelerado, o filme trabalha muito bem a atmosfera brutal em que os personagens estão envolvidos. O resultado tem ar de thriller, ainda que seja de um jeito mais silencioso e frio do que o que estamos acostumados a ver por aí. Outro trunfo de Inverno da Alma é a capacidade de manter imprevisível o resultado da busca. Pode não ser um trabalho tão bom como uma indicação ao Oscar teoricamente deveria sugerir, mas é sempre reconfortante saber que filmes que investem bastante em seus personagens continuam sendo feitos.

Título original: Winter’s Bone
Ano: 2010
País: USA
Direção: Debra Granik
Roteiro: Debra Granik, Anne Rosellini
Duração: 100 minutos
Elenco: Jennifer Lawrence, John Hawkes, Lauren Sweetser, Garret Dillahunt

/ inverno da alma (2010) –
bruno knott,
sempre.